O ESCANDALOSO SEQUESTRO DE DEUS
Item Pág.
Prefácio 4
A Bíblia 7
Deus no Velho
Testamento 10
O Pentateuco Mosaico 11
Gênese 11
A criação da Terra 11
O surgimento da Vida na Terra 12
A criação dos Homens 12
Êxodo 14
Levítico 16
Números 16
Deuteronômio 18
Demais
Livros 18
Período
Intertestamentário 19
Deus no Novo Testamento 20
Os Quatro Evangelhos 21
Os Atos dos Apóstolos 23
As
Epístolas; 24
O
Apocalipse 24
Contestações da Bíblia 28
Quanto ao Velho Testamento 28
Quanto ao Novo Testamento 30
Fatos
Incontestáveis 37
A Gênese conforme a
Ciência 39
A Criação
do Universo 39
A Criação
da Terra 41
O
surgimento da vida na Terra 42
A
evolução das espécies 46
- Teoria da Evolução de Darwin 47
- Teoria Sintética da Evolução (Neodarwinismo) 48
- A
evolução intelectual – do Instinto à Inteligência 50
- Vida
Extra Física 53
A Teoria do Design
Inteligente 56
A Concepção Original de
Deus 56
Deus na
pré-história 56
Deus na Suméria 57
Deus nas sociedades
antigas 58
Deus no
Egito 58
Deus dos Hebreus 59
Deus no Império Romano 61
Deus na Península Arábica 62
Deus na China 63
Deus na Índia (Tradicional) 64
Deus na Índia – Sikhismo 65
Deus no Japão 66
Deus na Cultura Asteca 67
Deus na Cultura Inca 68
Deus na Cultura Maia 69
Deus na Cultura Tupi-Guarani 70
Deus na África 71
Deus dos Filósofos 73
-
Parmênides e Heráclito 73
-
Protágoras 73
-
Sócrates 73
-
Demócrito 74
-
Aristóteles 75
-
Jesus Cristo 75
-
René Descartes 76
-
Baruch Spinoza 77
-
Immanuel Kant 80
Deus de Intelectuais Contemporâneos 82
-
Albert Einstein 82
- Mário Henrique Simonsen 83
- Stephen Hawkins 83
- Richard Dawkins 84
Deus nas Doutrinas
Religiosas Atuais 86
Caodaísmo 86
Xamanismo 89
Taoísmo 90
Judaísmo 95
Sikhismo 101
Xintoísmo 103
Budismo 105
Hinduísmo 109
Islamismo 116
Cristianismo 121
Catolicismo 130
Protestantismo
141
Espiritismo 149
Umbanda 157
Deus e a Humanidade 158
As Igrejas 159
O Sequestro de Deus 162
FIM
O SEQUESTRO DE DEUS!
PREFÁCIO
A ideia de um poder sobrenatural que chamamos de Deus esteve presente em
todas as épocas e em todas as partes onde existisse vida inteligente, desde as
antigas tribos nômades do oriente, aos selvícolas brasileiros ainda isolados da
civilização.
Os seres humanos
dispersos pelo planeta geraram culturas diversificadas e apesar das distancias
e ausência de comunicação, a concepção de entes detentores dos poderes da natureza,
os Deuses, alvos de respeito, temor e adoração sempre esteve presente.
Deus é imanente e
emanente a tudo o que existe no Universo, isto é, tudo e todos estão em Deus,
como Deus está em tudo e todos. Como parte da Natureza, o Ser Humano está
permanentemente conectado à Deus, o que explica o sentimento de Religiosidade inato de todos os seres humanos.
As múltiplas concepções de Deus retratadas nas tradições culturais,
filosóficas e teológicas formaram “Doutrinas Religiosas”, em torno das quais, criaram-se as instituições humanas que chamamos de “igreja”, ou seja, o agrupamento de
pessoas em torno de uma ideia ou crença comum.
As Igrejas são instituições humanas, portanto, sujeitas a imperfeições
quando seus líderes, ávidos de poder temporal, desviam-se da doutrina, e promovem
as mais variadas formas de exploração da ignorância, ingenuidade e fragilidade das
criaturas em busca de “proteção divina”.
Elaboramos o presente estudo para melhor entender esse fenômeno que,
apesar da proposição de beneficência social, tem submetido os homens à
subserviência, aviltando a boa-fé, explorando e conduzindo a humanidade para
conflitos e destruição quase todo o tempo.
Na cultura ocidental, a
Bíblia, o mais antigo texto religioso que possuímos, fundamento do judaísmo, e
origem das doutrinas cristãs e islâmica, foi interpretada e manipulada ao sabor
de interesses temporais pelos “líderes religiosos” de diferentes igrejas. Resumimos
alguns temas extraídos dos textos bíblicos para facilitar o entendimento,
evitando a necessidade de compulsar o livro dito sagrado.
O império romano adotou
o cristianismo por conveniência, e suscitou o surgimento de uma igreja mundial
muito distante das concepções originais de um Deus justo e protetor da
humanidade como anunciado por Jesus.
A exploração abusiva da
Igreja Católica Apostólica Romana deu origem a cisão protestante e ao
surgimento de outras igrejas quase sempre alinhadas ao poder econômico e político
das nações.
Por outro lado, as
tradições orientais, tão ou mais antigas do que o Velho Testamento, trazem
doutrinas mais voltadas à espiritualidade, e consequentemente menos
expropriantes, em que pese a penetração da Igreja Católica imposta pelos
romanos em muitos países orientais.
A evolução dos
conhecimentos científicos aliada aos intensos estudos de documentos antigos e
descobertas arqueológicas dos últimos anos trazem luzes que ajudam interpretar
os textos antigos com mais segurança, permitindo um melhor entendimento da
natureza e da vida na terra.
Propugnamos por
conceitos racionais para viver melhor, e até onde for possível, melhor entender
de onde viemos, o que fazemos aqui, e para onde vamos após a morte, crença
adotada por muitas doutrinas e que intriga a imaginação popular.
O que é Deus, e quais
as consequências decorrentes de sua ação na sociedade humana? O que é, de fato,
Religião, Doutrina e Igreja, e como elas afetam a vida em sociedade no planeta?
O que é verdade comprovada cientificamente, e o que é dedução lógica?
Buscamos explicações
racionais que esclareçam as pessoas e façam cessar o abuso praticado por
instituições que sequestraram Deus, na acepção da palavra, e aplicam o
verdadeiro “conto do vigário” vendendo o que não lhes pertence e cobrando caro
pelo conforto psicológico de misericórdia e proteção divina necessária aos
homens.
Usamos as explicações
cientificas aplicáveis, e onde nos impede a falta de conhecimentos, nos
socorremos nas reflexões que os mais acatados filósofos e pensadores nos
legaram.
Não pretendemos ir além
do que permite os fatos e interpretações conhecidas, muito menos defender essa
ou aquela doutrina; mas apenas provocar a reflexão dos leitores.
“Conhecereis a verdade
e, a verdade vos libertará” da exploração a que está sujeita grande parte da
humanidade.
Vicente Graceffi
A BÍBLIA
Os livros
da Bíblia Sagrada foram inicialmente escritos e copiados à mão em rolos de
papiro. Nenhum original sobreviveu. A idade da composição original dos textos
é, portanto, difícil de determinar e muito debatida.
Usando
uma abordagem linguística e historiográfica combinada, Hendel e Joosten
(eruditos da Bíblia Hebraica) datam as partes mais antigas da Bíblia hebraica (o
“Cântico de Débora” em juízes 5, e a história de Sansão de Juízes 16 e 1
Samuel) como tendo sido compostas no início da Idade do Ferro pré-monárquica
(1200 a.C.).
Os
Manuscritos do Mar Morto, descobertos nas cavernas de Qumran em 1947, são
cópias que podem ser datadas entre 250 a.C. e 100 d.C. São as cópias mais
antigas existentes dos livros da Bíblia Hebraica de qualquer tamanho que não
sejam simplesmente fragmentos.
Os
primeiros manuscritos provavelmente foram feitos em paleo-hebraico, uma espécie
de pictograma cuneiforme semelhante a outros pictogramas do mesmo período. O exílio
dos judeus para a Babilônia provavelmente levou à mudança de escrita para o aramaico
nos séculos V a III a.C.
Desde a
época dos pergaminhos do Mar Morto, a Bíblia hebraica era escrita com espaços
entre as palavras para ajudar na leitura. Por volta do século VIII d.C., os
massoretas (escribas judeus) acrescentaram sinais vocálicos.
Os
Levitas ou escribas mantiveram os textos, sendo que alguns sempre foram
tratados como mais oficiais do que outros, e preservavam e alteravam os textos,
alterando a escrita e atualizando as formas arcaicas ao mesmo tempo em que
faziam correções. Esses textos hebraicos foram copiados com muito cuidado.
Considerados
como escrituras (textos religiosos sagrados e oficiais), os livros foram
compilados por diferentes comunidades religiosas em vários cânones bíblicos (coleções
oficiais de escrituras). A
compilação mais antiga, contendo os primeiros cinco livros da Bíblia chamados
de Torá (que significa "lei", "instrução" ou
"ensino") ou Pentateuco ("cinco livros"), foi aceita como
cânone judaico pelo século V a.C. Uma segunda coleção de histórias narrativas e
profecias, chamada “profetas", foi canonizada no século III a.C. Uma
terceira coleção chamada ("escritos"), contendo salmos, provérbios e
histórias narrativas, foi canonizada em algum momento entre o século II a.C. e
o século II d.C. Essas três coleções foram escritas principalmente em hebraico
bíblico, com algumas partes em aramaico, que juntas formam a Bíblia Hebraica ou
"TaNaKh" (uma abreviação de "Torá", "Nevi'im" e
"Ketuvim").
Existem
três versões históricas principais da Bíblia hebraica: a Septuaginta, o Texto
Massetérico e o Pentateuco Samaritano (que contém apenas os cinco primeiros
livros). Elas estão relacionadas, mas não compartilham os mesmos caminhos de
desenvolvimento. A Septuaginta, ou LXX, é uma tradução das escrituras
hebraicas, e alguns textos relacionados, para o grego comum, iniciada em
Alexandria no final do século III a.C. e concluída em 132 a.C. (fonte:
Wikipédia)
Como referência, incluímos a seguir, parte do estudo editado pela
Sociedade Bíblica do Brasil, “História do Texto da
Septuaginta” In: Septuaginta, Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), 2011, p. LXXX.
“Enquanto o cânon do Novo Testamento coincide na maioria das
Igrejas cristãs, o mesmo não ocorre com relação ao Antigo Testamento. Essa
questão está relacionada com a Septuaginta, uma tradução das Escrituras
hebraicas para o grego, realizada antes de Cristo.
A tradução começou a ser realizada por judeus em Alexandria sob
Ptolomeu II, conforme o historiador Filadelfo (c. 285-246/7 a.C.), sendo nessa
época traduzido o Pentateuco. Essa Versão é denominada LXX (70 em algarismos
romanos), ou “Septuaginta” pois teria sido elaborada por setenta (ou setenta e
dois) eruditos judeus.
Ao Pentateuco, “foram acrescentados os demais livros, cuja tradução
foi feita por um grande número de pessoas diferentes [...] por volta do final
do século II a.C. todo o Antigo Testamento, pelo menos o seu conteúdo principal
havia sido traduzido ao grego”.
Na Wikipedia encontramos o seguinte:
“Por volta de 405 d.C., o Papa Inocêncio enviou uma lista de livros
sagrados ao bispo Exupério de Toulouse. Os estudiosos cristãos afirmam que,
quando bispos e concílios tratavam do tema, eles não estavam tratando de algo
novo e sim "ratificando o que já havia se tornado o pensamento da Igreja"
Assim, a
partir do século IV emergiu um consenso no ocidente cristão sobre o cânone do
Novo Testamento (como é hoje) e, no século V, que com umas poucas exceções,
passou a aceitar o Apocalipse, harmonizando o reconhecimento do cânone.
Quanto ao Antigo Testamento, apesar de haver um consenso sobre
vários livros a partir do século IV, não houve para toda a Igreja Ocidental um
concílio que determinasse explicitamente um cânone até o Concílio de Florença,
em 1442. Assim, durante a Idade Média várias versões da Vulgata circulavam e
eram aceitas pela Igreja Católica.
Era comum encontrar os livros de Esdras, Oração de Manassés, a
Oração de Salomão, III Macabeus no Antigo Testamento; a harmonia dos evangelhos
de Taciano (o Diatessaron) e a Epístola aos Laodiscenses no Novo Testamento.
Na célebre edição da vulgata publicada por Gutemberg em 1455 contém
a Oração de Manassés após os Livros das Crônicas, 3 e 4 Esdras segue 2 Esdras
(Neemias) e a Oração de Salomão segue o Eclesiástico.
Na primeira bíblia acadêmica impressa, a Bíblia Poliglota
Complutene (1517), o Cardeal Ximénes e outros editores publicaram o cânon da
Septuaginta igual ao cânone da Bíblia Hebraica, sob a rubrica “Tradução Grega
da LXX”, e aos livros sem um texto hebraico (os deuterocanônicos), foram
aplicado uma rubrica diferente, "Tradução Grega", sem especificar
como parte da Septuaginta.
Nesse contexto, a inclusão dos livros de Tobias, Judite, 3 e 4
Esdras, do Salmo 151, Sabedoria de Siraque, Oração de Manassés, Oração de
Salomão, 1 e 2 Macabeus, dentre outros, eram debatidos entre eruditos e
teólogos católicos. Os maiores biblistas católicos da época, Joachim Reuchlin,
Cardeal Caetano, Erasmo e Sancte Pagnino eram a favor de um cânon menor que
excluíam esses livros como desprovidos de autoridade”.
Vistos esses fatos, a bíblia que hoje temos é uma versão adaptada e
consagrada aos interesses do rabinato e do papado durante 15 séculos.
Usamos, para este estudo, a tradução para o português de João
Ferreira de Almeida, tida como a melhor versão em nosso idioma, que usou como base a versão em latim de Teodoro de Beza.
O Velho Testamento é formado
por 39 livros, divididos em cinco grupos, como veremos a seguir.
- Pentateuco:
Os 5 livros da Torá – lei judaica: Gênese; Êxodo, Levítico;
Números; Deuteronômio.
-
Livros Históricos:
Os
livros da história de Israel desde a conquista da Terra Prometida até a época
de Jesus: Josué; Juízes, Rute, Samuel 1e 2; Reis 1 e 2; Crônicas 1 e 2; Esdras;
Neemias; e Ester.
Livros
Poéticos e Sapienciais:
Os
textos escritos em linguagem poética, carregados de metáforas e ensinamentos: Jó;
Salmos; Provérbios; Eclesiastes; Cânticos.
Livros
dos Profetas "maiores":
livros proféticos do Antigo Testamento:
Isaías; Jeremias; Lamentações; Ezequiel; Daniel.
Livros dos Profetas “Menores”:
Os: livros proféticos menos extensos: Oseias; Joel;
Amós; Obadias; Jonas; Miqueias; Naum; Habacuque; Sofonias; Ageu; Zacarias; e
Malaquias.
Livros deuterocanônicos
Além dos 39 livros chamados protocanônicos, as igrejas católicas
romana e ortodoxa consideram outros
sete livros como parte do conjunto do Antigo
Testamento. No século XVI, esses livros receberam a denominação de "deuterocanônicos". São eles: Tobias; Judite; Macabeus 1 e 2; Sabedoria;
Eclesiástico; e Baruque. Esses livros estão na tradução grega do Antigo
Testamento que data do ano 1 a.C. chamada Septuaginta. Para os
protestantes, são considerados livros "apócrifos".
Deus no Velho Testamento
Convém destacar que os inúmeros milagres relatados no Velho
Testamento são, em quase sua totalidade, intervenção direta de Deus em forma de
fenômenos naturais como inundações, erupções vulcânicas, epidemias, doenças e
curas de enfermidades, ou ordens e motivação para o enfrentamento de
dificuldades e guerras. Não há participação humana ativa em nenhum deles.
O Velho Testamento relata inicialmente a criação da Terra (Gênese), a
epopeia do povo hebreu em busca da terra prometida (Êxodo), a organização
sacerdotal (Levítico), a organização social (Números), e a legislação sagrada
(Deuteronômio), que constituem o Pentateuco Mosaico, após o que seguem os
livros históricos, os de sabedoria, e os profetas, até a vinda do profeta Elias
para converter os homens, e evitar a maldição de Deus.
O Pentateuco Mosaico
Supostamente escritos por Moisés, os cinco primeiros livros do Velho
Testamente, a Torá,
ou Pentateuco, contém a Doutrina do Judaísmo, ou Doutrina Mosaica. Determina o
comportamento religioso e social do povo hebreu, e apresenta claramente que
Deus é para os Hebreus um Deus só deles, impiedoso para os demais povos.
Deus é, desde Abraão, uma presença constante em
todas as ações, expiações, e comandos dados ao povo Hebreu que se acredita como
o “povo escolhido”, com mandato divino para invadir, destruir e matar os outros
povos que a ele se opõe, sempre através de sinais da natureza, ou instruções
através de um patriarca, profeta ou um anjo.
Gênese
O primeiro Livro do
Velho Testamento é o mais notável e conhecido documento sobre a criação da
Terra e de tudo que nela vive, culminando com a criação do homem e sua geração
até Abrão, o patriarca do povo Hebreu, e sua migração para o Egito.
- A criação da Terra
A narrativa da criação
da Terra por Deus, considerada o centro
do Universo, escrita há mais de 3.000 anos, possui surpreendente
paralelo com os pressupostos científicos atuais como veremos mais adiante, o
que nos leva a crer que o autor possuía conhecimentos incomuns às criaturas
daquele tempo.
“No princípio criou Deus os Céus e a Terra. E a Terra era sem forma e
vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o espírito de Deus se movia sobre
a face das águas.”
“Haja luz”, teria dito Deus, e
a luz se fez! “E Deus chamou a
luz Dia, a as Trevas chamou noite”.
“E disse Deus: Haja uma
expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas. E fez Deus a
expansão; se fez a separação entre as águas que estavam abaixo da expansão, e
as águas que estavam sobre a expansão. E chamou Deus, a expansão Céus”.
“E disse Deus, ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça
a porção seca. E chamou Deus à porção seca: Terra, e ao ajuntamento das águas,
chamou: Mares.”
- O surgimento da vida na Terra
Depois de separar as terras secas
dos mares, rio segundo dia “disse Deus: Produza a
terra, erva verde, erva que dê semente, arvore frutífera que dê fruto segundo
sua espécie, cuja semente esteja nela sobre a terra”.
Mais adiante: “Disse Deus, produzam as águas abundantemente répteis de
alma vivente; e voem as aves sobre a face da expansão dos céus”. “E Deus os
abençoou dizendo: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei de peixes as águas dos
mares, e as aves se multipliquem na terra”. “Disse Deus: Produza a terra alma
vivente conforme sua espécie; gado e répteis, e bestas feras da terra conforme
sua espécie”.
- A criação dos Homens
E, finalmente, Deus
criou o homem:
“Façamos o homem à
nossa imagem, conforme nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e
sobre as aves dos céus, e sobre o gado; e sobre toda a terra, e sobre todo o
réptil que se move sobre a terra”. “E criou Deus o homem a sua imagem; à imagem
de Deus o criou; macho e fêmea os criou”. “E formou o Senhor Deus o homem do pó
da terra, e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma
vivente.”
Pelos relatos bíblicos,
Deus criou o primeiro casal humano à sua imagem, Adão e Eva, cujos descendentes
povoaram a terra. Essa afirmação dá origem à teoria do “Criacionismo”.
Desde a criação do gênero humano, a interferência
de Deus na existência dos judeus é constante. Inicialmente dialoga com Adão,
treze gerações mais tarde, com Noé, nove gerações após o Dilúvio, reaparece a
Abrão, muda seu nome para Abraão, e se faz representar por anjos ao anunciar a
gravides de Sara, já na velhice.
De Sara nasce Isaque, que Deus mandou Abraão
sacrificar para testar sua fé. Tendo Deus confirmado a fé de Abrão, Deus
suspende o sacrifício. O próximo a dialogar com Deus foi Isaque, quando buscava
água nos poços no vale do Gerar.
Isaque se casou com Rebeca, que deu à luz aos
gêmeos Jacó e Esaú. Esaú nasceu primeiro, mas o preferido de Rebeca era Jacó, e
ambos iludiram Isaque, que idoso e cego, concedeu a bênção da progenitura a
Jacó.
A disputa entre Jacó e Esaú vinha desde a
gravidez. Rebeca consultou o Senhor, que disse a ela “duas nações estão em teu
ventre, e dois tipos de pessoas serão separadas de tuas entranhas, e um povo
será mais forte do que o outro, e o mais velho servirá ao mais jovem”.
Só muito tempo depois, Deus surgiu a Jacó no sonho
com a escada da terra aos céus em Betel, após que Deus manda Jacó retornar a
terra de seus pais, e também aparece em sonho a Lobão, seu sogro, e o impede de
fazer mal a Jacó por haver fugido de suas terras, roubado seus Deuses e suas
filhas. Note-se que é a primeira vez que a Genesis menciona outros deuses.
No reencontro com seu irmão Esaú, Jacó, temeroso e
angustiado, tratou de proteger sua família e, seus bens, “passa a noite lutando
com um varão em sonho até amanhecer”, quando pede a Deus para ser abençoado. É
então abençoado por Deus, que muda seu nome para Israel, pois lutou como um
príncipe, e prevaleceu. Reconciliado com Esaú, Israel/Jacó segue seu caminho e
se estabelece em Canaã, onde levantou um altar que ofertou ao Deus de Israel.
Mas, seus filhos Simeão e Levi atacaram a cidade
cananeia, mataram todos os homens, saquearam a cidade e, resgataram sua irmã
Diná da casa de Siquém, que a havia desonrado, embora depois ter se casado com
ela, recebendo as bençãos de Jacó. Isso desagradou a Jacó que acusou seus
filhos de o haverem feito “cheirar mal” diante dos cananeus.
Então, disse Deus a Jacó: Levanta-te,
suba a Betel, e habita ali. Jacó ordena aos seus que se desfaçam dos deuses estranhos, se purifiquem
e, mudem de roupas para subirem a Betel, onde faria um altar para o Deus que o
abençoou no dia de sua angústia.
E apareceu Deus outra vez e abençoou-o. Disse
Deus, o teu nome não será mais Jacó, mas Israel será o teu nome. Disse mais: Eu
sou o Deus todo-poderoso; frutifica e multiplica-te. Uma nação e uma multidão
de nações sairão de ti e, reis procederão dos teus lombos. E, te darei a terra
que tenho dado à Abraão e a Isaque e, à tua semente depois de ti.
Embora sem intervir diretamente, Deus está
presente na religiosidade de Jacó/Israel e, no carisma de José, filho de Jacó
que foi vendido como escravo por seus irmãos a uma caravana ismaelita, e por
eles revendidos à Potifar, capitão da guarda do Faraó.
José ganhou a confiança do Faraó e foi feito
Governador do Egito. Mais tarde, abrigou Jacó e toda a sua descendência no
Egito durante um longo período de seca, onde os hebreus se multiplicaram e
somente saíram do Egito 430 anos após, conforme narrado no livro Êxodo.
Êxodo
No Êxodo, Deus volta a se manifestar a Moisés,
descendente da casa de Levi, após ouvir os clamores dos filhos de Israel. ‘Lembrou
então seu concerto com Abraão, Isaque e, Jacó, e atentou para os filhos de Israel.” Deus fala com Moisés no meio da sarça ardente,
dizendo que desceu para livrar o povo hebreu das mãos dos egípcios.
Deus ordena a Moisés: “Vai e ajunta os anciões
de Israel e dize-lhes: O Senhor, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, de
Isaque, de Jacó, me apareceu dizendo: Certamente vos tenho visitado e visto o
que vos é feito no Egito. Far-vos-ei subir da aflição do Egito à terra do cananeu,
do heteu, e do amorreu, e do perizeu, e do heveu, e do jebuseu, uma terra que
mana leite e mel”.
A partir desse momento, Deus comanda por Moisés
todas as ações, desde as sete pragas que envia ao Egito para convencer o faraó
a deixar o povo hebreu ir embora, na superação dos obstáculos da fuga do Egito,
na passagem pelo mar Vermelho, na provisão do maná e da carne, facilita a
obtenção de água das rochas e comanda a construção do tabernáculo.
No terceiro mês da saída do Egito, Deus chamou
Moisés ao Monte Sinai, ordenando que falasse aos hebreus: “Agora,
pois, diligentemente ouvirdes a minha voz, e se guardardes o meu concerto,
então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos, porque toda a
terra é minha”. E seguiu dando
instruções para que Moisés passasse ao seu povo.
Moisés desceu do monte, chamou os anciões do povo
e expos diante deles todos, as palavras que o Senhor lhe tinha ordenado. Para
maior convencimento, Deus se manifesta do alto do monte para que todos o
ouvissem e, ordena a Moisés que subisse com Arão e os sacerdotes.
Falou Deus todas estas palavras: “Eu
sou o Senhor teu Deus que te tirei da terra do Egito, da casa da escravidão.
Não terás outros deuses diante de mim”, .... e ditou os Dez Mandamentos e as leis da Doutrina Mosaica (Êxodo
20).
“Não terás outros deuses diante de mim ...E faço
misericórdia em milhares, aos que me amam e guardam os meus mandamentos”;
“Não
fará para ti imagens ... não te curvarás a elas ...
“Não
tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão ...
“Lembra-te
do dia de sábado para santifica ...
“Honra
teu pai e a tua mãe ...
“Não
matarás ...
“Não
adulterarás ...
“Não
furtarás ...
“Não
dirás falso testemunho ...
“Não
cobiçaras a casa de teu próximo ...
Deus determina o ritual dos sacrifícios e
cerimonias da consagração, escolhe Arão e seus filhos para sacerdotes e, manda
o povo trazer ofertas. Também deu a Moisés, quando acabou de falar, as duas
tábuas do testemunho, tábuas de pedra escritas pelo dedo de Deus e disse:
“Vai, desce porque o povo que fizeste subir do Egito se corrompeu ... agora
deixa que meu furor se acenda contra eles e os consuma; e eu farei de ti uma
grande nação”.
Moisés implora à Deus que não extermine o seu
povo, mas ao descer do monte, encontra o povo adorando o bezerro de ouro, o que
acende seu furor. Arremessa as tábuas esculpidas por Deus, quebrando-as ao pé
do monte. Manda então os filhos de Levi percorrer o arraial de porta em porta e
matar todos os idólatras do bezerro.
Então disse Deus a Moisés: “Vai,
sobe daqui tu e o povo que fizeste subir da terra do Egito, à terra que jurei a
Abraão, a Isaque e, a Jacó. E, enviarei um anjo diante de ti, e lançarei fora
os cananeus, os amorreus, os heteus e, os jebuseus”.
Moises recebe novas tábuas com os mandamentos e,
muitas outras instruções pertinentes á práticas, sacrifício de animais e,
ofertas religiosas.
Levítico
Deus dá à Moisés instruções para as práticas
religiosas: o que comer e, o que não comer, festas solenes, a santificação dos
sábados, a Páscoa, as primícias, o ano sabático, o ano do jubileu, renovando
mandamentos, promessas e ameaças.
Destaca-se no Levítico, a mística do tabernáculo,
o sacrifício de animais para purificar os homens de seus pecados e, a
importância do dízimo e, os privilégios dos sacerdotes. Os animais mais puros
seriam oferecidos à Deus para livrar os homens de seus pecados, criando a
figura do “carneiro de Deus”, ou “bode expiatório”, nos dias de hoje.
Na prática, essas oferendas eram entregues a Levi
e seus descendentes, nomeados como “sacerdotes’ dos Hebreus.
Deus também determina que os sacerdotes “não
terão parte nem herança em Israel, sendo o Senhor a sua herança”, mas ao mesmo tempo diz: “aquele
que pecar deverá confessar e restituir à pessoa que ofendeu, a valor de seu
pecado (atribuído pelo sacerdote), acrescido de um quinto. Se não houver a quem
restituir, então o valor será do sacerdote, além do carneiro da expiação”. Podemos entender que não produzirão nem acumularão
riquezas, mas obterão o seu sustento das atividades sacerdotais.
Números
Deus ordena a Moisés: “Tomai a soma de toda a
congregação dos filhos de Israel” ...Assim, foram contados os filhos de Israel, segundo a casa de seus
pais, e os de vinte anos para cima, todos os que podiam sair à guerra. Ao todo,
603.550 homens.
Os Levitas não foram contados pois o Senhor tinha
falado à Moisés: “Somente não contarás a tribo de Levi, mas põe tu
os Levitas sobre o tabernáculo do testemunho, e sobre todos os seus vasos, e
sobre tudo o que lhes pertence; eles levarão o tabernáculo e todos os seus
vasos e, administrarão e assentarão o seu arraial ao redor do tabernáculo”.
Deus também determinou a ordem das tribos no
acampamento, conforme suas lideranças e bandeiras, ficando os Levitas no meio,
para a proteção do tabernáculo. Os levitas então foram contados e receberam
incumbências designadas por Deus no que concerne aos cuidados e ofícios
religiosos.
Deus manda lançar fora do arraial todos os
leprosos e enfermos. Falou que aquele que pecar deverá confessar e restituir à
pessoa que ofendeu, a valor de seu pecado (atribuído pelo sacerdote), acrescido
de um quinto. Se não houver a quem restituir, então o valor será do sacerdote,
além do carneiro da expiação. Instruiu como tratar casos de desconfiança de
adultério. ciúmes, separações e, das doações aos Levitas.
São muitas as dificuldades que os hebreus
enfrentaram no deserto, sempre socorridos e comandados por Deus através de
Moisés, até que no ano segundo partiram do Sinai. No caminho para a terra
prometida, Deus “deu os cananeus”, que foram destruídos totalmente, eles e suas
cidades.
Havendo dissidentes entre eles, Deus enviou
serpentes ardentes que os matou.
Assistidos por Deus, lutaram contra os ribeirinhos de Arnom, derrotaram
e tomaram as terras dos amorreus no Sion.
Deus manda atacar os moabitas e destruir suas
cidades. Mataram todos os varões, porém levaram cativas as crianças e as
mulheres. Indignado, Moisés manda matar todos os varões entre as crianças, e
todas as mulheres que já tivessem conhecido homem. No confronto com os
moabitas, são tentados pelas mulheres e, por isso recebem sério castigo de
Deus: uma praga que matou vinte e quatro mil filhos de Israel.
E falou o Senhor a Moisés, nas campinas dos
moabitas, junto ao Jordão de Jericó: “Fala aos filhos de Israel que, quando passarem o
Jordão para a terra de Canaã, lançareis fora todos os moradores da terra diante
de vós, destruireis todas as suas figuras e imagens de fundição e, desfaseis
todos os seus altares”. “E tomareis a terra em possessão e, nela habitareis,
pois porquanto vos tenho dado esta terra para possui-la”.
Deus também definiu como as terras seriam
divididas entre as famílias, ordenou que os casamentos fossem na tribo de seus
pais, para que não perdessem as heranças.
Deuteronômio
Sucedeu que, no ano quadragésimo, no mês undécimo,
no primeiro dia do mês, Moises falou aos filhos de Israel, conforme tudo o que
o Senhor lhe mandara, acerca deles. Repete os Dez Mandamentos e demais
recomendações vindas de Deus, exortando a obediência.
Ainda segundo Moisés, Deus define os deveres dos
Juízes, dos Reis e dos Sacerdotes levitas e toda a tribo de Levi, que não terão
parte nem herança em Israel, sendo o Senhor a sua herança. Afirma que Deus
estará com eles nas guerras quando deverão ser eliminados todos os varões,
salvo as mulheres e as crianças e, os animais e tudo o que houver nas cidades
conquistadas, tomando para si todo o despojo. Porém, nas cidades que Deus lhes
deu (heteus, amorreus, cananeus, periseus, heveus e. jebuseus) nenhuma coisa
que tem folego deixarás com vida.
Enfim, o Deuteronômio resume as leis e
procedimentos da Doutrina Judaica.
Moisés nomeia Josué para entrar com o povo na
terra prometida, informando que não poderá cruzar o Jordão. Deus passará à
frente e destruirá as nações diante do povo e, Josué passará com eles para que
possam herdar o que o Senhor jurou aos seus pais. Deus dá a Josué o encargo do
povo e anuncia a morte de Moisés (1271 a. C.).
Demais Livros
Após o Pentateuco, e a
partir do Livro de Josué temos 34 livros que narram a sequência de patriarcas e
reis, profetas e salmos, relatando fatos históricos e religiosos, até o ano 433
a. C., sendo constante os diálogos dos líderes e profetas judaicos com Deus, e
sua interferência direta nas lutas de conquista e preservação da Terra
Prometida, o que não detalhamos por não revelar mudanças significativas do modo
de vida, e do relacionamento de Deus com o povo hebreu.
O último capítulo do
último livro do Velho Testamento – Malaquias, Capítulo 4, 433 a.C. contém uma
importante afirmação de Deus sobre o futuro de Israel:
“4.4 – Lembrai-vos da lei de Moisés, meu servo, a qual lhe
mandei em Horebe para todo o Israel, e que são os estatutos e juízos”.
“4.5 – Eis que eu vos envio o Profeta Elias, antes que
venha o dia grande e terrível do Senhor”;
“4.6. – E converterá o coração dos pais aos filhos, e o
coração dos filhos aos pais, para que eu não venha e fira a terra com
maldição”.
Período Intertestamentário
Passaram-se aproximadamente quatrocentos anos entre a época de
Neemias (quando o livro de Malaquias foi escrito) e o nascimento de Cristo
(aproximadamente 550/433 a.C.), sendo esse tempo denominado como o Período
Intertestamentário (ou “entre os testamentos”), não havendo registro de nenhuma
palavra de Deus durante esse período.
Todavia, a cultura mundial, e consequentemente da Palestina mudaram
significativamente. Israel ficou sob controle do Império Persa entre 532-332
a.C., os últimos 100 anos do Antigo Testamento e os próximos 100 anos do
período intertestamentário, porém com liberdade religiosa, período no qual a
nação judaica é mais uma igreja do que um Estado.
Em fins do ano 331 a.C., Alexandre o Grande derrotou Dário II da
Pérsia, dando início ao reinado grego no mundo. Discípulo de Aristóteles,
Alexandre exigiu que a cultura grega fosse promovida em todo território conquistado.
Como resultado, o Antigo Testamento hebraico foi traduzido ao grego,
tornando-se a tradução conhecida como a Septuaginta, e apesar da liberdade
religiosa, Alexandre adotava a cultura grega, o que contrastava com a cultura
judaica por ser muito humanística e mundana.
Depois que Alexandre morreu, a Judeia foi reinada por uma série de
sucessores, culminando com Antíoco Epifânio, que em 167 a.C., aboliu a linha do
sacerdócio e profanou o templo com animais impuros e um altar pagão (veja
Marcos 13:14). Em 63 A.C., Pompeu conquistou a Palestina, colocando toda Judeia
sob o controle de César, que permitiu a Herodes reinar na Judeia.
Durante o período de ocupação grega e romana, três grupos políticos
e religiosos bastante importantes passaram a existir: Os Fariseus, que seguem a
religião excessivamente apegados às formalidades, que fingem ser honestos e caridosos,
mas falsos e mentirosos, adicionam suas próprias leis como sendo mais
importantes (veja Marcos 7:1-23). Os Saduceus, um partido religioso e
aristocrático formado principalmente por famílias sacerdotais; e os Essênios,
que seguiam rigidamente o Torá, passaram a viver em colônias separadas,
buscando maior isolamento.
DEUS NO NOVO TESTAMENTO
Novo Testamento é a coleção dos livros que compõe
a segunda parte da Bíblia cobrindo o período cristão, definidos pela Igreja
Católica. O cânon do Novo Testamento começou a ser
definido por volta de 150 d.C. durante controvérsias, e aparece documentado
pela primeira vez na forma atual em 367 d.C., em uma carta de Atanásio, bispo
de Alexandria.
O ’Terceiro Sínodo de Cartago, em 397, ratificou o cânon já
aceito previamente no “Sínodo de Hipona Regia”, realizado em 393, em Hipona,
onde hoje é a Argélia. Narra praticamente a história e as pregações de Jesus, desde a concepção
por Maria, até a crucificação, porém nada contando sobre o período dos seus 12
aos 30 anos.
Em quase
todas as tradições cristãs atuais o Novo Testamento consiste de 27 livros.
Fazem parte dessa coleção de textos as 13 cartas do Apóstolo Paulo (maior parte
da obra), os Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas, e João, (narrativas da vida,
ensino, morte e ressurreição de Jesus Cristo, conhecidos como os Quatro
Evangelhos), Atos dos Apóstolos (narrativa do ministério dos Apóstolos e da
história da Igreja cristã primitiva), epístola aos Hebreus, além das epistolas
de Tiago, 1 e 2 de Pedro, 1, 2, e 3 de João, Judas e Apocalipse de João, todos escritos entre 50 e 80 anos após a crucificação. A palavra
“Evangelho” significa “Boa Nova”” em razão de anunciar a vinda da Salvador.
Deus pouco se manifesta no Novo Testamento. Envia o anjo para afirmar a
paternidade de Jesus, manifesta-se em forma de uma pomba no batismo de Jesus
por João Batista, e diz: “Este é meu filho amado, em quem me comprazo”, (Mateus 4.17).
Após o batismo, aos 30 anos, Jesus inicia sua pregação. Embora tenha
afirmado: “Não cuides que
vim destruir a lei ou os profetas, não vim ab-rogar, mas cumprir”, apresentando Deus como um pai amoroso para toda a humanidade, e pregando
a igualdade de todos os homens, no Sermão da Montanha (Mateus 5.) apresenta os fundamentos da Doutrina Cristã.
Para Jesus, só existe
um Deus, como afirmou à Madalena no encontro após a ressureição: “eu ainda não subi para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (João 20:17)
No evangelho de João,
destaca-se a natureza de Deus, no capítulo 4 V. 24: Deus é
Espírito, e importa os que o adoram em espírito e verdade
Paulo deixou explícito o conceito de Deus único na 1ª
epistola aos Coríntios, 8.6: “Para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo, e para quem
vivemos”
Os Quatro Evangelhos
Nos baseamos no
Evangelho de Mateus, aparentemente o mais antigo, e que serviu de base para os
demais. Inicialmente descreve a genealogia de Jesus, da família de Davi, descendente
de Abraão até José, seu pai, apesar do dogma do nascimento sem o pecado
original, sendo Maria virgem, e sua gravidez obra de Deus!
Na sequência, Mateus
narra a visita dos Reis do Oriente, (o que só se encontra no seu evangelho), e
tendo eles se retirados, eis que o anjo do
Senhor apareceu a José em sonho, dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua
mãe, e foge para o Egito, e demora-te lá até que eu te diga, porque Herodes há
de procurar o menino para matá-lo. E, levantando-se ele, tomou o menino e sua
mãe, de noite, e foi para o Egito.
E manteve-se lá até que
o anjo do Senhor apareceu num sonho a José dizendo: “Levanta-te e toma o menino e sua mãe, e vá para a terra de
Israel”.
Avisado em sonho que Arquelau, filho de Herodes, reinava na Judéia, José levou
a família para a Galileia, e habitou numa cidade chamada Nazaré.
Jesus foi batizado aos
30 anos, nas águias do rio Jordão, por seu primo João Batista que anunciara aos
judeus sua vinda, e que os batizaria com o Espírito Santo e com fogo. “E sendo Jesus batizado, saindo logo da água se lhe abriram
os céus, viu o espírito de Deus descendo como uma pomba vindo sobre ele. E uma voz dos céus
dizia: Este é o meu filho amado, em quem me
comprazo”.
Então Jesus foi
conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo diabo que lhe ofereceu
poder e gloria nos reinos da Terra se o reverenciasse, mas Jesus respondeu com
o primeiro mandamento das leis de Deus: “Ao senhor
teu Deus adorarás e somente a ele servirás”. O diabo o deixou, e os anjos o
salvaram.
Jesus deixou Nazaré e
foi habitar em Cafarnaum, como previsto pelo profeta Isaias, e desde então
começou a pregar e a dizer: “Arrependei-vos, porque
é chegado o reino dos céus”!
Vendo dois irmãos
pescadores Pedro e André, disse: “Vinde após mim, e vos
farei pescadores de homens. Então eles, deixando as redes, o seguiram. E, adiantando-se dali, viu outros dois irmãos: Tiago e
João, num barco com seu pai, Zebedeu, consertando as redes, e chamou-os. Eles
deixando o barco, seguiram-no. Jesus percorreu toda a Galileia, ensinando nas
sinagogas, pregando e curando o povo das suas enfermidades.
“E, seguia-o uma grande multidão da Galileia, de Decápolis,
de Jerusalém, da Judeia e de além do Jordão. Vendo a multidão, subiu a um
monte, e assentando-se aproximaram-se dele os seus discípulos”, e ele se pôs a
ensiná-los ...Segue-se
o Sermão da Montanha, que sintetiza toda a doutrina cristã. (Vide texto
completo no item “Cristianismo”). E aconteceu que
concluindo Jesus este discurso, a multidão se admirou de sua doutrina”.
Provocado pelos
fariseus: “Mestre, qual é o grande mandamento da
lei”? ... “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua
alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E, o
segundo, semelhante a este é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois
mandamentos depende toda lei e os profetas”.
Destaca-se ainda a afirmação em Mateus 7.15-16:” Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas
que veem até vós como vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos
devoradores”. “Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos
espinheiros, ou figos dos abrolhos?”
Existem muitas outras
narrativas de fatos e ensinamentos através de parábolas que complementam a
doutrina exposta no sermão da montanha, e que conquistou muitos adeptos até
mesmo após a crucificação de Jesus pelos romanos, expandindo-se em Roma e, uma
vez incorporada como religião do império, propagou-se nas demais culturas
ocidentais.
Note-se que foi
condenado por afirmar ser filho de Deus com base no salmo 82, mas nunca avocou
a deidade, pelo contrário, estendeu a paternidade divina à toda a humanidade,
bastando que para isso o amassem, e tivessem fé.
Jesus sabia desde o início, que muitas de suas
lições seriam esquecidas ou deturpadas pelos homens com o tempo; sabia também
que só com a visão ampliada por novos conhecimentos poderiam os homens entender
o verdadeiro sentido da vida.
Por isso, conforme João 14:15 a 17, Jesus
dirigiu-se aos apóstolos e disse: Se me amardes, e eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará um outro Consolador,
para que fique convosco para sempre. O Espírito da Verdade, que o mundo não
pode receber, porque não o vê; nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque
habita convosco, estará em vós.
Os evangelhos de Marcos
e Lucas repetem, com algumas pequenas particularidades, o mesmo conteúdo
doutrinário.
Jesus ilustra seus
ensinamentos através 47 parábolas narradas nos evangelhos, histórias baseadas
em situações e fatos da vida comum facilitando o entendimento de todos.
Os evangelhos também
narram 35 “milagres’ de Jesus, a grande maioria de curas de enfermidades que
ele mesmo atribuía como pela fé em Deus. Afirmou que o que ele fazia, seus
discípulos, e até mesmo todas as criaturas também poderiam fazer, bastando ter
fé do tamanho de um grão de mostarda.
Os Atos dos Apóstolos
O livro Atos dos
Apóstolos foi escrito por Lucas, que não conheceu Jesus, mas obteve informações
de Maria e João e dos demais apóstolos, e relata a história das três primeiras
décadas do Cristianismo, e principalmente os atos de Paulo.
Os principais fatos
narrados no Atos dos Apóstolos são: o reaparecimento de Jesus após a crucificação,
quando ele anunciou o batismo pelo Espírito Santo, e subiu aos céus, o
Pentecostes, a escolha de Matias como décimo-segundo apóstolo no lugar de Judas,
a comunidade de bens entre os primeiros cristãos, a prisão de Pedro e João pelo
Sinédrio e sua misteriosa libertação, a instituição dos diáconos, a condenação
e morte de Estevão, a conversão de Paulo, pregações e milagres dos apóstolos em
diversas localidades formando as primeiras igrejas, as viagens de Paulo e Pedro,
a prisão de Paulo, e a acidentada viagem para Roma, onde chega sob custódia
militar, e suas pregações em Roma.
É a história dos
primeiros cristãos, de vitórias e derrotas, coragem e sacrifício decorrentes dos
choques entre a religião cristã e as culturas hebraica e greco-romana, que
culminou com a propagação do cristianismo ao redor do mundo.
As Epístolas
As epistolas foram
meios de comunicação entre os apóstolos e as comunidades cristãs distantes. Paulo
escreveu aos Romanos, Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, Tessalonicenses,
Timóteo, Tito, Filemon, e aos Hebreus. Além dessas, Pedro escreveu duas
epístolas, João escreveu três, uma de Tiago, e uma de S. Judas.
As epístolas contêm
muitas informações sobre os ensinamentos de Jesus, testemunhos e recomendações
dos apóstolos aos que se iniciavam na doutrina cristã, principalmente quanto a liderança
das igrejas que se formavam distante de Jerusalém, e dos olhos dos apóstolos.
Convém notar a influência do judaísmo ainda presente entre eles,
O Apocalipse
O Apocalipse foi o
último texto canônico atribuído aos discípulos de Jesus, tido como revelações
de Jesus à João, relatando visões e profecias sobre o presente e o futuro das
igrejas e da humanidade, os últimos tempos, e o juízo final, incluindo ainda revelações
sobre a volta de Jesus e a eternidade no Céu. É, certamente, livro mais
enigmático e místico do Novo Testamento, escrito por João na Ilha de Pátmos, na
Grécia, onde se encontrava recluso com Maria.
Faço a seguir um
excerto na expectativa de facilitar a leitura dos que ainda não leram suas páginas,
onde se pode constatar a influência de Deus do Judaísmo, apesar do
relacionamento com Jesus.
Encontra-se no capítulo
1, parágrafo 6, a célebre frase – Eu sou o Alfa e o Ômega,
o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, o que era, e que há de vir, o
Todo-poderoso. A
seguir, o Senhor explica a João o significado de sua indumentária: 1:20 - O mistério das sete estrelas, que viste na minha destra, e
dos sete castiçais de ouro. As sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e
os sete castiçais, que viste, são as sete igrejas.
Nos capítulos 2 e 3, escreve
cartas às sete igrejas da Ásia, apontando suas falhas e méritos, alertando
ameaças que enfrentarão. A seguir, no capítulo 4 João é arrebatado em espírito,
e narra: 3- E o que estava
assentado era, na aparência, semelhante à pedra jaspe e sardônica; e o arco
celeste estava ao redor do trono, e parecia semelhante à esmeralda. 4 - E
ao redor do trono havia vinte e quatro tronos; e vi assentados sobre os tronos
vinte e quatro anciãos vestidos de vestes brancas; e tinham sobre suas cabeças
coroas de ouro. João
segue narrando que: do trono saíam
relâmpagos, e trovões, e vozes; e diante do trono ardiam sete lâmpadas de fogo,
as quais são os sete espíritos de Deus. E havia diante do trono um como mar de
vidro, semelhante ao cristal. E no meio do trono, e ao redor do trono, quatro
animais cheios de olhos, por diante e por detrás. E o primeiro
animal era semelhante a um leão, e o segundo animal semelhante a um bezerro, e
tinha o terceiro animal o rosto como de homem, e o quarto animal era semelhante
a uma águia voando. E os quatro animais tinham, cada um de per
si, seis asas, e ao redor, e por dentro, estavam cheios de olhos; e não
descansam nem de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo, é o Senhor
Deus, o Todo-Poderoso, que era, e que é, e que há de vir.
E, quando
os animais davam glória, e honra, e ações de graças ao que estava assentado
sobre o trono, ao que vive para todo o sempre, os vinte e quatro anciãos prostravam-se
diante do que estava assentado sobre o trono, e adoravam o que vive para todo o
sempre; e lançavam as suas coroas diante do trono, dizendo: Digno
és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder; porque tu criaste todas as
coisas, e por tua vontade são e foram criadas.
Daí por diante, João
narra uma série de batalhas entre o Bem e o Mal, representados por anjos e
bestas a partir da revelação do Livro da Vida, a proteção das doze tribos de
Israel, e os castigos impostos aos homens por sete anjos que destroem 1/3 da terra,
1/3 do mar, 1/3 dos rios, 1/3 do sol, da lua e das estrelas, e a praga dos
gafanhotos que extermina 1/3 da humanidade. Uma intensa batalha entre os Santos
e a Besta representada por um dragão de 10 cabeças e sete chifre, cujo número é
666.
João vê então o
Cordeiro com 144.000 que traziam sua marca por não haverem sido contaminados com
mulheres, e se conservaram castos, e três anjos que anunciaram o juízo final, a
queda da Babilônia, e o furor de Deus para os que adorarem a besta. Viu então 7
anjos portadores das sete últimas pragas, e três espíritos imundos saídos da
besta e do falso profeta que se reuniram no Armagedon, quando o sétimo anjo promoveu
terremotos e destruição jamais vistos. A grande cidade foi dividida em três
partes, e as cidades das nações se desmoronaram. Deus lembrou-se da grande
Babilônia e lhe deu o cálice do vinho do furor da sua ira. Todas as ilhas
fugiram, e as montanhas desapareceram.
Caíram sobre os homens,
vindas do céu, enormes pedras de granizo, de cerca de trinta e cinco quilos
cada; eles blasfemaram contra Deus por causa do granizo, pois a praga fora
terrível. Aleluia, Rei dos Reis, a besta foi presa, o falso profeta foi lançado
ao fogo, e os demais mortos pela espada. Babilônia representada por uma mulher
é considerada a grande mãe da prostituição que reina sobre multidões e línguas,
mas será destruída pela besta. E um anjo bradou: Caiu a Babilônia”, e todas as
riquezas serão destruídas. Depois disso João ouviu: Aleluia! A salvação, a glória e o poder pertencem ao
nosso Deus!
E o anjo me disse:
"Escreva: Felizes os convidados para o banquete do casamento do
Cordeiro!" E acrescentou: "Estas são as palavras verdadeiras de
Deus". Então caí aos seus pés para adorá-lo, mas ele me disse: "Não
faça isso! Sou servo como você e como os seus irmãos que se mantêm fiéis ao
testemunho de Jesus. Adore a Deus! O testemunho de Jesus é o espírito de
profecia".
João então viu um anjo descer
dos céus e prender o Diabo por 1.000 anos, e viu as almas do que foram executados
por serem fiéis a Jesus e a palavra de Deus. Eles
ressuscitaram e reinaram com Cristo durante mil anos. O restante dos mortos não
voltou a viver até se completarem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição. Felizes e santos os que
participam da primeira ressurreição! A segunda morte não tem poder sobre eles;
serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele durante mil anos.
João viu que após 1.000
anos, Satanás liberto arregimentaria grande multidão para cercar os santos, mas
um fogo desceria dos céus e os devorou. O Diabo
foi lançado no lago de fogo que arde com enxofre, onde já haviam sido lançados
a besta e o falso profeta. Eles serão atormentados dia e noite, para todo o
sempre.
A seguir, João tem a visão do juízo final, quando foi aberto, o livro da vida. Os mortos foram julgados de acordo com o que tinham
feito, segundo o que estava registrado nos livros. Então a morte e o Hades
foram lançados no lago de fogo. O lago de fogo é a segunda morte. Aqueles cujos
nomes não foram encontrados no livro da vida foram lançados no lago de fogo.
Então vi novos céus e nova terra, pois o primeiro céu e a
primeira terra tinham passado; e o mar já não existia. Vi a Cidade Santa, a
nova Jerusalém, que descia dos céus, da parte de Deus, preparada como uma noiva
adornada para o seu marido. Ouvi uma forte voz que vinha do trono e dizia:
"Agora o tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais ele viverá.
Eles serão os seus povos; o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. 4Ele
enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem
choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou". Aquele que estava
assentado no trono disse: "Estou fazendo novas todas as coisas!" E
acrescentou: "Escreva isto, pois estas palavras são verdadeiras e dignas
de confiança". Disse-me ainda: "Está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega,
o Princípio e o Fim. A quem tiver sede, darei de beber gratuitamente da fonte
da água da vida.
João segue narrando: O muro da cidade tinha doze portas com o nome das doze tribos
de Israel, e doze fundamentos com os nomes dos doze apóstolos. O muro era feito
de jaspe e a cidade era de ouro puro, semelhante ao vidro puro. Não vi templo
algum na cidade, pois o Senhor Deus todo-poderoso e o Cordeiro são o seu
templo. A cidade não precisa de sol nem de lua para brilharem sobre ela, pois a
glória de Deus a ilumina, e o Cordeiro é a sua candeia. E continua descrevendo
a riquezas dessa terra, ornada com pedras preciosas e joias de rara beleza. Nela jamais entrará algo impuro, nem ninguém que pratique o
que é vergonhoso ou enganoso, mas unicamente aqueles cujos nomes estão escritos
no livro da vida do Cordeiro.
Jesus vem! "Eis que venho em breve! Feliz é aquele que guarda as
palavras da profecia deste livro". Eu sou o Alfa e o
Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim. "Felizes os que lavam
as suas vestes, e assim têm direito à árvore da vida e podem entrar na cidade
pelas portas. Fora ficam os cães, os que praticam feitiçaria, os que cometem
imoralidades sexuais, os assassinos, os idólatras e todos os que amam e
praticam a mentira. "Eu, Jesus, enviei o meu anjo para dar a vocês este
testemunho concernente às igrejas. Aquele que dá testemunho destas coisas diz:
"Sim, venho em breve! "Amém. Vem, Senhor Jesus! A graça do Senhor
Jesus seja com todos. Amém.
CONTESTAÇÕES DA BÍBLIA
Há uma grande
quantidade de contestações sobre a veracidade de informações históricas e
dogmas inaceitáveis, entre os quais selecionamos ao que mais interessam ao
nosso estudo.
Contestações Quanto ao Velho Testamento
Arnold Toynbee no livro “A Humanidade
e a Mãe Terra”, editado em 1970, afirma: “Acredita-se
que os mais antigos componentes dessa literatura tenham sido registrados por
escrito no século X a. C. A coleção de obras da literatura judaica é, de longe, a mais famosa de nossas fontes da
história religiosa, política e social, não apenas da civilização de Judá e de
Israel, mas da civilização síria como um todo, considerando-se que a Síria no
seu mais amplo sentido geográfico é, ainda hoje, representada pelas comunidades
dos judeus e dos samaritanos”.
“A arqueologia apenas recentemente trouxe à luz evidencias
que não dependem das escrituras judaicas (Velho Testamento, segundo a
terminologia cristã) mas essas evidências, embora esclarecedoras, são frágeis e
fragmentárias”. ...
“Essa fonte indispensável, entretanto, seria enganadora
caso fosse considerada em seu valor nominal, por duas razões: as escrituras são
narradas do ponto de vista de apenas duas das comunidades de que se constituía
a civilização síria, e nem mesmo essa versão tendenciosa da história é
apresentada em sua forma original”.
“Desde a data em que os livros mais antigos do Velho
Testamento foram escritos, a religião dos judeus sofreu alterações de forma
cumulativa, foram revolucionárias, havendo os textos sofrido alterações e
revisões a fim de que se enquadrassem na tese de que essas alterações não se
constituíam em inovações, mas sim em reversão à fé e a práticas pristinas”.
“Hoje em dia, essas teses judaicas são defensáveis apenas
pelos partidários ortodoxos da religião judaica, ou pelos seguidores das duas
religiões que dela se derivaram: o cristianismo e o islamismo”.
Para Toynbee está claro
que o Antigo Testamento foi sendo modificado no tempo conforme os interesses
dos grupos religiosos. Não só ele, mas muitos outros filólogos e pesquisadores
contestam a consistência e veracidade dos textos bíblicos como são apresentados
hoje
Lisandro Hubris, pesquisador português
de erros bíblicos, como ele mesmo se denomina, afirma que Moisés (se tivesse
existido), não poderia ter escrito os cinco livros que formam o Pentateuco
Judaico (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e, Deuteronômio) com 700 mil letras
gravadas, quando os hebreus ainda eram nômades e só escreviam em pedras!
Ele ainda argumenta que
embora no passado cada tribo reverenciasse mais de um Deus específico, e
explicasse a origem da vida ao seu modo, é evidente que mesmo antes da escrita,
as mitologias contadas em volta das fogueiras foram absorvidas e unificadas numa
grande narrativa religiosa. Esdras remodelou a lenda de Sargão de Akkad (Acádia)
e a transformou no Êxodo bíblico.
Reinaldo José Lopes, graduado em Comunicação
Social - Jornalismo pela Universidade de São Paulo (2001), mestrado em Estudos
Linguísticos e Literários em Inglês, na Faculdade de Filosofia, Letras e
Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (2006) e doutorado na mesma instituição
(2012) afirma em seu texto: “A Verdadeira História de Moisés”, que a descoberta
de arqueólogos e historiadores têm lentamente desmontado a saga de Moises, uma
figura mitológica, embora admita que possa ter existido há três mil anos, um
líder tribal com esse nome, ou algo parecido, mas nenhum feito atribuído à ele
passa pelo escrutínio histórico.
Leonardo Agostini, teólogo e especialista em
Antigo Testamento da PUC-RJ destaca que a primeira pista para dissecar a origem
de Moisés está no nome dele e de seus parentes. Apesar de, segundo a Bíblia,
todos eles serem israelitas, seus nomes não são hebraicos.
As denominações “Moisés”,
“Aarão” (seu irmão) e, “Fineias” (seu sobrinho-neto) são derivados do idioma
egípcio. Moisés, por exemplo, tem a
mesma origem que as terminações dos faraós Ramsés e, Tutmósis. Os três nomes
derivam do egípcio antigo “msézs”, que significa “filho de”. Ramsés, por
exemplo, quer dizer “filho do Deus Ra”. No caso de Moisés, falta o nome da
divindade da qual seria filho. Não é um nome, mas um sufixo que não faz sentido
sem o prefixo.
Mas, por que inventar um
personagem de nome egípcio e não israelita, que se chamasse Saul ou Isaias?
Provavelmente por causa do domínio que o Egito exerceu sobre vastas áreas do
Oriente Médio de 1500 até 1200 a. C. onde se localizavam os territórios atuais
de Israel, Palestina, Jordânia, Líbano e, Síria, que não passavam de províncias
egípcias.
Arnold Toynbee explica que o nome
“Moisés” aparece em duas oportunidades nos registros egípcios do século XIII
a.C., o que parece ser uma abreviatura de um nome composto, terminado em
“moshe” ou, “messe”. A forma completa mais provável do nome de Moisés seria
“Aton-Moshe’, desde que a adoração de Aton é o único culto monoteísta de que há
registro na história do Egito faraônico.
Contestações Quanto ao Novo Testamento
O conteúdo histórico do Novo Testamento é bastante controvertido e cheio
de inserções que comovem multidões, mas são pouco prováveis. Destacamos a
seguir os maiores questionamentos a respeito do Novo Testamento, extraídos da
entrevista de André
Chevitarese, professor do Instituto de História da UFRJ e autor dos livros
"Jesus Histórico - Uma Brevíssima Introdução" e "Cristianismo:
Questões e Debates Metodológicos" (Editora Kline), concedida ao site de
VEJA.
1. Os autores dos
Evangelhos conheceram Jesus?
A maior parte dos historiadores concorda que
nenhum dos evangelistas foi testemunha ocular da vida de Jesus. Os Evangelhos,
na verdade, faziam parte de uma grande variedade de textos que circulavam nos
primeiros séculos depois de Cristo e representavam o que algumas das
comunidades cristãs seguiam.
Como dissemos, os quatro livros, mais os Atos
dos Apóstolos, Epistolas, e Apocalipse são os textos canonizados pela igreja
romana, dentre mais de uma centena, considerados apócrifos ou heréticos no
Concílio de Nicéia, em 325 d.C.
A totalidade dos textos têm autoria anônima, e
os pesquisadores possuem poucas informações sobre sua exata origem geográfica.
O que se sabe é que eles foram criados a partir de relatos, memórias, tradições
e textos mais antigos, que circulavam entre as primeiras comunidades cristãs.
Eles teriam sido escritos entre o ano 60 e o 120, e só no século II é que seus
autores foram atribuídos — o primeiro Evangelho a Marcos, e o último a João.
Com o passar dos séculos e com a ortodoxia
cristã tendo relações cada vez mais próximas ao Império Romano surgiu a
preocupação de delimitar exatamente quais os textos que guardavam a memória
verdadeira sobre Jesus.
Por volta do século IV, depois de sérias
disputas teológicas, a Igreja finalmente escolheu quais haviam sido inspirados
por Deus — criando o cânone do Novo Testamento. "Decidiu-se assim quais
textos seriam destruídos e quais preservados, e quais tradições cristãs seriam
perseguidas e quais aceitas pela Igreja", diz André Chevitarese, em
entrevista ao site de VEJA.
Dentre os textos do Novo Testamento, aqueles
que os historiadores atribuem ao autor indicado, são as encíclicas escritas por
Paulo; pelo menos sete delas teriam sido ditadas pelo apóstolo.
André Chevitarese afirma: "Na forma como o Novo Testamento está organizado, os
quatro Evangelhos aparecem antes dos textos de Paulo. No entanto, as encíclicas
foram escritas primeiro. O pesquisador tem de começar a ler por elas — assim
fica mais fácil entender a evolução das primeiras comunidades cristãs."
2.
Como era a família de Jesus?
A família de Jesus é citada em diversos pontos
das escrituras, de Maria e José até seus irmãos e primos. No Evangelho de
Marcos, o primeiro a ser escrito, seus parentes são mostrados de forma bastante
distanciada.
Em certo momento, eles tratam Jesus como
maníaco, afirmando que suas atividades como pregador só poderiam ser fruto da
loucura. Jesus se afasta, e passa a defender uma nova percepção de família,
formada por aqueles que estão juntos dele, fazendo a vontade de Deus.
Nos outros Evangelhos, no entanto, a família é
mostrada como sendo muito mais próxima do movimento de Jesus, com destaque
especial para a figura de Maria, presente em momentos-chave da história.
Em Atos dos Apóstolos, o livro bíblico que
narra o que acontece com os discípulos após a ressurreição, a família recebe
ainda mais destaque: os parentes de Cristo estão entre os principais pregadores
da nova religião cristã que passa a ser construída. Dessa vez, o destaque fica
para Tiago, irmão de Jesus e um dos principais líderes do cristianismo
primitivo.
"Do primeiro texto, em que a família vê
Jesus como um louco, ao último, onde são eles que levam adiante o cristianismo,
parece haver uma contradição, mas não necessariamente. Pode ser que, com o
passar do tempo, a família tenha se reaproximado de Jesus, e tomado seu lugar
na Igreja", diz André Chevitarese.
A citação bíblica aos irmãos de Jesus é alvo de
grandes discussões entre acadêmicos e teólogos, pois pode afrontar um dos
principais dogmas da igreja católica: a da virgindade de Maria. Ao longo dos
séculos, os teólogos católicos esboçaram possíveis explicações para isso. Uma
delas diz que eles seriam, na verdade, meios-irmãos de Jesus, filhos de um
primeiro casamento de José. Outra explicação afirma que o termo grego utilizado
no texto bíblico original pode significar tanto primo quanto irmão, e teria havido
uma confusão nas traduções.
Essa segunda interpretação também pode estar
correta. "A noção de família que se apresenta no contexto do século I
mediterrâneo é muito diferente da atual. Ela é uma família extensiva, onde
todos os parentes orbitam em torno de uma figura masculina mais velha. Nesse
ambiente, o primo pode, sim, ser um irmão."
3.
João Batista existiu?
Assim como Jesus, João Batista é um personagem
histórico. Segundo diversas fontes da época, ele era um importante pregador
judeu que viveu na Galileia durante o século I.
O tipo de movimento messiânico comandado por
João e Jesus era bastante comum na época. Esmagados pelo Império Romano, os
camponeses judeus eram levados a esperar pela intervenção de um salvador que
fosse mudar os rumos da história. O historiador judeu Flávio Josefo cita
dezenas de candidatos a messias em seus textos.
Segundo as fontes históricas, o movimento
liderado por João Batista chegou a ser, por certo tempo, mais importante que o
de Jesus. "O número de páginas que Josefo dedica a Batista é muito maior
do que o dedicado a Jesus. O historiador narra como Herodes reconhece sua força
e manda matá-lo. Isso mostra que era Batista quem realmente desafiava Roma em
sua época", diz André Chevitarese.
Na verdade, segundo os historiadores, Jesus
pode ter sido um discípulo de João Batista. Teria sido com ele que aprendeu a
batizar, exorcizar e a desafiar as autoridades romanas.
Acontece que, em algum momento, discípulo e
mestre romperam. "As ideias dos dois eram muito diferentes. Enquanto João
acreditava em preparar o caminho para um personagem divino intervir na
história, Jesus dizia que essa personagem já veio, e era ele mesmo", diz o
pesquisador.
Os próprios Evangelhos podem servir para
mostrar o quanto João Batista era importante em seu tempo histórico. Segundo os
pesquisadores, a necessidade que os evangelistas demonstram ter de citá-lo em
seus textos se deve ao fato de sua memória ainda continuar forte no século I.
Assim, os autores precisam mostrar que esse personagem, que até então
permanecia independente do cristianismo, poderia ser amarrado à sua própria
teologia. "Os cristãos tiveram a necessidade de mostrar que João Batista
enxergou em Jesus o Messias. Assim, eles conseguiram demonstrar ainda mais o
valor de Jesus."
4. Jesus sabia ler?
Jesus demonstra saber ler em dois momentos da
Bíblia. O primeiro deles acontece no Evangelho de Lucas, quando ele entra em
uma sinagoga na cidade de Nazaré e começa a ler textos escritos pelo profeta
Isaías. O segundo é mostrado no Evangelho de João, onde Jesus aparece
escrevendo. Logo depois de intervir no apedrejamento de uma mulher, usando o
conhecido desafio de "quem nunca tiver pecado que atire a primeira
pedra", ele se abaixa e começa a escrever no chão.
Mas ambos os trechos apresentam problemas. Não
existe nenhum indício de sinagoga em Nazaré e, mais importante, o verbo grego
para ler é o mesmo para memorizar. Jesus poderia simplesmente ter decorado a
passagem de Isaías. Ao mesmo tempo, o trecho tirado do Evangelho de João (8-8)
é bastante discutido entre os pesquisadores. Muitos deles vêm a passagem como
uma alteração tardia feita à Bíblia, adicionada já no século V.
A verdade é que as estimativas dos
historiadores mostram que entre 95% e 98% da população que vivia naquela região
do mediterrâneo era analfabeta. Seria natural que Jesus, um camponês pobre que
nasceu e nunca saiu daquele ambiente, estivesse dentro dessa estatística.
"Na verdade, o maior incômodo com o fato
de Jesus ser analfabeto vem do mundo contemporâneo. Hoje, se assume que uma
liderança política, religiosa ou econômica precisa ter feito até faculdade,
quanto mais saber ler. Mas essa não era uma demanda dos discípulos."
5.
Qual era a religião de Jesus?
"Jesus nasceu judeu, viveu judeu, e morreu
judeu", responde André Cheviterese. Foi só nos séculos seguintes à sua
morte que a Igreja começou a se distanciar do judaísmo e a se aproximar do
Império Romano. Nesse processo, a teologia cristã vai se tornando cada vez mais
arredia aos judeus, resvalando até no antissemitismo — o que transparece nos
Evangelhos, principalmente no de João.
"Acho que a base para se entender isso
está na tensão que é criada entre a comunidade cristã joanina [que se pretendia
seguidora do apóstolo João] e a religião judaica. A partir da década de 80 do
século I, seu proselitismo se torna tão agressivo que eles são expulsos das
sinagogas. A partir daí, se tornam muitos hostis", diz o pesquisador.
Assim, no Evangelho de João (capítulo 8,
versículo 44), Jesus se refere aos judeus como Filhos do Diabo, adoradores de
um Deus homicida e mentiroso. Do mesmo modo, a narração deixa de mostrar Jesus
sendo morto de forma sumária pelos romanos. Segundo os textos, ele é
assassinado a pedido dos judeus — Pôncio Pilatos até lava as mãos.
"Essas passagens não deixaram de ser
repercutidas desde então, e foram usadas, inclusive, para perseguir os judeus.
Por sorte, a Igreja se desviou dessa visão nas últimas décadas", afirma o
historiador.
6.
Jesus seria casado com Maria Madalena?
Maria Madalena é uma das figuras mais
importantes e disputadas de todo o cristianismo. Ela costuma ser usada como a
prova de que Jesus teria apóstolos e apóstolas, o que contraria a doutrina
religiosa de só permitir padres do sexo masculino. Mais que isso, ela é uma
personagem central dos Evangelhos, pois é a primeira a visitar o sepulcro de
Jesus e perceber que seu corpo não estava lá; e a primeira a reconhecer o
Cristo ressuscitado.
Do século I ao IV, houve uma grande disputa
dentro do cristianismo para decidir se mulheres poderiam ou não assumir funções
de proeminência nos ritos religiosos. "No ano 591, o papa Gregório Magno
proferiu uma homilia onde juntava duas personagens diferentes citadas no
Evangelho de Lucas. Ele afirma que uma mulher vista como pecadora (uma
prostituta) e Maria Madalena eram a mesma pessoa. Desse modo, sugere que as
mulheres são demoníacas", afirma Chevitarese.
No século XIX, a Igreja finalmente voltou
atrás: Maria Madalena deixa de ser prostituta e é promovida a santa. Mesmo
assim, sua imagem como pecadora continua entranhada no imaginário cristão.
Quanto às teorias que defendem seu casamento
com Jesus, elas têm origem em uma passagem do Evangelho de Felipe, um dos
livros apócrifos, onde os dois personagens aparecem se beijando.
"Analisando esse trecho com os olhos de hoje, alguns pesquisadores
enxergaram um elemento erótico na cena. Mas no mesmo evangelho Jesus beija seus
apóstolos homens. Isso não tinha nada de anormal. Usar isso para afirmar que
Jesus tinha um caso com Maria Madalena passa longe de fazer história."
7.
Jesus foi traído por Judas?
Os pesquisadores costumam concordar que Jesus
foi traído e entregue por um de seus discípulos para o exército romano. Mas o
traidor é desconhecido. A figura de Judas, desde seu nome até seus trejeitos,
parece ter sido criada sob medida para objetivos teológicos. "Ele é fruto
de uma teologia evidentemente antijudaica. Seu nome remete a Judá, a Judeia.
Suas características também vêm das caricaturas que se fazem dos judeus: ele
ama o dinheiro, é traidor e ladrão.
Do século 2 em diante, isso vai, de novo, ser
usado como ferramenta antissemita. Quando pensado em seus efeitos de longo
prazo, isso é muito cruel. É só lembrar da malhação de Judas, por
exemplo", diz Chevitarese.
As próprias narrativas da morte de Judas servem
como exemplo de que o personagem é mais fruto da teologia do que de história.
No Evangelho de Mateus, ele se enforca. No Ato dos Apóstolos, ele tropeça,
rasga a barriga e morre. E nos textos de Papias, um autor cristão contemporâneo
ao Evangelho de João, ele come até explodir.
8.
Jesus foi crucificado?
A crucificação é, sim, um fato histórico. Já o
contexto que a cerca, como o julgamento de Jesus e a via-crúcis, não é. Ser
pregado em uma cruz era a penalidade aplicada pelos romanos aos escravos que
matavam seus senhores, aos escravos que se rebelavam e aos rebeldes políticos,
categoria onde Jesus poderia ser facilmente incluído. O historiador Flávio
Josefo, por exemplo, cita uma cena em que milhares de judeus foram crucificados
após uma rebelião em Jerusalém.
Quanto à Via Crúcis e ao julgamento, eles
dificilmente seriam realizados pelo governo romano naquelas circunstâncias.
Jesus foi preso em Jerusalém, na sexta-feira que antecede a Páscoa. Acontece
que nessa época do ano a cidade estava lotada de judeus de todos os cantos,
desde o Mediterrâneo até o Oriente Médio, vindos para as festividades. Além
disso, a Páscoa judaica não é uma festa apenas religiosa, mas também política;
ela celebra a passagem dos hebreus da escravidão para a liberdade.
"Nesse ambiente explosivo, é claro que as
autoridades romanas não iam prender uma liderança judaica, fazer um julgamento
público e colocá-lo para desfilar de forma humilhante pela cidade, arrastando
uma cruz. Isso seria uma provocação desnecessária, um tiro no pé", diz
Chevitarese.
Pôncio Pilatos é um personagem histórico. Os
pesquisadores sabem, a partir de escavações arqueológicas da década de 1960,
que ele realmente foi um procurador romano radicado na região da Judeia. Mas
não existe nenhum registro dos ritos seguidos pelo personagem na Bíblia. As
autoridades romanas, por exemplo, nunca se ofereceram para soltar um
prisioneiro judeu, a gosto do público. "Essas passagens foram colocadas
para reforçar o caráter messiânico de Jesus. Elas são baseadas em profecias do
Antigo Testamento, mas sua plausibilidade histórica é zero."
Comparações da história de Hórus e Jesus
Outro
estudo impactante foi publicado por Tom Harpur, escritor, jornalista, padre
anglicano e teólogo, estudou as obras de três autores especializados em
religião egípcia antiga: Godfrey Higgins (1771-1834), Gerald Massey (1828-1907)
e Alvin Boyd Kuhn (1880-1963), e incorporou algumas descobertas em seu livro
"Pagan Cristo".
Harpur
argumentou que todas as ideias essenciais do judaísmo e do cristianismo vieram
principalmente da religião egípcia. Essa narrativa expõe, de maneira chocante,
como a figura de divindade tem sido usada para dominar e explorar o povo de boa
fé!
Harpur
escreve, em seu livro: "Massey descobriu quase 200 casos de
correspondência imediata entre a mítica egípcia sobre Hórus e os escritos da
suposta história judaica sobre Jesus. Hórus foi uma figura central da mitologia
egípcia ao redor de 1400 a.C. Folclore sobre ele, naturalmente, proliferaram
durante este intervalo, inclusive o anúncio da vinda do salvador para povo
hebreu.
Vejamos
as semelhanças entre a história de Hórus e de Jesus:
Hórus é
filho do Deus Osiris com a virgem Isis (Mary); foi anunciado por anjos; seu pai
na terra chamava-se Seb (Jo-seph), de ascendência real; nasceu numa caverna;
foi festejado pela estrela Sirius; na época do Solstício do Inverno; visitado
por pastores e honrado: por três divindades solares.
Foi
ameaçado de morte: por Herut (grupo político), e teve a proteção Divina, de
Deus que diz a Isis: “Vai, oh deusa Isis, esconde-te com teu filho”. Sua história entre 12 e 30 anos não é conhecida, quando foi batizado
no rio Eufrates, e quem o batizou foi decapitado
Existem
ainda uma impressionante relação de eventos similares ao de Jesus no decorrer
de sua vida, como a tentação no deserto, a companhia de 12 discípulos, andar
sobre a água, ressuscitar Lazaro, transfigurar-se e pregar num monte, morrer
entre dois ladrões, ressuscitar dias depois, ser visto por mulheres, e ser tido
como salvador da humanidade.
Os
ensinamentos e declarações de Hórus são também similares aos de Jesus: “Eu sou Hórus em glória ...
Eu sou o Senhor da Luz ... Eu sou o único vitorioso ... Eu sou o herdeiro do
tempo sem fim ... Eu, eu mesmo, sou aquele que conhece os caminhos do céu”.
As seguintes fontes de informação foram usadas
para preparar e atualizar o ensaio acima.
- Tom Harpur, " O Cristo Pagão; Recuperando a Luz Perdida. "Thomas Allen,
(2004), Páginas 128-136. A Canadian Broadcasting Corp. publicou documentário
baseado neste livro, ganhando o Prêmio Platinum no Worldfest Prêmios Remi em
2008.
- Ritual: O Livro Egípcio
dos Mortos.
"
Fatos Incontestáveis
É incontestável a herança cultural do judaísmo na formação moral e ética
dos povos ocidentais e orientais, apesar das inúmeras e graves contestações ao
Velho e do Novo Testamento.
Os conceitos morais do judaísmo contidos nas narrativas da Gênesis, desde
a luta entre o bem e mal protagonizada por Adão e Eva, Caim e Abel, ao expurgo
da corrupção humana no Dilúvio, do nascimento de Abraão à destruição de Sodoma
e Gomorra, nos legou o modelo de família patriarcal, respeito e obediência aos
mais velhos, papéis definidos para os homens e as mulheres, e a concepção de um
Deus único, princípios que fazem parte da cultura que prevalece até hoje nos
povos cristãos e muçulmanos.
A adoção do cristianismo pelo império romano, e posteriormente a
instituição da Igreja Católica Apostólica Romana, promoveu a disseminação das
tradições judaico-cristã em todo o mundo, principalmente nos países da Europa e
das Américas.
Apesar da falsidade de
exposições históricas, e todas as alterações que se acumularam ao longo dos
séculos de sua transmissão manuscrita, inclusive os dogmas impostos pelas
igrejas, o Novo Testamento nunca teve sua base doutrinária e moral
comprometida.
Isto é, independente
das mentiras das narrativas históricas, o exemplo moral de Jesus, e seus
ensinamentos, nunca deixaram de ser considerados os mais puros e elevados
princípios para uma vida saudável e feliz.
Erasmo não estava de
todo equivocado quando escreveu no prefácio de sua primeira edição do Novo
Testamento grego (dedicada ao Papa Leão X), as seguintes palavras sobre Jesus:
“Estas páginas sagradas evocam a imagem viva de
sua mente. Elas te apresentam o próprio Cristo, falando, curando, morrendo,
ressuscitando — em suma, Cristo todo; elas o apresentam numa intimidade tal que
ele seria menos visível se estivesse em pé diante de teus olhos”.
Mesmo para os que não
aceitam a parte histórica de Jesus, é inegável a importância de seus
ensinamentos para uma vida saudável física e espiritualmente, o que nos levou a
inclui-lo entre os filósofos.
Além do cristianismo, o judaísmo também inspirou o Islamismo, surgido no
século VII, codificado por Muhammad, que significa
"louvável" e seu nome completo inclui o nome Abdalá (Abd Allah), que significa "servo de Deus".
Segundo a religião islâmica, Maomé é o mais recente e último
profeta do Deus de Abraão. Para os muçulmanos, Maomé foi precedido em seu papel
de profeta por Jesus, Moisés, Davi, Jacó, Isaac, Ismael e Abraão, sendo o judaísmo e o cristianismo
consideradas como religiões predecessoras espirituais.
Como figura política, Maomé unificou as várias tribos árabes, o que
permitiu as conquistas daquilo que viria a ser um califado, e que se estendeu
da Pérsia até a Península Ibérica.
A GÊNESE CONFORME A CIÊNCIA
A criação do Universo
Não há na literatura
religiosa menção à criação do Universo; a Gênese do Velho Testamento se refere
à criação da Terra e de tudo que nela se encontra.
Vejamos o que nos diz a
ciência quanto a formação do Universo e da Terra.
A tese cientifica mais
aceita, embora atualmente contestada, explica que o Universo surgiu após uma
grande explosão (Big Bang) decorrente da expansão violenta de uma partícula ou
massa muito densa e extremamente quente que teve início há 13,8 bilhões de
anos, aproximadamente, chamada por alguns como a “partícula de Deus”, da qual
procede todo o Universo. Essa expansão não cessou, o que pode ser observado por
meio do afastamento dos astros, planetas e das galáxias do ponto da explosão.
Essa teoria foi
elaborada pelo astrônomo belga Georges Lemaître (1894-1966) que foi o primeiro
a propor, em 1927, o modelo teórico do Big Bang,
considerando os estudos sobre a Teoria da
Relatividade Geral, do físico alemão Albert Einstein (1879 - 1955), confirmada dois anos depois pelas observações do
norte-americano Edwin Hubble (1889-1953).
Nas
décadas seguintes, outros físicos, como George Gamow, aprofundaram o modelo do
Big Bang. Existem elementos que atestam essa teoria, mas os trabalhos que
buscam por novos indícios da sua ocorrência continuam através de modernos
telescópios enviados ao espaço.
A partícula elementar “bóson de Higgs”
mencionada inicialmente em 1964 pelo físico britânico Peter Higgs, prevista no
modelo padrão de partículas, teoricamente surgida logo após o Big Bang, e
provisoriamente confirmada em 14 de março de 2013, representa a chave para
explicar a origem da massa das outras partículas.
A explosão dessa
partícula dispersou uma enorme porção de matéria lançada ao espaço, girando em
torno de si mesmo. A força centrifuga fez com que partes menores se
desprendessem, e mantendo o movimento de rotação, giravam ao redor do núcleo
maior, em feérico movimento de translação.
Formou-se um conjunto
harmônico e estável pela força de atração e repulsão observada entre os corpos celestes
que se afastam do ponto da explosão inicial pela imensidão dos tempos e espaços
- a “Via Láctea”!
Em 1922, o físico
Alexander Friedemann, partindo da teoria da relatividade produziu o modelo do
Universo em expansão com o afastamento constante dos corpos celestes de um
único ponto, cuja reversão com a mesma velocidade permitiu estimar o tempo
decorrido desde o Big Bang.
Todavia, por falta de
recursos para comprovação mais rigorosa, esse estudo ficou inconcluso até 1924
quando Edwin Hubble pode observar, através de um grande telescópio, as
infinitas galáxias em movimento no espaço sideral, afastando-se do ponto de
onde tudo se originou. Essa constatação comprova que o Universo está em
constante expansão e permite concluir que, no passado distante, esses corpos
celestes estiveram coesos, formando uma só massa num ponto do espaço infinito.
Examinando as
irradiações em forma de micro-ondas, os cientistas puderam obter informações
importantes sobre a idade e composição do universo. O tempo estimado, a partir
do Big Bang até nossos dias é de 13,7 bilhões de anos, conforme estudos da
NASA.
Essa teoria foi
endossada em 1960 pelos físicos Stephen Hawking e Roger Penrose. Hawking
afirmou: - “Penrose e eu podemos provar através da
modelagem matemática da relatividade geral, que o tempo deve ter começado no
instante do assim chamado “Big Bang”, quando todo o universo que observamos
estava contido em uma região cujas fronteiras se comprimiam a zero. Essa seria
a singularidade, um lugar onde a densidade da matéria seria infinita, e a
clássica relatividade geral quebrada.” (do livro: “The Universe in a Nutshell”)
O Big Bang, implícito
na teoria geral da relatividade combinada com a mecânica quântica resulta numa
teoria completamente autônoma, isto é, sem depender de um criador. Hawkins
chegou a mencionar que a criação do Universo prescindiria do concurso de Deus pois
era decorrente da Lei da Gravidade, todavia é inegável a existência de um
conjunto de leis naturais como causa de todos os fenômenos.
A gravidade
é uma das quatro forças fundamentais da natureza: gravidade.
eletromagnetismo, força fraca e força forte. Na física moderna, a descrição
mais precisa da gravidade é dada pela teoria geral da relatividade, de
Einstein, segundo a qual o fenómeno é uma consequência da curvatura
espaço-tempo que regula o movimento de objetos inertes.
A criação da Terra
Segundo a Teoria do Big
Bang, a mais aceita pela Física, da matéria que formou o Universo uma minúscula
porção de massa desprendeu-se de um grande voluma, e como uma bola de magma
incandescente percorreu o espaço sideral de nossa galáxia, e girando em torno
de si mesmo, iniciou o processo de criação da Terra.
O espaço ao redor da
Terra foi ocupado por elementos em suspensão, e os gases densos que dela
emanavam não permitiam sequer a penetração da luz do Sol. Na medida em que a
crosta terrestre foi se resfriando, a emissão de poluentes e de gases foi se
reduzindo, e a atmosfera se purificando até que houvesse condições para que a
luz do Sol chegasse até a Terra. “Fiat Lux”, como descrito na Gênese
Mosaica!
O movimento de rotação
fazia com que a claridade vinda do Sol incidisse sobre a área exposta durante o
tempo de meia volta, permanecendo a escuridão por tempo igual, até que a Terra
completasse seu movimento de rotação, ocorrendo o dia e a noite.
O calor dos raios
solares fez com que a umidade existente na Terra evaporasse, formando as nuvens
no espaço de nossa atmosfera, caindo em forma de chuva ao se resfriarem.
As constantes erupções
provocadas pelo núcleo ainda incandescente e pela fragilidade da crosta
terrestre ainda não totalmente sólida fizeram surgir partes altas e as partes
baixas foram alagadas, formando-se os continentes, os rios e os mares.
A ciência admite que,
logo após a grande explosão, os corpos do universo como a Terra, seriam
formados por massa densa, com temperaturas extremamente elevadas, tornando
improvável qualquer manifestação de vida.
As investigações
geológicas nos levam a uma extraordinária e precisa viagem até cerca de 4,5
bilhões de anos. A história dessa evolução pode ser literalmente lida nas
camadas geológicas, dando conta de como seria o planeta, sua fauna e flora, em
distintas eras.
Entre a grande explosão
que originou a formação do Universo e a possibilidade de datação dos mais
velhos minerais, houve um hiato de cerca de 9 bilhões de anos, isto é, o tempo
para resfriamento e cristalização das rochas naturais da Terra.
Vemos grande
coincidência nas narrativas bíblicas com as fases da criação da Terra admitidas
pela ciência, segundo a teoria do Big Bang, mas a partir desse ponto, nada mais
existe em comum.
A narrativa da Gênese bíblica a respeito da criação da
humanidade é totalmente improvável pela simples projeção da possibilidade de
procriação para formar a população mundial hoje existente.
A
Bíblia descreve a criação da humanidade a partir de Adão e Eva, que foram
expulsos do Jardim do Éden por terem desobedecido à Deus. Tiveram dois filhos,
Abel e Caim, que assassinou Abel, e
posteriormente casou-se com uma mulher nascida em Node, o que permite presumir
que já havia outras criaturas humanas na Terra.
Caim e Adão tiveram numerosa prole, até a geração de Noé,
quando o Dilúvio dizimou os pecadores que não entraram na arca. Após o Diluvio,
segue especificamente a genealogia do povo hebreu por tradição verbal.
William Ryan e Walter
Pitman, geólogos marinhos relatam acreditar ter encontrado a origem histórica
das lendas de uma grande enchente que destruiu civilizações antigas que
margeavam o Mediterrâneo e o Mar Negro há 7,6 mil anos o que se registrou
como acontecimentos históricos.
,
A
criação de Adão fundamenta a tese do criacionismo, um dogma insustentável
diante do que hoje sabemos, entre muitos outros dogmas da tradição judaica. Convém lembrar que além do judaísmo, o cristianismo e o
islamismo também são criacionistas, considerando Deus ou Alá o criador de todas
as coisas, inclusive dos seres vivos (Adão e Eva), tal qual eles são hoje.
Embora haja divergências entre os cientistas, vida é “o
fenômeno que anima a matéria”. Considera-se um ser vivo aquele que exibe, pelo
menos uma vez em sua existência, os seguintes fenômenos: Crescimento,
Metabolismo, Movimento interno ou externo, Reprodução e, Resposta a estímulos.
Segundo a ciência, os seres vivos surgiram na terra em
função de fenômenos bioquímicos naturais a partir de elementos encontrados na
Terra, num processo evolutivo ininterrupto desde cerca de 3 a 4 bilhões de
anos.
Em 1936, Aleksander Ivanovich Oparin expôs a ideia de que
uma “sopa de matéria primitiva” formada por moléculas orgânicas poderia ser
criada numa atmosfera sem oxigênio, através da ação da luz do Sol, a partir de
materiais encontrados na terra.
Na atmosfera do Sol e outros corpos celestes existem gases
como o metano, o hidrogênio e a amônia, capazes de fornecer carbono, hidrogênio
e nitrogênio. A humidade natural da Terra, aquecida pelas atividades vulcânicas
por milhões de anos, teria provocado a saturação de humidade da atmosfera.
Na alta temperatura da Terra, a atuação de raios
ultravioleta e a ocorrência de descargas elétricas produziram reações químicas
entre os elementos, dando origem aos aminoácidos que, precipitados pelas
chuvas, depositaram moléculas sobre a terra.
As moléculas de aminoácidos expostas aos efeitos do calor,
combinaram-se por ligações peptídicas, dando origem a moléculas maiores de
substâncias albuminoides. Seriam as primeiras proteínas a existir. Dissolvidas
em água, as proteínas formam os coloides, cuja interpenetração deram origem aos
coacervados (aglomerado de moléculas proteicas envolvidas por água em sua forma mais
simples).
É possível que já existissem proteínas complexas como
enzimas e fermentos, facilitando certas reações químicas, acelerando a síntese
de novas substâncias como gotas microscópicas de coacervados envolvendo
nucleoproteínas. Faltava apenas que as moléculas de proteínas e lipídios se
organizassem na periferia de cada gotícula, formando a membrana lipoproteica, e
estava formada a vida rudimentar nessa “sopa cósmica”.
Posteriormente, muitos estudos têm sido realizados em torno
do surgimento da vida, a maioria tomando como partida a teoria de Oparin. Em
1953, Stanley Miller e Harold Urey, da Universidade de Chicago colocaram
metano, amônia, hidrogênio e vapor de água em um balão de vidro, aquecendo a
mistura por tempo prolongado, submetendo-a a centelhas de alta tensão, obtendo
ao fim de certo tempo, o surgimento de moléculas de aminoácido.
Em 1957, Sidney Fox submeteu uma mistura de aminoácidos
secos ao aquecimento prolongado, obtendo uma reação que formou cadeias
peptídicas, com o aparecimento de moléculas proteicas pequenas, provando a tese
de Oparin.
Leslie Orgel, do Instituto Salk – na Califórnia, apresentou
a hipótese de que a vida provavelmente ocorreu numa superfície mineral, o que
tem conquistado muitos adeptos. Michael Russell, da Universidade de Glasgow,
que trabalhou com essa hipótese, disse que o berço da vida seria a estrutura
porosa de pequenas cavidades em minerais de sulfito de ferro.
As pesquisas indicam que as primeiras manifestações de vida
ocorreram nos oceanos, como revelam os estromatólitos encontrados por Willian
Schopf, da UCLA, em 2002, contendo micróbios de algas fossilizados datados do
período arqueano, tempo geológico, que está compreendido aproximadamente entre
3,85 bilhões de anos e 2,5 bilhões de anos atrás.
Alguns
Estromatólitos (algas) encontrados em rochas de 3,6 bilhões de anos na
Austrália e África do Sul são algumas das mais antigas evidências de vida
conhecidas. Estromatólitos encontrados na Groenlândia, num depósito de rochas
sedimentares abaixo da camada de gelo, foram datados como de 3,8 bilhões de
anos atrás, constituindo a mais antiga evidência de vida.
A Química atual comprova a grande variedade de substâncias
encontrada no planeta que, com diferentes combinações, se obtém moléculas
primitivas em condições especiais de calor luz, umidade etc., presentes na
Terra desde sua formação, o que compreende a base de todas as composições
orgânicas e inorgânicas existentes.
Existe
entre o reino mineral e animal, micro-organismos que ora se comportam como
cristais, ora como serem vivos como os corais, da mesma maneira que existe
entre os reinos vegetal e animal uma espécie de traço de união representado
pelos zoófitos ou plantas vivas, o que atesta a origem única e evolução
continua, do átomo aos seres vivos.
Estima-se
que nos primeiros dois terços da formação da vida, os seres vivos eram
unicelulares capazes de se reproduzirem em cópias idênticas. Seguem-se as
bactérias que se espalharam pelo planeta, unindo-se para sobreviver e evoluir,
dando origem aos multicelulares com tecido, como as águas vivas, e que
posteriormente, aprendendo a dividir as tarefas, deram origem aos
multicelulares organizados ou, seres orgânicos.
Logo
após o surgimento dos primeiros seres vivos, a explosão cambriana (o Período Cambriano faz parte da Era
Paleozoica que iniciou por volta de 542 milhões de anos atrás e terminou há 488
milhões de anos atrás, aproximadamente) promoveu uma das maiores expansões
orgânicas da antiguidade.
Os
seres de organização complexa não existiram desde sempre, são descendentes dos
seres simples e rudimentares, como estes o são dos componentes minerais como
visto acima. Acumularam experiencias que se transmitiram às próximas gerações
por meio do código genético.
A
principal opção dos cientistas é que a base do sistema está no RNA (ácido
ribonucleico), uma espécie de intermediário entre a síntese de proteínas e o
DNA, capaz de se autorreplicar guardando informações genéticas, e sustentar o
metabolismo de um ser vivo.
Os
seres humanos, sob o ponto de vista material, não apresentam diferenças dos
demais mamíferos, em termos de composição química e funcionamento dos órgãos.
Como consequência, reconhecemos que desde o líquen até a arvore, e desde o
zoófito até o homem, há uma cadeia evolutiva sem solução de continuidade,
podendo-se dizer que cada espécie é uma transformação da espécie imediatamente
anterior.
Cabe observar que os tecidos orgânicos presentes nos seres
vivos (animais e vegetais), são constituídos por células, unidades vivas
microscópicas que se conectam e desempenham funções diversificadas e
especializadas, em cujo núcleo se encontram todas as informações necessárias a
formação de um ser vivo (DNA).
É simplesmente necessário que haja condições propicias que
permitam a ocorrência de combinações, reações e desdobramentos dos elementos
naturais primitivos, num trabalho de elaboração da infinita variedade de
produtos da natureza. Concorre para isso, a presença dos elementos ambientais,
tais como: a temperatura, os ventos, a presença ou ausência de água, luz do
sol, enfim, toda a natureza trabalha para a gestação e manutenção da vida na
Terra.
A Ciência e a Gênese bíblica estão próximas quando afirmam
que os seres vivos foram “feitos” do pó da terra ou, do barro!
A Evolução das Espécies
O Evolucionismo é a tese cientifica que se opõe ao criacionismo, dogma
improvável das doutrinas judaico-cristãs.
Seres de organização
complexa não existiram desde sempre, portanto, tiveram um começo, e uma evolução
significativa, como vimos no estudo do surgimento da vida à luz das ciências.
Sabemos que todos os
seres vivos são formados a partir do código genético de seus pais, donde se
conclui que os seres de organização complexa são frutos da evolução dos seres
monocelulares e multicelulares que acumularam experiências e as transmitiram aos
seus descendentes por meio do DNA durante milênios, desde o surgimento da vida
na Terra
O DNA e as proteínas
compõem o conjunto celular de qualquer ser vivo conhecido, seja ele um humano,
uma ameba ou uma bactéria. Todavia, mesmo se já tivéssemos mapeado o genoma de
todos os seres vivos de hoje, o máximo que poderíamos fazer é encontrar o último
ancestral comum. O primeiro ser vivo, o ancestral do ancestral desse ancestral
comum continuaria sendo desconhecido.
O cientista
norte-americano Harold Saxton Burr e uma equipe de colaboradores, investigaram
por mais de 30 anos os campos elétricos em estruturas biológicas, verificando
através de minuciosas e delicadas medições, a existência de campos elétricos
que pareciam presidir às diferentes funções biológicas de todos os seres vivos,
desde seus componentes biomoleculares, celulares, citológicos e glandulares.
Segundo a sua
conclusão, esses campos se estruturam no estilo de uma organização hierárquica,
evidenciando que não são resultantes funcionais, mas sim, determinantes das
funções peculiares aos organismos, isto é, formam uma estrutura que determina e
governa organicidade do ser vivo!
E, nessa linha, graças
aos métodos avançados de pesquisa, pode-se hoje afirmar que a ciência não
admite, sequer, a existência de uma partícula elementar sem que a ela
corresponda um agente estruturador pertencente a outro domínio, porque a
energia do universo, por si só, jamais se alteraria no processo de expansão.
Na escala dos seres
orgânicos, não existe clara delimitação entre os vegetais e os animais, o mesmo
acontecendo entre o reino mineral e animal.
- Teoria
da Evolução de Darwin
Um dos primeiros cientistas a discutir a evolução
das espécies foi Charles Darwin, (1809-1882), biólogo e naturalista inglês que
desenvolveu a teoria evolutiva, que é a base da moderna teoria da seleção natural.
Segundo Darwin, os
organismos que melhor se adaptam ao meio têm maiores chances de sobrevivência,
deixando um número maior de descendentes do que os menos adaptados. Portanto,
os mais adaptados são os selecionados para permanecer e aumentar a presença naquele
ambiente.
Os princípios básicos
das ideias de Darwin podem ser resumidos no seguinte modo:
- Os indivíduos de uma mesma espécie
apresentam variações em todos os
caracteres, não sendo, portanto, absolutamente idênticos entre si.
- Todo organismo tem grande capacidade de
reprodução, produzindo muitos descendentes. Entretanto, apenas alguns dos descendentes chegam à
idade adulta.
- Na "luta pela vida”, organismos com variações favoráveis as
condições do ambiente onde vivem têm maiores chances de sobreviver,
quando comparados aos organismos com variações menos favoráveis.
- Os organismos com variações vantajosas têm maiores chances de deixar mais descendentes.
Como há transmissão de caracteres de pais para filhos, estes também
apresentam essas variações vantajosas.
- Assim, ao longo das gerações, a atuação da seleção natural sobre
os indivíduos mantém ou melhora o grau de adaptação destes ao meio.
- A Teoria Sintética da
Evolução (Neodarwinismo)
A Teoria Sintética da Evolução ou Neodarwinismo foi formulada por vários
pesquisadores durante anos de estudos, tomando como ponto de partida as noções
de Darwin sobre a seleção natural, e incorporando noções atuais de genética.
A mais importante
contribuição individual da Genética foi extraída dos trabalhos do biólogo Gregor Johann
Mendel (1822 – 1884), que substituiu o conceito antigo de herança
através da mistura de sangue pelo conceito de herança através dos genes.
A Teoria Sintética da
Evolução considera, conforme Darwin já havia feito, a população como unidade evolutiva. A população pode ser definida como grupamento de indivíduos de uma mesma espécie que ocorre em uma mesma
área geográfica, em um mesmo intervalo de tempo.
Para melhor compreender
esta definição é importante conhecer o conceito biológico de espécie: agrupamento de populações naturais, real ou
potencialmente intercruzantes e reprodutivamente isolados de outros grupos de
organismos. Quando, nesta definição, se diz potencialmente
intercruzantes, significa que uma espécie pode ter populações que não
cruzem naturalmente por estarem geograficamente separadas, entretanto,
colocadas artificialmente em contato, haverá cruzamento entre os indivíduos,
com descendentes férteis. Por isso, são potencialmente
intercruzantes.
A definição biológica
de espécie só é válida para organismos com reprodução sexuada, já que no caso
dos organismos com reprodução assexuada, as semelhanças entre características
morfológicas é que definem os agrupamentos em espécies.
Observando as
diferentes populações de indivíduos com reprodução sexuada, pode-se notar que
não existe um indivíduo igual ao outro. Exceções a essa regra poderiam ser os
gêmeos univitelinos, mas mesmo eles não são absolutamente idênticos, apesar de
o patrimônio genético inicial ser o mesmo, porque ocorrem alterações somáticas
devidas as ações do meio.
A enorme diversidade de
fenótipos em uma população é indicadora da variabilidade genética dessa
população, podendo-se notar que esta é geralmente muito ampla.
A compreensão da
variabilidade genética e fenotípica dos indivíduos de uma população é
fundamental para o estudo dos fenômenos evolutivos, uma vez que a evolução é,
na realidade, a transformação estatística de populações ao longo do tempo, ou
ainda, alterações na frequência dos genes dessa população.
Os fatores que
determinam alterações na frequência dos genes são denominados fatores evolutivos. Cada população
apresenta um conjunto gênico,
que sujeito a fatores evolutivos, pode ser alterado. O conjunto gênico de uma
população é o conjunto de todos os genes presentes nessa população.
Os fatores evolutivos
que atuam sobre o conjunto gênico da população podem ser reunidos duas
categorias:
- Fatores que tendem a aumentar a
variabilidade genética da população: mutação gênica, mutação cromossômica, recombinação.
- Fatores que atuam sobre a variabilidade
genética já estabelecida: seleção
natural, migração e oscilação genética.
A integração desses
fatores associada ao isolamento geográfico pode levar, ao longo do tempo, ao
desenvolvimento de mecanismos de isolamento
reprodutivo, quando, então, surgem novas espécies. (fonte: Wikipedia)
- A evolução intelectual – do Instinto a Inteligência
Do surgimento da vida
na Terra até a capacidade de percepção consciente do Homo Sapiens,
transcorreram alguns bilhões de anos.
Pesquisas realizadas na Caverna Qesem, em Israel, próximo a cidade de Rosh HaAyin, demonstram que os “Homo Erectus” já habitavam a
região há pelo menos 400 mil anos, produzindo artefatos em pedra lascada e
caçando animais de porte. Nesse mesmo local foram encontradas evidências da
existência do Homo sapiens, que teria
surgido 200 mil anos antes do que na África.
Antes de adquirir o status
de Homo Sapiens, o ser humano viveu como os animais, contando apenas com seu
instinto natural. A teoria é de que a diminuição da quantidade de caças na
região, obrigou os Homo Erectus a desenvolver uma agilidade mental e um refinamento
em seus instrumentos, evoluindo suas capacidades intelectuais até que foram
considerados Homo Sapiens pelos cientistas.
Não se discute que na sua origem os seres humanos agiam por instinto,
obedecendo predisposições inatas e padrões comuns para a realização de ações
naturais. Segundo o psicólogo W. McDougall, o cerne do instinto, é a reação
emocional automática mediante certos estímulos, conforme sua natureza.
A biologia nos ensina que o
surgimento dos seres vivos a partir dos monocelulares, e seu desenvolvimento
progressivo para multicelulares e seres orgânicos, demonstra a existência de um
princípio inteligente universal, presente em todas os seres vivos de todas as
espécies, dos vegetais aos animais que é o responsável pela aquisição das
demais conquistas intelectuais dos seres humanos.
O princípio inteligente criador da vida da vida
deixou uma riqueza de evidências de sua existência na criação. Vastas
impressões evidenciam essa inteligência em cada célula viva. É amplamente
conhecido que o DNA é um dispositivo de armazenamento de informações complexas
e especificas que codifica a informação para produzir proteínas e promover
muitos processos altamente complexos nas células.
O que é menos conhecido, é que existem vários
outros sistemas de códigos, nomeadamente: o código de ligação de histonas,
código de ligação do fator de transcrição, o código de splicing, o código de
estrutura secundária de RNA, e o código ultra complexo e ainda não decifrado
glycans.
Richard Dawkins, biólogo e professor
de zoologia, nascido em Nairóbi em 1941, autor do livro “O gene egoísta”, assim
expõe a função genética de se replicar através das gerações, carregando em seu
código os conhecimentos adquiridos com a evolução da espécie: “A
transmissão cultural não é privilégio dos homens. O melhor exemplo que conheço
de sua ocorrência entre animais foi o descrito recentemente por P. F. Jenkins e
diz respeito ao canto de um pássaro, o “Philisternus carunculatos” que habita a
Nova Zelândia ... havia um repertório de nove canções diferentes, Cada macho
cantava apenas uma ou algumas dessas canções ... Comparando as canções de pais
e filhos, Jenkins mostrou que os padrões melódicos não eram herdados
geneticamente ... ocasionalmente tinha o privilégio de testemunhar a invenção
de uma canção nova.
Dawkins diz que podem existir outros replicadores, e menciona: “Penso
que um novo tipo de replicador surgiu recentemente neste mesmo planeta. Está
bem diante de nós. Está
ainda na sua infância, flutuando ao sabor da corrente no seu caldo primordial,
porém já está alcançando a mudança evolutiva a uma velocidade que deixa o velho
gene ofegante, para trás.
Dawkins chamou esse novo replicador
de “meme”, nome que guarda relação com “memória”, por ser basicamente uma
replicação de ideias que passam de um indivíduo a outro. Como os demais
cientistas, não explica como surgiu a ideia original ou, a música original.
Existem muitos e detalhados estudos
científicos sobre o instinto e o desenvolvimento intelectual dos seres vivos,
entre os quais escolhemos o resumo e alguns extratos do estudo do Professor doutor da Faculdade de Educação, Universidade do Estado
de Santa Catarina, Brasil, José Claudio Morelli Matos, que nos mostra pontos
relevantes de uma comparação entre pensamento de David Hume (1711/1776),
filósofo escocês e, de Charles Darwin (1809/1883), naturalista,
biólogo e geólogo inglês, no que diz respeito às capacidades cognitivas humanas
e de outros animais, como segue:
Hume tem uma teoria que explica o conhecimento causal
em termos de um instinto natural – o hábito. A presença de tal instinto pode
ser entendida remetendo-se a uma teoria geral da natureza, onde o mundo é
entendido como governado por leis e regularidades constantes, e sem a suposição
da interferência de um plano ou desígnio. Isto conduz Hume à aproximação entre
a capacidade cognitiva humana e a de outros animais, que também manifestam um
aprendizado instintivo do tipo causal.
Darwin, por sua vez, menciona uma graduação de
diversas capacidades de conhecimento, diferenciando a ação instintiva da ação
que resulta de deliberação e inferência; e aponta para o fato de que muitos
animais apresentam um grau significativo de comportamento inteligente. Seu
mecanismo de evolução por seleção natural pretende explicar essas
características, tanto no homem como nos animais.
Disso resulta uma corrente que tem recebido o nome de
“Epistemologia Evolutiva”, a qual, ao seguir Darwin, carece de uma
interpretação mais detalhada do pensamento de Hume, que poderia, supõe-se,
oferecer elementos para o tratamento de questões epistemológicas tais como a da
capacidade para o conhecimento causal.
Epistemologia, em sentido estrito,
refere-se ao ramo da filosofia que se ocupa do conhecimento científico; é o
estudo crítico dos princípios, das hipóteses e dos resultados das diversas
ciências, com a finalidade de determinar seus fundamentos lógicos, seu valor e
sua importância objetiva. (fonte: Wikipédia)
De modo geral, uma caracterização bastante aceita
seria aquela feita por Donald Campbell: “Uma epistemologia evolutiva será, no
mínimo, uma epistemologia que toma a cognição como compatível com o estatuto do
homem, como um produto da evolução biológica e social [...]. Uma tal
epistemologia tem sido negligenciada nas tradições filosóficas dominantes”
(Campbell, 1974, p. 413).
Assim, as estruturas de conhecimento no ser humano, e
as similares em outros seres vivos, são explicadas levando-se em conta o seu
desenvolvimento por meio de processos naturais, tais como a seleção natural. É
este ponto de vista que aqui está sendo enfocado, e que Hume, segundo a leitura
naturalista, desenvolve na “Investigação acerca do Entendimento Humano”, assim
como Darwin em “A ascendência do homem”.
Ao analisar o quanto o ser humano deve à natureza por
suas capacidades de conhecimento, procura-se por um caminho que integre as
diversas linhas de investigação, em busca de uma visão mais completa do lugar e
da relação do ser humano com o mundo natural.
As teorias de Darwin e Hume, bem como um universo de
outros estudos, tratam instinto e o desenvolvimento intelectual como fenômeno
progressivo da mesma natureza, sem ferir os escrúpulos das ciências. Todavia,
temos que admitir que a matéria é extremamente complexa, cabendo considerações
outras, mesmo quando não plenamente aceitas pelas ciências. Vejamos:
- Vida
Extra Física
Dado os
argumentos acima, junto com o fato de que a raça humana tem sido capaz de
sobreviver e prevalecer evoluindo enquanto espécie, parece inevitável concluir
que existe alguma forma de vida extrafísica agregada ao corpo material que
processa e armazena o conhecimento para tornar essa evolução contínua possível.
Convém lembrar que a biologia nos
ensina que o surgimento dos seres vivos e seu desenvolvimento progressivo demonstra
a existência de um princípio inteligente universal, presente em todas os seres
vivos de todas as espécies, dos vegetais aos animais e, que é o responsável
pela aquisição das demais conquistas do desenvolvimento físico e intelectual.
Em outras
palavras, o modelo científico do pensamento humano pressupõe uma forma de
cognição extra cerebral que migra de um para outro corpo, evoluindo
constantemente. Essa perspectiva é substanciada por diversos estudos, incluindo
autores que não se filiam a qualquer tipo de abordagem dos processos mentais
baseada no processamento de informações (Cole & Englestrom, 1993; Hutchins,
1995a, 1995b; Kirsch, 1995; Lave, Murtaugh & de la Rocha, 1984; Pea,
1993; Turner, 1996).
Adotando-se
uma abordagem construtivista, pode-se dizer que a cognição ocorre através da
interação entre um indivíduo cognoscente e um objeto cognoscível. Nesse
sentido, o conhecimento é algo que é construído por alguém a partir de algum
tipo de troca com um ou mais objetos (Bruner, 1997; Luria, 1976; Piaget, 1977;
Vygotsky, 1984).
Com base
no pressuposto de que o cérebro não oferece capacidade de processamento de
dados em quantidade suficiente para atender às exigências impostas pela
necessidade de sobrevivência e bem-estar, conclui-se que algo fora do cérebro
fornece essa capacidade adicional necessária, e que para processar informação é
preciso que esse algo funcione como uma estrutura organizada e perene para
transferir os conhecimentos às próximas gerações. O cérebro não é perene.
Combinando
todos os elementos acima, tem-se um retrato da cognição humana, onde existe um
indivíduo interagindo com um dado objeto cognoscente através de uma estrutura
extra cerebral processadora de dados presente no ambiente. Todo esse processo
pode ser chamado de "Mediação Cognitiva”.
Fato comprovado é a existência de
uma memória extra cerebral (MEC) que interfere de forma ativa nas reações
psíquicas do ser pensante, sendo causa e recurso para tratamento de psicoses e
traumas através da Terapia das Vidas Passadas, com farta literatura a respeito,
o que não permite descartar a tese de que a evolução intelectual acumula
conhecimentos adquiridos em existências consecutivas.
Podemos concluir que o instinto e a
inteligência são a mesma coisa, isto é, o cabedal de conhecimentos que define o
estágio intelectual de seu portador que evolui na medida em que adquire
cognição através de novas experiencias físicas e sociais no correr dos tempos,
e que não se perde com a morte física.
A teoria do Design
Inteligente
Dados os avanços
científicos, e as inegáveis descobertas acerca da natureza dos seres vivos que
se opõe à tradição bíblica, surgiu dentro da Igreja Católica Apostólica Romana
um outro conceito tido como científico, que defende a tese de que existe por traz
da evolução, um “Design Inteligente”, que mesmo sem explicitar Deus como o
autor, conduz a ideia de que os seres humanos são resultantes de um projeto
transcendente, e não de fenômenos bioquímicos naturais.
O bioquímico americano Michael J. Behe publicou em 1996 o livro “A
Caixa Preta de Darwin”, onde afirma que a natureza exibe evidências de design inteligente que vão muito além do acaso darwinista, na defesa
a criação por ação divina.
Em um amplo espectro científico, a obra se
estabeleceu como o texto básico e fundamental do design inteligente (DI), argumento que se contrapõe a
tese da evolução das espécies segundo propôs Darwin, a qual considera
insuficiente para explicar a evolução humana da forma que hoje a conhecemos.
No posfácio da edição comemorativa do 10º
aniversário do livro (2006), o autor explica que a complexidade descoberta por
microbiologistas cresceu drasticamente desde a publicação de seu livro, e como
essa complexidade irredutível tem sido um desafio ao darwinismo, que tem
falhado em explicá-la.
Na edição de 2019, Behe reforça o poder crescente
de seus argumentos, ao seu ver tão atuais e devastadores em 2019 quanto eram em
1996, e comemora o crescimento da aceitação do Design Inteligente no Brasil e
no mundo. O livro “A Caixa Preta de Darwin” aborda as lacunas existentes na
tese da evolução das espécies, e para seu defensor, é ainda mais importante
hoje do que era em 1996.
A partir da publicação do
livro, a Teoria do Design Inteligente ganhou força entre os leigos, dando
credibilidade aos criacionistas que opunham dúvidas aos fundamentos de Charles
Darwin.
Não obstante as
manifestações contrárias da comunidade científica, Behe manteve-se firme,
tentando dar caráter científico ao tema, embora não defina em termos acadêmicos
a identidade do projetista inteligente e não descarta o conceito do ancestral comum.
É, portanto, um conceito híbrido que não descarta a evolução, mas não aceita
a criação como um fenômeno natural, como se natureza não fosse obra divina.
A CONCEPÇÃO ORIGINAL DE
DEUS
Ao adquirir percepção e
consciência, o ser humano concebeu as divindades conforme a cultura e
circunstâncias da sociedade em que vivia, e buscou a proteção divina para
satisfação das necessidades de sobrevivência e segurança.
Deus na Pré-história
Já na idade da pedra
lascada (Paleolítico), a humanidade cultuava a Natureza da Terra e seus ciclos
de fertilidade. O culto à Deusa Mãe, Mãe Terra ou Mãe Cósmica representa a
primeira concepção de deidade conhecida, como provam os resíduos arqueológicos de
estatuetas femininas tidas como deusas, provavelmente em função da geração e
preservação dos filhos.
A organização social
pré-histórica era o Matriarcado, onde a mulher-mãe tinha posição dominante na
família e na comunidade, mantendo a custódia da descendência. Todo poder tribal
era exercido pelas mulheres do grupo.
O papel da Deusa Mãe
foi representado no hinduísmo, pela deusa Kali; na Grécia, pela deusa Têmis; na
China, por Nu Kua; e na Babilônia, por Tiamat. As divindades eram quase que
exclusivamente femininas.
Na evolução da
pré-história para as civilizações antigas, o poder divino passou a ser
conferido a um diversificado panteão de Deusas e Deuses representativos das
forças naturais, mas como eram comuns saques e guerras entre os grupos humanos,
e a liderança de forças beligerantes não condizia com a fragilidade feminina, a
posição divina passou a ser ocupada por figuras predominantemente másculas para
proteger e liderar as tropas nos conflitos armados.
A concepção dos deuses
era criada e implantada por líderes do grupo social que arvoravam possuir
comunicação com eles, adquirindo carisma e transmitindo mensagens e ordens que
se constituíam em leis sociais, como veremos nas sociedades antigas.
Deus na Suméria
A Suméria é a mais
antiga organização social de que existem registros, estabelecida com a fixação
do homem a terra entre os rios Tigre e Eufrates, por volta de 4 mil anos antes
de Cristo.
Inúmeras conquistas são
creditadas aos sumérios, inclusive a escrita, a organização social e a presença
da fé religiosa, como narra o historiador inglês Arnold Toynbee (1889/1975), em
seu livro “A Humanidade e a Mãe Terra”.
Nas escavações
arqueológicas da Suméria foram encontrados os primeiros documentos decifráveis
da escrita e da língua dos sumérios que trazem informações importantes sobre a
religião e outros aspectos da vida dessa sociedade. Nesses documentos
encontra-se a descrição de um panteão de Deusas sumérias que representavam as
forças criadoras da Natureza, dando a entender que essa tenha sido a sua função
original.
Segundo Toynbee, “A conquista da aluvião (área fecundada nas enchentes) pelo
homem deve ter sido planejada por líderes que tiveram imaginação, previsão e
autocontrole para trabalhar por recompensas que seriam lucrativas em última
instancia”.
“Os planos dos líderes
não teriam passado de sonhos irrealizados se eles não houvessem sido capazes de
induzir grande número de seus companheiros a lutar por objetivos que,
provavelmente, eram incompreensíveis para estes últimos. A massa deve ter tido
fé em seus líderes, e essa fé deve ter sido fundada na fé em deuses, cuja
potência e sabedoria eram realidades, tanto para os líderes, quanto para seus
seguidores ...”
” Ao cultivar a
aluvião, os sumérios foram a primeira sociedade do Velho Mundo a produzir um
excedente acima dos requisitos anuais para a mera subsistência. Esse excedente
não era distribuído igualmente entre todos os membros da sociedade que haviam
contribuído para a produtividade de várias formas e vários graus ... de
qualquer forma, a minoria governante recebia o excedente econômico da
agricultura na aluvião, e gastava o tempo assim obtido não apenas na execução
de serviços públicos, mas também desfrutando de luxos particulares.”
Os que ostentavam o
poder de representar os Deuses gozavam de privilégios, e sem produzir, se
apropriavam do excesso de produção, isto é, das riquezas produzidas! Portanto,
falar com Deus era um artifício de conveniência, cuja concepção tinha
exclusivos objetivos de poder.
Na prática, a natureza
produzia o milagre, o trabalho humano era explorado, e os sacerdotes detentores
do poder político usufruíam das vantagens materiais!
Deus nas Sociedades
Antigas
Deus no Egito
A cultura da Suméria
influiu no surgimento da civilização egípcia, tida como a segunda mais antiga
das civilizações regionais. A civilização se expandiu da Suméria – Acádia para
o Egito, onde os governantes ou sacerdotes também fundamentaram seu poder na
intimidade com Deuses que o povo nunca viu ou ouviu, mas cuja relação garantiam
aos Sacerdotes inequívocas vantagens materiais! No Egito, como na Suméria, os
deuses representavam as forças da natureza e influíam na condução
político-econômica dessas sociedades.
O conhecimento para
dominar o cultivo da terra promoveu uma reviravolta nas relações do homem com a
natureza, transferindo o poder divino das deusas ancestrais para figuras
másculas, mais adequadas a servirem como patronos exclusivos de um estado
soberano que “representados” pelos sacerdotes protegiam o povo e seus soldados
em disputas por poder e riqueza.
“Rá”, é o primeiro Deus
do Panteão de deuses Egípcios, o criador do mundo, representado como o sol, ou como a
cabeça de uma ave de rapina em um corpo humano. Para os egípcios, os faraós
eram sua reencarnação.
O faraó Hórus
(3200/31590 a.C.), que segundo a mitologia egípcia, era filho do Deus Osíris e
de Isis (humana), reunia as características divinas e humanas, sendo o
responsável pela unificação política do Alto e Baixo Egito, quando se deu
início à sua adoração, e de uma dinastia de faraós como Deuses humanos vivos,
ao lado dos abstratos deuses mais antigos que viviam na imaginação do povo.
O Egito faraônico durou
de +- 3.000 até 30 a.C., e embora fragmentado por quedas e ascensões
temporárias, representa um período de fartura dos meios materiais sem
precedentes, graças ao poder concentrado em mãos de um governo centralizador e
habilidoso, o que garantia ao faraó e seus cortesões, uma existência de fausto
e extravagâncias bem conhecidas.
Sabe-se que devido a
sua capacidade produtiva, o Egito atraiu a migração de outros povos vindos de
todas as partes do mundo. A supremacia política do Egito sobre as terras da
Palestina e da Síria foi imposta durante o reinado de Tutmés I, (1.528 – 1.510 a.
C), onde se encontravam os povos árabes e judeus, e teve seu apogeu até a
ascensão de Aquenaton, cujo reinado durou de +-1367 1350 a. C.
O Egito absorveu uma
grande diversidade cultural, podendo ser considerado o primeiro império
ecumênico. Todavia, o absolutismo da monarquia faraônica no campo político,
encontrava resistência no âmbito religioso.
Aquenaton enfrentou os
sacerdotes, ou a ala eclesiástica do “poder público” por ser forçado a dividir
o poder com os múltiplos Deuses, posto que nem mesmo o poder do faraó era
suficiente forte para prevalecer sobre o panteão de Deuses tradicionais.
Criou-se o clima
adequado para que se promovesse a Reforma Religiosa de Amarna, capital do
antigo Egito (1353–1335 a.C.), que elegeu Aton, uma metamorfose de Rá, como o
Deus Único, e determinou que o rei Aquenaton era o seu representante terrestre,
que se declarou monoteísta movido mais pela busca de poder absoluto, do que por
razões teológicas.
Para conciliar as
diferentes correntes, estabeleceu-se uma nova teologia na cidade sagrada de
Heliópolis na transição da quarta para a quinta dinastia onde pontificava Aton.
Estes são os registros
históricos de como surgiu a concepção de um Deus único no Egito, e como essa
ideia foi usada como um artifício político para Aquenaton obtivesse o poder
absoluto.
Deus dos Hebreus
Segundo a tradição
israelita, Moisés foi educado no Egito, e se a concepção de um Deus único
sobreviveu até hoje, certamente se deve a ele, que conduziu o povo judeu para a
Terra Prometida orientado diretamente Deus.
O Êxodo narrado no
Velho Testamento relata que Moisés concertou um pacto entre Israel e Deus,
autodenominado Jeová (Êxodo 34-6), que os israelitas não conheciam
anteriormente, e cujo nome significa “Vida” ou, Doador da Vida”, os mesmos
atributos de Aton (Rá).
A concepção definitiva
de um único Deus masculino, segundo Joseph John Campbell (1904/1987), estudioso
americano de mitologia e religião comparativa, deve-se à sociedade patriarcal
dos hebreus.
Entre as civilizações
antigas que ainda sobrevivem, e nas civilizações modernas, a tradição herdada
dos Judeus exerceu e, ainda exerce profunda influência na organização social
pela força dos personagens de sua história, e igualmente, por força da tradição
religiosa transferida pela Bíblia.
Portanto, para melhor
focar a concepção de Deus na cultura ocidental é imprescindível examinarmos os
textos tidos como sagrados, e que fundamentam as principais doutrinas
religiosas.
Nos cinco livros do Velho Testamento vimos
claramente que a ideia de Deus para os Hebreus é um Deus só deles, totalmente
parcial, presença constante nos principais momentos de sua história, e criador
de todas as leis e comandos dados ao povo Hebreu, que se acredita como o “povo
escolhido” por Deus, a quem foi concedido o direito de ocupar a terra
prometida.
Depois de 400 anos de
escravidão, os hebreus foram libertados por Moisés, que, segundo a narrativa
bíblica, foi escolhido por Deus para tirar seu povo do Egito e levá-los
novamente à terra prometida aos seus antepassados (cerca dos séculos XIII e XII
a.C.).
O êxodo ocorreu cerca
de 1300 a.C., e durante 40 anos os hebreus percorreram o deserto do Sinai, onde
receberam de Deus a Torá (Pentateuco) que definiu os seus mandamentos, e deu
forma e conteúdo à fé monoteísta.
Com a morte do rei
Salomão (930 a.C.), o reino se dividiu, ficando Israel com dez tribos ao norte,
e Judá, com duas tribos ao sul. A paz em Canaã durou até a invasão do exército
do Império Assírio (em 721 a.C.), e logo após, a destruição pelo Império Babilônio
(em 587 a.C.). Os gregos dominaram a região de 535 a.C. até 142 a.C., e os
romanos de 63 a.C. até 313 d.C.
O povo hebreu se
dispersou desde as primeiras escaramuças pelos países do Oriente Médio, Europa
e África, mas apesar dos séculos na “diáspora”, a religião manteve a união dos
remanescentes como uma nação sem território. Ao recuperar o território em 1948,
recuperou o status de país, e estimulou o retorno de seus cidadãos nascidos em
outros países, inclusive no Brasil.
A religião fundada na ideia de Deus único têm sido
o principal catalizador político e social de Israel, tendo como agentes os
rabinos e como base as sinagogas existentes em muitos países.
Embora Israel afirme ser um estado democrático nos
dias de hoje, a ideia de Deus e seus mandamentos exerce forte influência na
política e legislação do estado judaico.
Deus no Império Romano
Embora Roma e Grécia fossem países distintos e com idiomas próprios,
formaram por longo tempo uma aliança que exerceu enorme influência na
civilização ocidental e até em alguns povos do oriente médio.
Ambos os povos eram politeístas,
ostentando em seu panteão uma enorme quantidade de Deuses representativos das
forças da natureza, em muitos casos apenas com nomes diferentes como:
Júpiter-Zeus; Netuno-Poseidon; Baco-Dionisio; Vênus-Afrodite, e Cupido-Eros, só para mencionar os mais populares.
O Império Romano permaneceu politeísta até o século IV de nossa
era, quando o Imperador Deocleciano instaurou uma monarquia absolutista, e
declarou-se descendente de Deus, tendo o exército e a religião como como
garantia do seu poder despótico, acabando por criar uma divindade sincrética: o
“Sol Invictus”. Seu reinado durou do ano de 284 a 305 de nossa era.
Após anos de guerra civil, com uma sequência de imperadores pouco
expressivos (Constâncio Cloro – 305-306; Galério – 305-311; Flávio Severo –
308-312; e Maxcêncio – 306-312), Constantino tornou-se imperador (306-337) e
proclamado “Augusto”, promulgou em 313 d.C. o édito de Milão por motivos
predominantemente políticos, liberando a prática do cristianismo já bastante
adotada pelos romanos, inclusive pelas tropas.
Teodósio, mediante o édito de Tessalônica, em 380 d.C., tornou o
cristianismo a religião oficial do império sob a denominação de Igreja Católica
Apostólica Romana, que pretendia ser mundial (significado de “católica”),
embora coexistirem três patriarcas: Roma, Alexandria e Constantinopla
(Ortodoxa).
O patriarcado de Alexandria perdeu expressão pela adesão do Egito
ao Império Muçulmano em 641 d.C., e o de Constantinopla foi excomungado em 1054 pelo cardeal romano Humberto,
passando então a existir um único papa.
Convém considerar que embora haja dissidentes, a concepção de Deus
no cristianismo romano é trinitária em função da deificação de Jesus e a
incorporação do Espírito Santo em Deus, numa interpretação “dogmática” de
expressões pouco claras do velho e novo testamento, adotada no concílio de
Niceia em 325 d.C., e confirmada no concílio de Constantinopla em 381 d.C.
Podemos dizer que o Império Romano se tornou monoteísta
“trinitário” assumindo o Deus do cristianismo por razões políticas e
econômicas, e instituiu a Igreja Católica Apostólica Romana, substituindo
paulatinamente os exércitos pelo clero para o domínio dos povos e cobrança do
dízimo ao redor do mundo.
Assim, a ideia de Deus consubstancia a presença de Roma em todo o
mundo cristão, influenciando o povo, patrocinando o poder, e arrecadando o
dízimo nos moldes do antigo império.
Deus da Península Arábica
Os povos árabes dispersos em tribos eram
politeístas até que liderados por Abu Alcácime Maomé ibne Abdalá
ibne Abedal Motalibe ibne Haxime, conhecido em português como Maomé (571-632
d.C.), os unificou em torno da religião Islâmica, doutrina que consolidou
através do Alcorão.
Maomé é o
mais recente e último profeta do Deus de Abraão. Para os muçulmanos, Maomé foi
precedido em seu papel de profeta por Jesus, Moisés, Davi, Jacó, Isaac, Ismael
e Abraão, e é considerado como o ser mais perfeito que viveu entre nós.
A palavra árabe Islam significa “submissão a Deus”. Os seguidores
dessa religião são chamados de maometanos (seguidores de Maomé) ou muçulmanos
(palavra francesa que vem do árabe “Muslim” e que significa “aquele que se
entrega de corpo e alma a Deus”). A teologia islâmica identifica Deus descrito
no Alcorão como o Deus de Israel que concertou com Abraão.
Porém, segundo Francis E. Peters (1927/2020), professor de história
e religião da Universidade de New York, o Alcorão define Alá como muito mais
poderoso, quanto mais remoto que o Deus da Bíblia Hebraica.
O Islamismo, como o Judaísmo, rejeita a Santíssima Trindade,
ensinando que Alá é uma entidade singular ao lado da qual ninguém mais pode ser
adorado. Ressalta-se o rigor idólatra a
Alá e ao profeta Maomé, e para os grupos mais radicais, quaisquer sinais de
desrespeito ou desvios de conduta podem significar a condenação à morte.
Embora haja diferenças no rigor das
manifestações doutrinárias, Alá é o catalizador da unidade dos povos árabes,
habilitando um pacto político de vários países do Oriente Médio, cujo regime
político da maioria é teocracia, onde pontifica a autoridade dos Califas,
Xeiques e Aiatolás, representantes de Alá.
Deus na China
Não se pode dizer que existe uma concepção de Deus plenamente definida na
China. A vasta extensão territorial e as muitas culturas asiáticas forjaram um
sincretismo entre a mitologia e o culto dos ancestrais, destacando o Budismo, o
Taoísmo e, o Confucionismo.
A mitologia chinesa antiga considerava Nu
Kua, metade humana e metade serpente, a Deusa que criou a humanidade há cerca
de seis ou sete mil anos, um mito universal da antiguidade de que todos os
seres eram provenientes de uma Mãe Cósmica, cultuada na ´Índia como
Kalil, na Babilônia como Timar, no Egito como Têmul, e como Têmis na Grécia
pré-helênica.
Convém considerar que tanto o Budismo, o Taoísmo e o Confucionismo não
incluem a concepção de um Deus único, admitindo em certas versões, a presença
de ancestrais e divindades míticas dedicadas a transmitir sabedoria e
orientação para o comportamento das pessoas.
Embora não seja propriamente uma religião, é oportuno expor sumariamente
o Confucionismo: O confucionismo foi fundado pelo filósofo
chinês Confúcio, por volta do século V a.C. e, por mais de dois mil anos, foi a
principal doutrina da China.
No
Confucionismo não existe um deus criador do mundo, nem uma igreja
organizada
ou sacerdotes. O alicerce místico de sua doutrina é a busca
do Tao, conceito herdado de pensadores religiosos anteriores a Confúcio. O Tao
é a fonte de toda a vida, a harmonia do mundo.
Considerado um guia espiritual e uma figura filosófica que
instrui seus seguidores a buscar a harmonia em suas vidas, Confúcio se dedicou
ao estudo e à reflexão sobre os problemas sociais e políticos de sua época,
buscando soluções para promover a estabilidade e a harmonia na sociedade. (fonte: Exame)
Os cultos religiosos chineses celebravam um Deus central – Shangdi ou
Tian – rodeado de demônios e divindades, mitos, sábios e ancestrais, tradição
que permaneceu até a queda do Império, em 1911, todavia, sem a conotação de um
poder absoluto, em nada semelhante à cultura judaica.
Deus na Índia (tradicional)
O hinduísmo é a doutrina religiosa mais antiga do mundo, com mais de 33
deuses. Esses deuses são chamados de Devi no masculino, e de Deva no feminino,
sendo três os principais: Brahma, Vishnu, e Shiva, conforme os “Vedas”, que é
para o Hinduísmo, o mesmo que o Velho Testamento para os Hebreus, escrito por
sábios há 3.500 anos, no noroeste do subcontinente indiano, habitado por tribos
indo-europeias que conquistaram toda a bacia do rio Indo.
Os Vedas, dividem-se em quatro coletâneas de hinos e cânticos (Rig Veda,
Yajur Veda, Sama Veda e Atharva Veda) dirigidos às suas divindades.
Literalmente, Veda significa “conhecimento”. Um conhecimento de ordem
essencialmente mítica e espiritual, devido à crença, entre os hindus, de que as
compilações védicas não são inspiração humana, mas nascidas da própria boca de
Brahma. Nos Vedas encontramos
muitos e variados nomes para Deus, um para cada qualidade. Como Deus tem
qualidades ilimitadas, existem ilimitados nomes.
Brahma é o deus que criou o cosmos e todo o
universo. É o primeiro da trindade Hindu, conhecido por ser o deus da criação,
da criatividade e do intelecto. Ele possui quatro rostos, que simbolizam as
escrituras sagradas do hinduísmo, e quatro mãos, que carregam um rosário, um
vaso de água, um livro e um lótus.
Vishnu é o Deus protetor, uma das três deidades supremas do
hinduísmo, o Deus supremo do Vishnuvismo. Suas qualidades são incontáveis,
porém as seis principais são: Jnana (Onisciência); Aishvarya (Soberania),
Shakti (Energia – Onipotência), é capaz de fazer possível o impossível; Bala
(Força), é capaz de suportar qualquer coisa apesar de fadiga ou cansaço; Virya
(Vigor), é capaz de manter a imaterialidade; Tejas (Esplendor), é
autossuficiência.
Enquanto Brahma é o deus da criação, e Vishnu é a preservação da
vida, Shiva veio para ser a destruição da vida e completar a trindade Hindu.
Ele é considerado tranquilo e protege seus seguidores dos males. Ele não traz o
caos, mas a ordem. Seu papel é destruir o universo, para que Brahma possa
criar, mantendo um ciclo de destruição, criação e proteção.
A exemplo da cultura chinesa, na cultura hindu, a concepção de Deus
tampouco é semelhante a existente nas religiões judaico-cristãs. Não há poder
absoluto nem presença ativa na vida das pessoas, mas uma tradição moral que as
orienta na busca da paz pessoal.
Deus na Índia - Sikhismo
É uma doutrina relativamente nova, surgindo na Índia, nos anos 40,
baseada nos ensinamentos do Guru Nanak e seus dez sucessores, que desempenharam
importante papel na política regional. e foram uma influência significativa na
independência da Índia em 1947.
A concepção de Deus no Sikhismo é monoteísta,
simbolizado por "Ik Onkar" (um Deus), como dogma central. O princípio fundamental do siquismo é que Deus existe,
indescritível e ainda assim compreensível e perceptível a qualquer um que
esteja preparado a dedicar o tempo e a energia para se tornar capaz de perceber
sua personalidade.
Os gurus do sikhismo têm descrito Deus de diversas maneiras
conforme os hinos incluídos no Granth Sahib, a escritura sagrada do sikhismo,
mas a singularidade da divindade é consistente e enfatizada constantemente.
O Guru Arjan Nanak V, diz: "Deus está além da cor e da
forma. Todavia, sua presença é claramente visível", e "O deus de
Nanak transcende o mundo assim como as escrituras do leste e do oeste, e ainda
assim ele/ela claramente manifesta-se".
“O conhecimento da realidade definitiva não é um assunto para a
razão; ele vem pela revelação da realidade definitiva através do “nadar”
(graça) e pelo “anubhava” (experiência
mística).
"Ele/ela se faz conhecer quando ele/ela assim deseja, através
da devoção".
O Sikhismo
indica que os seres humanos estão separados de Deus por serem egocêntricos. Na
religião sikh, “haumai” é a palavra que denomina o egocentrismo humano,
e “samsara” significa o ciclo de renascimentos em que
os seres humanos ficam presos por serem individualistas. A libertação é a união
com Deus, que se revela aos homens por sua graça, que é denominada “Nadar”.
Portanto,
para uma boa parte dos indianos, Deus é único, está além de nossa compreensão,
e espera que os seres evoluam moralmente para se libertarem dos ciclos de vida
material e se unirem a ele.
Deus não
interfere diretamente na vida física das pessoas, mas aguarda a elevação
espiritual para recebê-las na vida espiritual.
Deus no Japão
A origem
da civilização japonesa é bastante imprecisa. Os historiadores indicam que os primeiros
ocupantes do arquipélago japonês apareceram entre os séculos VI e III a.C.
De acordo com a tradição religiosa do Japão, existem oito milhões
de deuses e espíritos, e a maioria das histórias diz respeito à criação do
mundo, à fundação das ilhas do Japão e às atividades de seres humanos, animais,
espíritos e criaturas mágicas.
Os deuses e divindades são chamados de Kami, inclusive os do
universo “Shinto”, “Buddha” e “Bodhisattva”. Os Kami são seres com poderes
supremos, e a força da natureza é sua manifestação.
Acredita-se que existem oito milhões de kami no Japão, e todos são
deuses ou semideuses, mas isso não significa que eles sejam necessariamente
bons, até porque, o conceito de bom e mau é um conceito humano, e os deuses
estão acima da humanidade, e podem transcender a dualidade.
Muitos deuses do Japão foram influenciados pelas culturas chinesa,
indiana, budista e até mesmo deuses gregos e romanos, não havendo, portanto, um
Deus único.
Todavia, a lenda japonesa indica que o imperador teve relações
conjugais com Amaterasu Omikami – a Deusa do Sol - ao ser empossado, de quem os
conservadores acreditam que a família imperial seja descendente.
É o processo mais abertamente religioso da série de rituais que
marcam a ascensão do imperador conforme apresentado nos livros didáticos
anteriores à Segunda Guerra Mundial, época em que o imperador era considerado
divino.
Assim, durante séculos e até hoje, o poder de estado no Japão tem
sido patrocinado por uma deidade feminina submissa à família imperial, embora
lembre o passado e viole a separação constitucional entre Igreja e Estado em
vigor.
Deus na cultura Asteca
Os Astecas habitaram o centro-sul do México atual.
Provinham de Azatlan, e sua mitologia era rica em deuses e criaturas
sobrenaturais, sendo, portanto, politeístas.
Algumas divindades eram os elementos naturais como
a água, a terra, o fogo, o vento e a lua. A divindade também era atribuída a
coisas que lhes causavam medo, como a morte e aos antepassados. (Fonte:
Wikipedia)
Os Deuses tinham forma humana, mas com partes de
animais, e sempre ligados às forças da natureza, e com reações humanas.
Os principais Deuses, entre mais de uma dezena
eram:
– Quetzalcóatl:
representado no formato de “Pássaro Serpente” com copo humano era o principal
deus da religião asteca. Representava a vida, a vegetação, os alimentos e a
força espiritual existente nos indivíduos. Também representava o planeta Vênus.
– Huitzilopochtli: era o deus da guerra e do
Estado Asteca. Era o deus padroeiro da cidade de Tenochtitlán.
– Tlaloc: deus da chuva que detinha o poder
de produzir os relâmpagos e trovões. Era muito temido, pois também representava
algumas doenças. Por representar a chuva, era muito cultuado entre os
agricultores astecas.
– Tezcatlipoca: criador do mundo, era o deus
das estrelas e da lua. Senhor da morte, era muito temido pelos astecas.
Assim como os romanos, os astecas incorporavam à
sua religiosidade os Deuses dos povos que conquistavam. Seus rituais eram
voltados a agradar ou acalmar a ira dos Deuses, incluindo o sacrifício de
animais e de seres humanos.
A sociedade asteca era rigidamente hierarquizada,
com o
imperador acima de todos, pois era considerado um representante dos deuses. Abaixo
dele encontrava-se a aristocracia composta por militares, sacerdotes e altos funcionários
públicos.
Os sacerdotes usufruíam de privilégios e possuíam poderes místicos como
representantes dos Deuses.
Os Astecas faziam oferendas em cerimônias místicas
para agradar e apaziguar os Deuses, mas não há registro de interferência direta
na vida das pessoas, embora ligados nas esferas do poder.
Deus na cultura Inca
Na cultura Inca, o criador supremo do mundo era Viracocha, que
criou os homens a partir do barro, e os colocou em cavernas, de onde eles
saíram para o mundo exterior. Ele também criou o sol, a lua e as estrelas
extraídos do Lago Titicaca.
A divindade mais importante para os incas, no entanto, era Inti, o
Deus do Sol, que enviou seus filhos, Manco Cápac, e sua filha Mama-Quilla,
deusa da Lua, da fertilidade, do casamento e das mulheres para uma Terra
caótica e escura.
Manco Cápac e Mama-Quilla chegaram erguendo-se das águas do lago
Titicaca, em busca de um lugar para estabelecer seu reino, e seguiram em
direção noroeste, até o vale do rio Huatanay. Manco revirou a terra com seu
cajado, encontrou solo espesso e fértil e chamou o local de Cusco ("umbigo
do mundo").
Cusco se tornou o centro do poder, da religião e da cultura inca.
Manco Cápac se tornou rei e passou a ensinar a arte da civilização para os
homens.
Todos os reis incas se consideravam descendentes de Manco Cápac.
(fonte: Wikipedia)
Mais uma civilização antiga onde o rei, detentor do poder, era
considerado divino.
Deus na Cultura Maia
A
civilização Maia habitava a região da América Central e América do Norte,
apenas em parte do território em que hoje está localizado o México e teve seu
auge entre 250 d.C. e 900 d.C.
Os Maias
eram politeístas, assim como outros povos mesoamericanos, e consideravam
que os seus deuses habitavam em um local chamado Tamoanchan, um paraíso
mitológico, e acreditavam que os acontecimentos do mundo natural eram regidos
por forças espirituais e
pelo poder dos ancestrais. Além disso, pensava-se que os locais
da natureza eram locais sagrados.
A religião
maia incluía a crença de que os sacrifícios humanos eram importantes para
garantir que os deuses estivessem satisfeitos e garantissem o funcionamento do
universo. Costumavam sacrificar prisioneiros de guerra e pessoas que se
entregavam voluntariamente ao sacrifício.
Os
sacrifícios aconteciam em rituais bastante violentos e as formas mais comuns de
sacrifícios eram a decapitação e a retirada do coração enquanto a pessoa
estivesse viva. As cerimônias religiosas dos maias também eram marcadas pelo
consumo de substâncias alucinógenas. Os rituais de transe, por sua vez, eram
restritos aos sacerdotes e à elite da sociedade.
Alguns dos
deuses maias citados historicamente são: Itzamná, o Deus criador do Universo,
Ix Chel, a senhora do arco-íris, Kinich Ahau deus Sol, entre outros, como os
deuses Hunab Ku e Chac que eram entendidos como outras manifestações de
Itzamná.
Os maias
possuíam uma sociedade hierarquizada, isto é, dividida em grupos sociais muito
bem definidos, cada qual com funções distintas. O grupo mais numeroso da
sociedade era o dos camponeses, responsáveis pela agricultura e pelo
abastecimento de sua cidade. A elite era a responsável pela administração das
cidades-estados e pelas funções religiosas.
A
autoridade máxima e topo da pirâmide social maia era o rei de cada cidade,
chamado de Ajaw, cada qual possuindo uma cor respectiva, e utilizavam desenhos
de animais para representarem suas ideias filosóficas e outras áreas do
conhecimento, como a Astronomia.
Os maias
nunca formaram um império propriamente dito, como os Incas e Astecas, porque
sua organização política era baseada na ideia de cidades-estados, ou seja, cada
cidade era uma entidade administrativa independente, com autoridades próprias e
fronteiras que eram estabelecidas pelos limites da própria cidade.
Como já
exposto, o rei chamado pelos maias de Ajaw, era a autoridade máxima da
cidade, tido pelos súditos como uma manifestação dos deuses. O poder real era
hereditário, seguindo a linhagem do pai. Portanto, para os Maias, o poder político também era vinculado a ideia
dos deuses.
Deus na cultura Tupi-Guarani
A figura primária na maioria das lendas guaranis, o Deus da criação
é Tupã, o senhor do trovão, também conhecido como Iamandu ou Nhanderuvucu.
Com a ajuda da deusa da Lua, Jaci (ou em outras versões, Araci),
Tupã desceu à Terra num lugar descrito como um monte, na região do Areguá, no
Paraguay, e desse local criou tudo sobre a face da Terra, incluindo os oceanos,
florestas e, animais. Também as estrelas foram colocadas no céu nesse momento.
Tupã criou a primeira raça, formando estátuas de argila do homem e
da mulher com uma mistura de vários elementos da natureza, e todas as outras
civilizações nasceram dela. Depois de soprar vida nas formas humanas, deixou-os
com os espíritos do bem e do mal, e partiu.
Todavia outras versões apontam Ñane Ramõi Jusu Papa, ou "Nosso
Grande Avô Eterno", que teria se constituído a si próprio a partir de
Jasuka, uma substância primária. Segundo o mito, Ñane Ramõi Jusu Papa, ele
teria criado sua esposa Ñane Jari, ou "Nossa Avó", a partir de seu
diadema, mas teria logo brigado com ela e ameaçado destruir o mundo. Só não o
destruiu porque foi contido pelo cântico sagrado de sua esposa, entoado com o
acompanhamento do takuapu, um pedaço de taquara de 1,10 metro de comprimento
que é percutido no chão. Até hoje, o takuapu é o instrumento musical das
mulheres guaranis que acompanha musicalmente o toque das maracas dos homens. (Fonte: Wikipedia)
Além
destes, havia diversos outros que até hoje são conhecidas figuras dos folclores
e das lendas brasileiras, como Caapora (deus guardião dos animais), Tiriricas
(deusas do ódio), Pirarucu (deus do mal, que mora no fundo das águas), Yara
(deusa dos lagos), Curupira (protetor das matas) e Araci (deusa da aurora
e das madrugadas).
A escolha do cacique era hereditária (descendência
patrilinear), considerando a experiência e o prestígio conquistado pela
família, bem como a participação histórica desta nas lideranças do grupo.
Note-se que não consta influência dos deuses na escolha do Cacique,
o que é uma rara exceção.
Deus na África
É impossível falar em Deus
na África sem primeiro abordar a variedade étnica antes da influência da
colonização europeia e a diáspora.
Como em outros povos antigos, e diante da extensão territorial, existe
uma grande diversidade de mitologias, mas todas as divindades são fundadas nas
forças da natureza e na presença de entidades espirituais. Embora preserve uma
certa hierarquia, a concepção de Deus é essencialmente politeísta.
Os povos
Bantu, um dos maiores grupos etnolinguísticos que se espalha em subgrupos por
praticamente toda a África acreditavam em um Deus supremo que vive próximo dos
céus, separado dos homens, que vivem na terra.
De um modo geral, os africanos sempre reconheceram
a existência de um Deus Supremo que criou o Universo. Muitas histórias
tradicionais falam que Deus, ou seu filho, que uma vez viveu entre os homens,
retirou-se para os céus quando os homens fizeram algo que o ofendeu.
Não há um
mito de criação, já que o universo e os animais são eternos. Há também a
crença de que os espíritos dos mortos têm influência sobre os vivos, e que sua
existência depende do quanto as pessoas se lembram deles.
Na África
Ocidental como Benin, Togo e Gana praticava-se o Vodu. Para seus seguidores, os
vodus são espíritos que governam a Terra obedecendo a uma hierarquia. A
divindade suprema, criadora de tudo, é Mawu, uma figura feminina que representa
a Lua. Sua contraparte é Lisa, o Sol. Mawu é mãe de sub divindades que
representam elementos e fenômenos da natureza ou da cultura humana, como os
trovões, o oceano, a guerra e a justiça.
Na África
Ocidental predominava a religião Iorubá, um sistema de crenças da etnia de
mesmo nome, principalmente na Nigéria. É baseada na ideia de que o criador
supremo é Olorum, que reina acima das divindades conhecidas como Orixás. Do
Iorubá derivam muitas religiões brasileiras de matriz africana, como o
Candomblé e a Umbanda.
A
religião Waaqeffanna ainda é praticada pelos Oromos, do grupo étnico mais
numeroso da Etiópia, representando 35% da população. Embora majoritariamente
cristãos ou muçulmanos, muitos também seguem a religião que adora o deus Waaq,
conhecido como “o Deus do céu” e único criador do universo.
Ele se
manifesta por meio dos Ayaana, espíritos que podem possuir homens e mulheres e
falar em seu nome. Os seguidores de Waaq creem que quando alguém morre,
reúne-se com seus familiares e amigos em Iddoo Dhugaa, que pode ser traduzido
como “lugar da verdade”.
Na África antiga não consta interferência divina direta na vida das
pessoas, nem na outorga de poder.
Atualmente, predominam
no território africano, as religiões abraâmicas, ou seja, o Cristianismo, Islamismo e Judaísmo, que são as
crenças de mais de 91% da população. Já as religiões tradicionais são
praticadas por 8% da população, segundo a World
Christian Encyclopedia.
DEUS DOS FILÓSOFOS
Como vimos, a concepção
de Deus está presente na cultura de todos os povos desde a pré-história, como
fonte de amparo da fragilidade humana diante das forças incontroláveis da
natureza.
Deus foi, e continua
sendo, uma preocupação constante de filósofos, cientistas e, grandes
pensadores, que buscam entender a razão e origem da vida, o que somos, de onde
viemos e para onde vamos. Vejamos algumas das conjecturas dos mais
significativos pensadores de todos os tempos:
Parménides e Heráclito
Parménides (530 a.C. /
460 a.C.), e Heráclito (500 a.C. / 450 a. C.), afirmaram que a unidade do mundo
não reside no próprio mundo, mas numa instância suprema que, sem ser material e
sensível, consiste em ordem e unidade. Deus é o todo!
Protágoras (490-415 a. C.),
filósofo grego pré-socrático, sofista, ficou celebre por estabelecer que "O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são,
enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são”, ou seja, que os
conceitos são pessoais, o que uma coisa significa para uma pessoa pode não ser
o mesmo para outra pessoa. Esse é o fundamento do relativismo. Declarava não
acreditar nos muitos Deuses da Grécia, e por isso teve que fugir para a Sicília
para evitar a pena de morte.
Sócrates (469-399 a. C.),
filósofo ateniense do período clássico da Grécia Antiga, um dos fundadores
da filosofia ocidental, conhecido através dos relatos em obras de escritores
que viveram mais tarde, especialmente dois de seus alunos, Platão e Xenofonte,
uma vez que não deixou nada escrito.
Sócrates não era ateu, embora fosse contra os deuses que a cidade
acreditava. É tido como precursor do cristianismo por
afirmar que o homem é uma alma encarnada, que conserva a intuição da existência
em outro mundo, ao qual aspira, e volta após a morte, separando o princípio
inteligente do ser material.
Foi preso
e acusado de três crimes: Não acreditar nos costumes e nos deuses gregos,
unir-se a deuses malignos que gostam de destruir as cidades e, corromper jovens
com suas ideias. Em sua defesa, ele mostra que as acusações eram
contraditórias, questionando: “Como posso não acreditar nos deuses e ao
mesmo tempo me unir a eles”?
Após
receber sua sentença, Sócrates proferiu: - Vocês me deixam a escolha
entre duas coisas: Uma que eu sei ser horrível, que é viver sem poder passar
meus conhecimentos adiante. A outra, que eu não conheço, que é a morte ...
escolho pois o desconhecido! Eis a hora de partir: eu para a morte, vós
para a vida. Quem de nós segue o melhor rumo, ninguém o sabe, exceto os
deuses”.
Demócrito – (460 a.C. - 370 a.C.),
filósofo “atomista”, afirmava que o Cosmos é formado por um turbilhão de
infinitos átomos de diversos formatos que jorram ao acaso e se chocam.
Com o tempo, alguns se unem por suas características (às vezes, as formas dos
átomos coincidentemente se encaixam tão bem como peças de quebra-cabeça) e
muitos outros se chocam sem formar nada (porque as formas não se encaixam ou se
encaixam fracamente).
Dessa
maneira, alguns conjuntos de átomos que se aglomeram tomam consistência e todas
as coisas que conhecemos, que depois se dissolvem no mesmo movimento
turbilhonar dos átomos do qual surgiram.
A
consistência dos aglomerados de átomos que faz com que algo pareça sólido,
líquido, gasoso ou anímico ("estado de espírito") seria então
determinada pelo formato (figura) e arranjo dos átomos envolvidos. Desse modo,
os átomos de aço possuem um formato que se assemelha a ganchos, que os prendem
solidamente entre si; os átomos de água são lisos e escorregadios; os átomos de
sal, como demonstra o seu gosto, são ásperos e pontudos; os átomos de ar são
pequenos e pouco ligados, penetrando todos os outros materiais; e os átomos da
alma e do fogo são esféricos e muito delicados.
Assim, na concepção de Demócrito, o cosmos não é
determinado por um poder que estivesse acima dele e o submetesse a algum plano
ou finalidade (tal como divindades religiosas ou a causa final, que Aristóteles
defendia), mas sim pelo movimento imanente (auto criador ou emergente) do
próprio cosmos. Sua ideia de necessidade era intrínseca à de acaso, e a de
ordem, intrínseca à de caos.
Esse modo de pensar pode ser encontrado amplamente
difundido desde o renascimento e permeia toda a filosofia e ciência modernas,
de Giordano Bruno, Galileu Galilei, e Espinoza, até a física quântica e a
cosmologia atual, na teoria da evolução das espécies, mesmo que sua ideia
original do átomo tenha se tornado ultrapassada desde o século XVIII.
Aristóteles (384-322 a.C.) foi
um filosofo da Grécia Antiga, Ao lado de Platão, de quem foi discípulo na
Academia, foi um dos pensadores mais influentes da história da civilização
ocidental.
Para Aristóteles, Deus
não é o Criador, mas o motor do universo. Deus não pode ser resultado de alguma
ação, não pode ser escravo de amo algum. Ele é a fonte de toda a ação, o amo de
todos os amos, o instigador de todo o pensamento, primeiro e último Motor do
Mundo.
Aristóteles discute na Metafísica conceitos
de causa primária e arché (princípio único), Deus e divindades, comparando e
analisando relatos dos anteriores fisiológicos gregos e dos chamados
teólogos. Uma postulação que considerou necessária foi a de Motor Imóvel.
Seu pensamento influenciou toda a filosofia medieval posterior
a teologia das religiões abraâmicas, mas principalmente nas ciências, pela
chamada filosofia natural - parte da filosofia que trata do conhecimento das
primeiras causas e dos princípios do mundo material, considerada a
precursora das ciências naturais.
Jesus Cristo
O homem Jesus, excluindo o
dogmatismo religioso que cerca sua figura como exposta nos Evangelhos, anos
60/70 d.C., foi dotado de elevada sabedoria e profundos conhecimentos do ser
humano, como demonstram seus ensinamentos filosóficos e sábias recomendações de
como bem viver, denotando conhecimentos do corpo e da alma muito acima dos
homens da época.
Ensinou aos homens como viver em
paz, de forma saudável mental e fisicamente, amando o próximo, não carregando
mágoas, não se ofendendo, mas perdoando os ofensores, sendo caridoso e manso.
Deixou um verdadeiro manual para o equilíbrio psíquico-biofísico!
Não só recomendou, como
exemplificou o princípio da caridade repartindo os pães, curando os enfermos, e
sem preconceitos, visitou a casa dos pecadores. Não julgou, nem
condenou, mas recomendou não pecar. Pediu que alcemos nossa luz, para o
benefício de todos. Condenou os hipócritas e os egoístas, ressaltando as
consequências de suas ações na vida eterna.
Quando confirmou a declaração do
Salmo 82, “Vós sois Deuses”, vinculou todas as criaturas ao Criador,
despertando não apenas a consciência de nossa origem divina, mas também nossas
potencialidades evolutivas, e a responsabilidade por nossas escolhas. Somos
donos de nosso destino.
Não poderia ser mais claro quando
disse: “Em verdade lhes digo que
aquele que crê em mim fará também as obras que faço; fará coisas
ainda maiores do que estas, porque eu vou para o pai. (João 14:12)
Não somente confirma a existência
de Deus, como coloca os homens em Deus, embora ainda ignorantes, mas
perfectíveis a ponto de poder realizar as obras que fez em nome do Pai!
Reformou a figura do Deus
sectário e violento do Velho Testamento, para a do Pai da humanidade, imanente,
único, onisciente, onipresente, justo e amoroso para com todos. Deus que não
desampara, nem castiga, e a todos promete salvação pois das ovelhas de meu pai nenhuma se perderá!
René
Descartes (1596/1650 d. C.) foi um filósofo, físico e matemático francês
que se notabilizou sobretudo por seu trabalho revolucionário na filosofia e na
ciência, mas também obteve reconhecimento como matemático por sugerir a fusão
da álgebra com a geometria, fato que gerou a geometria analítica e o sistema de
coordenada que hoje leva o seu nome. Por fim, foi também uma das figuras-chave
na Revolução Cientifica.
Descartes,
por vezes chamado de "o fundador da filosofia moderna, e o pai da
matemática moderna", é considerado um dos pensadores mais importantes e
influentes da História do Pensamento Ocidental.
No ano de
1643, Descartes publicou "Os Princípios da Filosofia", resumindo seus
princípios filosóficos que formariam a "ciência", o que inspirou
contemporâneos e várias gerações de filósofos posteriores. Boa parte da
filosofia escrita a partir de então foi uma reação às suas obras ou a autores
supostamente influenciados por ele.
René
Descartes morreu em 11 de fevereiro de 1650, em Estocolmo, depois de 10 dias
enfermo, enquanto trabalhava como professor, a convite da rainha Cristina. Como
católico em um país protestante, ele foi enterrado em um cemitério de crianças
não batizadas.
Em 1667,
os restos mortais de Descartes foram repatriados para a França e enterrados na
Abadia de Sainte Genevieve de Paris. Um memorial construído no século XVIII permanece
na igreja sueca. No mesmo ano, a Igreja Católica coloca os seus livros na lista
proibida.
O
pensamento de Descartes era revolucionário para uma sociedade feudalista em que
ele nasceu, onde a influência da Igreja ainda era muito forte e quando ainda
não existia uma tradição de "produção de conhecimento".
Foi um
dos precursores do movimento racional-científico, considerado o pai do
racionalismo, e defendeu a tese de que a dúvida era o primeiro passo para se
chegar ao conhecimento.
Descartes
viveu em uma época marcada pelas guerras religiosas entre protestantes e
católicos na Europa – a Guerra dos Trinta Anos - viajou muito e viu que
sociedades diferentes têm crenças diferentes, até mesmo contraditórias. Aquilo
que em uma região é tido por verdadeiro também pode ser considerado ridículo,
disparatado e falso em outros lugares.
Descartes
viu que os "costumes", a história de um povo, sua tradição
"cultural" influenciam a forma como as pessoas veem e pensam aquilo
em que acreditam, e instituiu a dúvida: só se
pode dizer que existe aquilo que puder ser provado, sendo o ato de duvidar
indubitável. Baseado na realidade do pensamento, Descartes busca provar a
existência do próprio eu ("penso, logo existo") e de Deus.
Baruch Espinoza – de
origem judaico-portuguesa, nascido em 1632 em Amsterdã, falecido em Haia em 21
de fevereiro de 1677, Baruch Espinoza foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada
Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz.
Espinosa
defendeu que Deus e Natureza eram dois nomes para a mesma
realidade, a saber, a única substância em que consiste o universo, e
do qual todas as entidades menores constituem modalidades ou modificações.
Ele
afirmou que Deus ou Natureza era um ser de infinitos atributos,
entre os quais a matéria e o pensamento eram apenas dois conhecidos por
nós.
A sua
visão da natureza da realidade (coisas), então, fez tratar os mundos físicos e
mentais como dois mundos diferentes ou submundos paralelos que nem se
sobrepõem nem interagem, mas coexistem em uma coisa só que é a substância.
Essa
formulação é muitas vezes considerada um tipo de panteísmo e de monismo (princípio
único de todas as coisas), e ainda de panenteísmo (doutrina que diz que o
universo está contido em Deus, mas Deus é maior do que o universo), com
influência cabalista como em sua divisão da Natura naturans e Natura
naturata.
Assim sendo, por Natura naturans entende-se o que é
necessário a partir de sua essência (livre), e por Natura naturata aquilo que é
necessário em razão de uma causa eficiente que não a própria essência (coagido).
A Natureza é pensante; este ''pensar'', é a própria
essência de Deus. Os atributos de Deus se fundamentam na unidade. A natureza é
una, qualquer coisa, qualquer atributo de Deus resultam necessariamente de sua
natureza absoluta.
Espinosa
era um racionalista e, por extensão, fundamentou seu sistema sobre o
acompanhamento intelectual do Universo, como define ele em seu conceito de
"Amor Intelectual de Deus".
Essas palavras foram ditas por ele em pleno Século XVII:
“Pare de ficar rezando e batendo no peito! O que eu quero que
faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida.
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo
o que eu fiz para ti.
Pare de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu
mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa.
Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos,
nas praias.
Aí é onde vivo e aí onde expresso meu amor por ti.
Pare de me culpar da tua vida miserável:
Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador,
ou que tua sexualidade fosse algo mau.
O sexo é um presente que eu te dei e com o qual podes expressar
teu amor, teu êxtase, tua alegria.
Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.
Pare de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a
ver comigo.
Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de
teus amigos, nos olhos de teu filhinho...não me encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer
meu trabalho?
Pare de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico,
nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo.
Eu sou puro amor.
Pare de me pedir perdão. Não há nada a perdoar.
Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de
prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio.
Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti?
Como posso te castigar por seres como és, se “Eu” sou quem te
fez?
Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus
filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade?
Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas
são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.
Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti.
A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que
teu estado de alerta seja teu guia.
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no
caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.
Esta vida é a única que há aqui e agora, e a única que precisas.
Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos.
Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém
leva um registro.
Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um
inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te
dar um conselho.
Viva como se não o houvesse.
Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de
amar, de existir.
Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te
dei.
E se houver, tem certeza de que eu não vou te perguntar se foste
comportado ou não.
Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste... Do que
mais gostaste? O que aprendeste?
Pare de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar.
Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti.
Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando
agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no
mar.
Pare de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu
seja?
Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam.
Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de
tuas relações, do mundo.
Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é
o jeito de me louvar.
Pare de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te
ensinaram sobre mim.
A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este
mundo está cheio de maravilhas.
Para que precisas de mais milagres?
Para que tantas explicações?
Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro de ti...
aí é que estou."
Fonte: Excertos da
Wikipedia
Immanuel Kant (1724
-1804)
Immanuel
Kant ou Emanuel Kant, foi um filósofo alemão (nativo do Reino da
Prússia), e um dos principais pensadores do Iluminismo. Seus abrangentes e
sistemáticos trabalhos em epistemologia, metafísica, ética e estética fizeram
dele uma das figuras mais influentes da filosofia ocidental moderna.
Em sua
doutrina do idealismo transcendental, Kant argumentou que o espaço e
o tempo são meras "formas de intuição" que estruturam toda a
experiencia e que os objetos da experiência são meras "aparências".
A natureza das coisas como as coisas são em si mesmas é incognoscível para nós.
Em uma
tentativa de contrariar o ceticismo, ele escreveu a “Crítica da Razão” (1781/1787),
sua obra mais conhecida, Kant traçou um paralelo com a revolução
copernicana em sua proposta de pensar os objetos dos sentidos em
conformidade com nossas formas espaciais e temporais de intuição e as
categorias de nosso entendimento, de modo que tenhamos conhecimento a
priori desses objetos.
Kant
acreditava que a razão também é a fonte da moralidade e que a
estética surge de uma faculdade de julgamento desinteressado. Ele foi um
expoente da ideia de que a paz perpétua poderia ser assegurada por meio da
democracia universal e da cooperação internacional, e que talvez este
pudesse ser o estágio culminante da história mundial.
A natureza
das visões religiosas de Kant continua a ser objeto de disputa acadêmica.
Também controversos são os pontos de vista de Kant sobre raça. Ele
defendeu o racismo científico durante grande parte de sua carreira, mas
mudou seus pontos de vista sobre raça na última década de sua vida.
Kant
também publicou importantes obras sobre ética, religião, direito,
estética, astronomia e história durante sua vida. Nascido numa
família luterana, teve uma educação austera numa escola pietista (O pietismo nasceu na Alemanha protestante do século XVII, e
acentua a fé pessoal em protesto contra a secularização da Igreja Católica
Romana, que surgiu como reação da guerra dos “trinta anos” na Alemanha e
estendeu-se um pouco por toda a Europa sempre que a religião se divorciava da
experiência pessoal). Contudo, tornou-se muito cético relativamente à religião
organizada na sua vida adulta embora preservasse a crença em Deus.
Sobre deus, esclarece:
“Assim, portanto, a causa suprema da natureza,
enquanto for ela um pressuposto para o sumo bem, é um ser que, por razão e
vontade, constitui a causa (consequentemente, é o autor) da natureza, isto é,
Deus. Por conseguinte, o postulado da possibilidade do sumo bem derivado (um
mundo ótimo) é ao mesmo tempo o postulado da realidade de um sumo bem
originário, isto é, da existência de Deus.
Constitui um dever imposto a nós mesmos fomentar o sumo
bem; por isso, não só é um direito, mas também uma necessidade arraigada ao
dever, como exigência, pressupor a possibilidade deste supremo bem, o qual,
ocorrendo apenas sob a condição da existência de Deus, congloba
inseparavelmente a suposição do mesmo para com o dever, isto é, torna-se
moralmente necessário admitir a existência de Deus”.
(Fonte: Excertos da
Wikipedia)
DEUS DOS INTELECTUAIS
CONTEMPORÂNEOS
Albert Einstein (1879 – 1955),
certamente uma das inteligências mais aclamadas do último século, declarou: “A ciência sem religião é paralitica e, a religião sem
ciência, é cega”. Mas
também disse: “Não tento imaginar um
Deus pessoal; basta admirar assombrado a estrutura do mundo, pelo menos na
proporção em que ela se permite apreciar por nossos sentidos”.
Quando
jovem dizia acreditar no conceito de "Deus" conforme preconizado pelo
filósofo Baruch Espinoza, mas não em um Deus Pessoal, crença que ele criticava.
Nesta visão, Deus e a natureza são uma mesma entidade. "Você pode me
chamar de agnóstico, mas eu não concordo com o espírito do ateu profissional
cujo fervor é um ato de dolorosa restrição da doutrinação religiosa da
juventude.
“Eu
prefiro ter uma atitude de humildade em relação ao quão pouco entendemos sobre
a natureza e nossos próprios seres", escreveu
a Guy H. Raner Jr. em setembro de 1949 e, numa carta manuscrita em alemão em
1954 e dirigida ao filósofo judeu Eric Gutkind,
Einstein
critica enfaticamente as religiões institucionalizadas, em particular a
religião judaica, de forma a posicioná-lo como ateu um ano antes de sua morte.
Na missiva em questão, o cientista declara que "A palavra Deus para mim
é nada mais que a expressão e produto da fraqueza humana, a Bíblia é uma
coleção de lendas honradas, mas ainda assim primitivas, que são bastante
infantis’. Conhecida como a "Carta de Deus", foi vendida em
2018 em Nova Iorque por 2,89 milhões de dólares num leilão organizado pela
Christie’s. (fonte :Wikipedia)
Mario Henrique Simonsen
(1935 -
1997), provavelmente um dos mais reconhecidos intelectuais
contemporâneos, filósofo, matemático, físico, economista e apaixonado pela
música clássica, deixou registrado seu pensamento em seus “Ensaios Analíticos”:
“Deus existe? É uma questão que comporta inúmeras respostas,
dependendo do que se entenda por Deus e, por existência. Se se entende por Deus
a figura dominadora e iracunda do juízo final de Michelangelo, é difícil
acreditar na sua existência literal. Já se Deus é percebido como o engenheiro
das leis da natureza, é preciso muita vontade de ser ateu para negar sua
existência, ainda que se encare as incertezas da mecânica quântica. Ocorre que,
quando a maioria das pessoas questiona a existência de Deus, a verdadeira
pergunta é outra: existe um Ser onipotente atento aos meus apelos?”
“Para o homem comum, desinteressado em especulações
filosóficas e que quer respostas simples para sua pergunta objetiva, só resta
uma opção que não seja a dúvida permanente: refugiar-se em alguma crença. Foi
esse o ponto que Kant percebeu com rara acuidade psicológica na “Crítica da
Razão Prática”.
Stephen
William Hawking (1942
– 2018), reconhecido internacionalmente por sua
contribuição à ciência, sendo um dos mais renomados cientistas do
século. Doutor em cosmologia, foi professor na Cambridge, um posto
que foi ocupado por Isaac Newton, Paul Dirac e Charles Babbage. Foi, pouco
antes de falecer, diretor de pesquisa do Departamento de Matemática Aplicada e
Física Teórica (DAMTP) e fundador do Centro de Cosmologia Teórica (CTC) da
Universidade de Cambridge.
Seus
trabalhos científicos incluem um teorema sobre a singularidade gravitacional no
âmbito da relatividade geral, em colaboração com Roger Penrose, e a previsão
teórica de que os buracos negros emitem radiação, frequentemente chamada de
Radiação Hawking.
Hawking
foi o primeiro cientista a estabelecer uma teoria da cosmologia explicada pela
união da teoria geral da relatividade e da mecânica quântica. Ele foi um
defensor fervoroso da interpretação de muitos mundos na mecânica quântica.
Hawking afirmou: “Os humanos sempre quiseram entender o universo e seu
lugar nele. No início, os eventos foram considerados aleatórios e controlados
por espíritos semelhantes aos humanos. Mas na astronomia e em algumas outras
situações, as regularidades foram observadas. Com o avanço da civilização
humana na era moderna, mais regularidades e leis foram descobertas”.
“Laplace
sugeriu, no início do século XIX, que a estrutura e a evolução do universo
poderiam, eventualmente, ser explicadas com precisão por um conjunto de leis.
No entanto, a origem dessas leis foi deixada no domínio de Deus”.
“No
século XX, a teoria quântica introduziu o princípio da incerteza, que
estabeleceu limites para a exatidão preditiva das leis a serem descobertas”.
“O
big bang implícito na teoria geral da relatividade indica que um criador do
universo ou Deus tem a liberdade de escolher a origem e as leis do
universo. Quando se combina a teoria da relatividade com a mecânica
quântica, no entanto, uma teoria unificada e completamente autônoma pode
emergir, na qual Deus tem pouco ou nenhum papel a desempenhar”.
“Assim,
a busca de uma teoria unificada pode lançar luz sobre a natureza de Deus. No
entanto, a maioria dos cientistas hoje está trabalhando nas próprias teorias,
em vez de fazer essas perguntas filosóficas. Por outro lado, essas teorias
físicas são tão matemáticas e técnicas que os filósofos não as discutem como
costumavam fazer, quanto mais as pessoas comuns”.
Em
1988 Hawking publicou o livro “Uma Breve História do Tempo” (A Brief History of Time – from the Big Bang to Black
Holes), onde afirmou: “Se descobrirmos uma teoria completa, seria o
derradeiro triunfo da razão humana – pois então devemos conhecer a mente de
Deus”. No mesmo livro ele sugere que a existência de Deus não era necessária
para explicar a origem do universo, um fenômeno decorrente da lei de gravidade.
Discussões posteriores
com Neil Turok (físico sul-africano, diretor do Instituto
Perimeter de Física Teórica) levaram a conclusão de
que a existência de Deus era compatível com um universo aberto.
Richard Dawkins (1941) é um biólogo evolutivo e escritor britânico, fellow
emérito do New College da Universidade de Oxford, e foi professor para a
Compreensão Pública da Ciência na mesma universidade, entre 1995 e 2008.
Dawkins
ganhou destaque com o seu livro O Gene Egoísta, de 1976, que popularizou a
visão da evolução centrada nos genes, e introduziu o termo meme, que
significa “imitação”, bastante conhecido e utilizado no “mundo da
internet”, referindo-se ao fenômeno de “viralização” de uma informação, ou
seja, qualquer vídeo, imagem, frase, ideia, música etc., que se espalhe entre
vários usuários rapidamente, alcançando muita popularidade.
Em 1982,
ele introduziu, na biologia evolutiva, a ideia de fenótipo estendido -
segundo a qual, os efeitos fenotípicos de um gene não são
necessariamente limitados ao corpo de um organismo, mas podem ampliar-se também
ao meio ambiente, incluindo os corpos de outros organismos.
Dawkins é
ateu, vice-presidente da Associação Humanista Britânica e defensor do
movimento Bright, cuja visão do mundo é
naturalista, livre de elementos místicos e sobrenaturais. A ética e as ações do
Bright se baseiam numa visão naturalista do mundo).
Ele é
conhecido por suas críticas ao criacionismo e design inteligente. Já escreveu
vários livros de divulgação cientifica e faz aparições regulares na
televisão e no rádio, principalmente para discutir esses temas.
Em seu
livro “The God Delusion”(Deus, um Delírio) editado em 2006, Dawkins
afirma que um criador sobrenatural quase certamente não existe e que a fé religiosa
é uma ilusão — "uma crença falsa e fixa".[ Até
janeiro de 2010, a versão em inglês do livro havia vendido mais de dois milhões
de cópias e havia sido traduzida para 31 idiomas. (fonte: Wikipedia)
Dawkins assim define a
crença em Deus:
“Considere a ideia de Deus. Não sabemos como ela surgiu no
pool de “memes” (o gene de uma ideia com elevado grau de sobrevivência, ou
poder de contágio no ambiente fornecido pela cultura humana), que.
possivelmente originou-se muitas vezes por mutações independentes”.
“De todo o modo, é uma ideia muito antiga ... replicada
pela palavra falada e escrita ... ela tem um grau de sobrevivência muito
elevado ... que resulta de seu grande apelo psicológico”.
“Ele (Deus) fornece uma explicação plausível para questões
profundas e perturbadoras a respeito da existência. Sugere que injustiças deste
mundo podem ser compensadas num próximo. Os braços eternos oferecem uma
proteção contra nossas próprias deficiências e, tal como um placebo receitado
por um médico, não são menos eficientes por serem imaginários”.
“Essas são as razões pelas quais a ideia de Deus é tão
prontamente copiada por gerações sucessivas de cérebros individuais. Deus
existe, nem que seja somente na forma de um meme”.
DEUS NAS DOUTRINAS RELIGIOSAS
ATUAIS
Doutrina Religiosa é o
conjunto de leis, princípios e regras de relacionamento das pessoas com o que
acreditam transcendente, implícito nas crenças, culturas, mitologias e
tradições seculares transmitidas por tradição oral e/ou textos que formalizam
seus conceitos e mandamentos.
Uma mesma doutrina pode
dar origem a diferentes igrejas, isto é, grupos de pessoas que adotam uma mesma
Doutrina, mas com algumas particularidades e instituídos separadamente.
São inúmeras as
doutrinas religiosas existentes na Terra e existe imensa literatura disponível,
sendo nossa pretensão apresentar as principais características das 10 doutrinas
com maior número de adeptos na atualidade, conforme divulgado pela ABNT
(Associação Brasileira de Notas Técnicas).
Caodaísmo - 4,4
milhões de adeptos)
A doutrina Cao Dai foi
consolidada em 1926, no Vietnã, por Ngo Van Chieu, que acreditava ter recebido
uma mensagem da divindade reverenciada como “Ser Supremo”, sendo uma religião
distintamente nacionalista.
Cao Dai significa “A
Grande Fé para a Terceira Redenção Universal”, e extrai elementos de outras
doutrinas, incluindo o cristianismo, budismo, hinduísmo, judaísmo, islamismo e
taoismo.
Os devotos acreditam na existência de um único Deus, a quem chamam de
"Cao Dai", e considera ser o mesmo Deus adorado pelas outras
religiões monoteístas. Este ser, que não possui gênero ou forma, é representado
como um olho esquerdo inserido num triângulo, símbolo que pode ser visto em
todos os templos dessa religião.
Deus era
o único ser existente até Ele ter decidido criar o universo, os seres humanos,
as plantas, os animais etc. O processo de criação implicou a divisão de Deus e
por isso o Caodaísmo defende que todos os seres possuem uma parte de Deus neles
próprios.
No
Caodaísmo, a história religiosa do mundo é dividida em três grandes períodos. O
primeiro iniciou-se em 2500 a.C. quando Deus inspirou a fundação do judaísmo,
do hinduísmo e da religião chinesa.
Cerca de
mil anos depois, iniciou-se o segundo período durante o qual surgiram o
budismo, o confucionismo, o cristianismo, e o islamismo. Porém, as mensagens
destas doutrinas religiosas foram corrompidas e elas não deram lugar ao
nascimento de uma religião universal, entre outras razões, pelas dificuldades
nos transportes e nas comunicações.
Por esta
razão, Deus iniciou um terceiro período de transmissão no qual surgiu o Cao Dai
cujo objetivo é reunir os principais ensinamentos daquelas religiões e ao mesmo
tempo unir toda a humanidade numa única religião.
Enquanto
nas ocasiões anteriores Deus usou profetas para comunicar a sua mensagem, desta
feita ele decidiu comunicar diretamente com os seres humanos através de sessões
espíritas.
Neste
terceiro período Deus escolheu especificamente o sudeste da Ásia para divulgar
a sua mensagem, por entender que ao longo dos tempos o povo desta região se
mostrava mais aberto à religiosidade.
O
sincretismo deste movimento religioso pode ser percebido na fusão de elementos
centrais do taoismo, confucionismo e budismo. Os adeptos do Cao Dai acreditam
na reencarnação e no karma.
As ações
positivas ou negativas de uma pessoa numa vida determinam as condições de vida
futura. Uma pessoa cujas ações forem excessivamente negativas continuará no
ciclo das existências punitivas, e aqueles que tenham levado uma vida plena de
boas ações poderão experimentar uma futura vida agradável, ou mesmo se libertar
do ciclo de morte e renascimento.
O Cao Dai
oferece duas formas de praticar a religião: a exotérica e a esotérica. A
primeira forma é a mais seguida pelos adeptos e é praticada no contexto de uma
vida de leigo.
A via
exotérica implica praticar o bem e evitar o mal, seguir os preceitos e virtudes
confucionistas, seguir os cinco preceitos (não matar, não roubar, não cometer
adultério, não tomar substâncias intoxicantes e não usar palavras agressivas),
e ter uma alimentação vegetariana durante dez dias de cada mês.
A via
esotérica (conhecida como Chieu-Minh Vo Vi) é considerada a mais elevada das
duas vias, mas é também é mais rigorosa e exigente. Nela é obrigatório seguir
sempre uma alimentação vegetariana e praticar a meditação. Os padres do Cao Dai
seguem esta via, na qual comprometem-se a seguir os mandamentos.
As
práticas religiosas devem ser diárias, podendo ser realizadas nos lares ou nos
templos. É recomendado que os adeptos do Cao Dai realizem quatro cerimônias ao
longo do dia (às seis horas da manhã, ao meio-dia, às oito horas da noite e à
meia-noite), porém o mínimo exigido é que a cerimônia seja realizada uma vez ao
dia. O local central deste culto religioso é o altar, que deve ser posicionado
no centro de uma casa ou templo. Perante o altar os crentes sentam e recitam
orações.
A
organização interna assemelha-se em larga medida à da Igreja Católica
Apostólica Romana. A estrutura do movimento encontra-se definida no
"Phap-Chanh-Truyen", que é a constituição escrita do movimento,
alegadamente transmitida por mensageiros de Deus ao longo de uma série de
sessões em que as pessoas entravam em transe, e recebiam essas mensagens.
O
Caodaísmo possui padres, bispos, arcebispos, cardeais e um papa. As mulheres
podem ser ordenadas na religião, porém não podem alcançar a posição de sumo
pontífice. Desde 1934 que esta posição não está ocupada.
A
viabilização econômica é feita por contribuições dos adeptos. Não há
informações detalhadas a respeito, mas pela similaridade da igreja romana, é o dízimo
garante o sustento de sua estrutura. (Fonte: Wikipedia)
Xamanismo (10 milhões
de adeptos)
O Xamanismo, também
chamado de Muismo, Sinismo o Shingyo, é uma doutrina tradicional da Coreia,
onde a fé finca suas raízes na pré-história, tendo ressurgido há alguns anos na
Coreia do Sul, e está presente até dentro do regime totalitário da Coreia do
Norte.
Entre os principais
aspectos dessa doutrina religiosa incluem-se a existência de fantasmas,
espíritos e deuses que habitam o mundo espiritual, tendo as mulheres
denominadas “Mudangs” como intermediárias com os humanos,
Os
coreanos, como outros povos do leste asiático, são tradicionalmente ecléticos e
não exclusivos nos seus compromissos religiosos. Sua visão religiosa não está
condicionada por uma fé única e exclusiva, mas por uma combinação de crenças e
credos importados pelo país.
Embora o
xamanismo coreano seja essencialmente monoteísta, com um único Deus Criador - Hwan-in,
Haneul-nim ou Haneu-nim- que são versões utilizadas por católicos e coreanos
protestantes, a crença em um mundo habitado por espíritos é provavelmente a
mais antiga forma de vida religiosa coreana, que remonta aos tempos
pré-históricos.
Xamãs
coreanos são semelhantes em muitos aspectos, àqueles encontrados na Sibéria,
Mongólia, e na Mandchuria. Eles também lembram o Yuta, encontrado em Okinawa,
no Japão, que é um centro de xamanismo.
Nas
práticas antigas, o Xamã era o curandeiro mais eminente, o homem fetiche das
cerimônias e a personalidade foco de todas as práticas religiosas. Em muitos
grupos, o Xamã chegou a ser superior ao chefe guerreiro, assinalando o começo
da dominação da igreja sobre o estado.
Embora
possa haver ocorrido práticas fraudulentas em questões menores, a grande
maioria dos Xamãs acreditava no fato da própria possessão espiritual. Mulheres
que eram capazes de se lançar em um transe ou em um ataque cataléptico
tornaram-se Xamãs poderosas; mais tarde, tais mulheres tornaram-se profetas e
médiuns espirituais.
Os
sacerdotes xamanistas e os curandeiros frequentemente tornavam-se muito ricos
com o acúmulo dos seus vários honorários, que eram, segundo alegavam, oferendas
aos espíritos. Não raro, um Xamã acumulava praticamente toda a riqueza material
da sua tribo. Com a morte de um homem rico, era costumeiro dividir as suas
propriedades igualmente entre o Xamã e alguma empresa pública ou de caridade.
Essa prática ainda perdura em algumas partes do Tibete, onde metade da
população masculina pertence a essa classe não produtiva.
Com a
evolução da religião, os Xamãs tornaram-se sacerdotes, e especializaram-se de
acordo com os seus talentos inatos ou predileções especiais. Alguns se tornaram
cantores, outros rezadores e outros, ainda, sacrificadores; mais tarde, vieram
os oradores — os pregadores. E reivindicaram “a guarda das chaves do céu”,
cobrando caro para abrir as portas.
Os
sacerdotes têm buscado sempre causar impressão, respeito e temor na gente
comum, conduzindo o ritual religioso em uma língua antiga, e por meio de
diversos passes mágicos, para assim mistificar os adoradores, aumentando a sua
própria autoridade. O fato resultante de tudo isso, é que o ritual tende a
substituir a doutrina.
Não se
pode negar que os sacerdotes têm sido um peso atado ao pescoço das raças, mas
os verdadeiros líderes religiosos têm sido de um valor inestimável para mostrar
o caminho para realidades mais elevadas e melhores. Muitos sacerdotes modernos
têm voltado a sua atenção para a teologia, na tentativa de definir Deus.
Embora
o Xamanismo permaneça vivo na sociedade coreana, a adoção de religiões
ocidentais tem dividido o prestígio com as velhas crenças, colocando-o como uma
crença geral, “pano de fundo” para outras religiões.
Hoje,
53,1% da moderna sociedade coreana se diz religiosa, sendo 43% Budista, 34,5%
Cristã Protestante, e 20,6% Cristã Católica.
(Fonte:
Wikipedia)
Taoísmo (12 milhões de
adeptos)
O taoismo é uma doutrina baseada na tradição filosófica e religiosa originária do Leste Asiático que enfatiza a vida em harmonia com o Tao, termo chinês que significa "caminho", "via" ou
"princípio", que também pode ser encontrado em outras filosofias e
religiões chinesas. No taoismo, especificamente, o termo designa a fonte, a
dinâmica e a força motriz por trás de tudo que existe.
A principal obra do taoismo é o “Zu Tao
Te Ching”, um livro
conciso e ambíguo que contém os ensinamentos atribuídos ao filosofo Lao Zi, juntamente com os escritos de Zhuangzi, filósofo chinês do século IV a, C., que formam os alicerces
filosóficos dessa doutrina. O taoismo filosófico, individualista por natureza,
não foi institucionalizado até hoje.
Todavia, ao longo do tempo, foram criadas instituições em torno da
doutrina que, frequentemente, misturaram crenças e práticas que antecediam até
mesmo os textos-chave do taoismo como, por exemplo, as teorias da Escola dos
Naturalistas, que sintetizaram conceitos como o do “yin-yang” - conceitos do taoismo que expõem a dualidade de
tudo que existe no universo, e os cinco elementos da vida.
Yin e Yang são as duas forças fundamentais opostas e
complementares que se encontram em todas as coisas: o yin é o princípio da
noite, Lua, a passividade, absorção, e o yang é o princípio do Sol, dia, a luz
e atividade.
Os cinco elementos
são: A água é representado pelos rins e bexiga; a
madeira pelo fígado e vesícula biliar; o fogo pelo coração e intestino delgado;
a terra pelo baço, pâncreas e estômago; e o metal, representado pelo pulmão e
intestino grosso).
As escolas taoístas tradicionalmente reverenciam Lao Zi e os "imortais" ou "ancestrais", e
possuem diversos rituais de adivinhação e exorcismo, além de práticas que visam a atingir o êxtase, e obter maior longevidade ou mesmo a imortalidade.
As tradições e éticas taoístas variam de acordo com a escola,
porém, no geral, enfatizam a serenidade, a não ação (wu-wei), o vazio, a moderação dos desejos, a simplicidade, a
espontaneidade, a contemplação da natureza, e os Três
Tesouros: Compaixão, Moderação e Humildade.
Tradicionalmente,
o taoismo é atribuído a três fontes principais: a mais antiga, o mítico
Imperador Amarelo, que teria vivido entre 2697 a.C. e 2597 a. C; a mais famosa,
o livro de aforismos místicos Tao Te Ching (Dao
De Jing), supostamente escrito por Lao Zi (Lao Tse), que, segundo a
tradição, foi um contemporâneo mais velho de Confúcio (551 a.C.-479 a.C.); e os
trabalhos do filósofo Zhuangzi (Chuang-Tsé) (369 a.C.-286 a.C.).
Outros
livros ampliaram o taoismo, como o Tratado do Vazio Perfeito, de Lie-Tzu, e a
compilação Huainan zi. Além destes, o antigo I Ching, "O Livro Das
Mutações", é tido como uma fonte extra do taoismo, assim como práticas de
adivinhação da China antiga.
Os Três
Puros, também traduzidos como os Três Puros Pelúcidos, os Três Pristinos, os
Três Mestres Divinos, as Três Claridades, ou as Três Purezas, são os três
deuses mais elevados do panteão Taoísta. Eles são considerados pura
manifestação do Tao, e a origem de todos os seres sencientes. Do clássico
taoísta I Ching, afirmava-se que "o Tao produziu "um";
"um" produziu "dois"; "dois" produziram
"três"; "três" produziram todas as coisas".
No
taoísmo religioso, a teoria de como o Tao produziu "um",
"dois" e "três" também é explicada. O grande Tao,
encarnado por Hùndùn Wújí Yuánshǐ Tiānwáng, "rei celestial do
início primordial caótico e sem fim" em um momento de pré-criação, quando
o universo ainda era nulo e o cosmos estava em desordem Cada um dos Três Puros
representa tanto uma divindade quanto um céu. Os Três Puros são frequentemente
descritos como anciões entronizados.
Os deuses taoístas são figuras históricas que demonstraram
poderes excepcionais em vida, como por exemplo, o Imperador Jade (supremo
soberano das divindades chinesas), Cai Shen (Deus da prosperidade), Guan Yu
(senhor da honra e da piedade), além do próprio Lao Zi, alvo de culto pelos
crentes.
O
primeiro puro é o Chi universal ou celestial. O segundo puro é o Chi do
plano humano, e o terceiro puro é o Chi da terra. O Chi celestial
inclui o Chi ou energia de todos os planetas, estrelas e constelações,
bem como a energia de Deus (a força da criação e do amor universal).
O Chi do
plano humano é a energia que existe na superfície do nosso planeta e sustenta a
vida humana, e a força da terra inclui todas as forças dentro do planeta, bem
como as cinco forças elementais.
Como os
Três Puros são manifestações da energia celestial primordial, eles não têm
forma. Mas para ilustrar seu papel na criação, eles são frequentemente
retratados como divindades idosas vestidas com as três cores básicas das quais
todas as cores se originaram: vermelho, azul e amarelo (ou verde), dependendo
da interpretação pessoal das origens das cores.
Parece
ter havido uma série de estágios no processo da eventual deificação de Lao Zi.
Primeiro, a figura lendária começou como um professor e escritor cuja imagem
acabou se misturando com a do Imperador Amarelo quando passou a ser
identificado como um confidente da realeza.
Relatos
tradicionais, como a história de vida resumida anteriormente, o transformaram
em um herói cultural cuja mãe o concebeu virginalmente. Em meados do século II a.C.,
Lao Zi tornou-se a divindade que entregou a Zhang Daoling a
revelação de uma nova fé religiosa, dando origem à escola do mestre celestial.
Sua
imagem ainda não estava completa. Em seguida, talvez também por volta do
segundo ou terceiro século a.C., Lao Zi parece ter sido identificado
como um deus criador que também entra no mundo para resgatar a humanidade da
tribulação.
Não muito
tempo depois, ele se juntou à tríade dos Três Puros e, finalmente, Lao Zi emergiu
como a principal pessoa divina. De acordo com o cânone taoísta, Daode
Tianzun manifestou várias encarnações para ensinar os seres vivos, e Lao
Zi é uma de suas encarnações.
Lao Zi
recebeu o reconhecimento imperial como uma divindade, em meados do século II
a.C. O taoismo ganhou status oficial na China durante a Dinastia Tang,
cujos imperadores alegaram que Lao Zi era seu parente.
Ao longo da história chinesa, o taoismo foi, por diversas vezes, a religião
do Estado. Após o século XVII, no entanto, ele
perdeu muito de sua popularidade. Tal como todas as outras atividades
religiosas, o taoismo foi reprimido nas primeiras décadas da República Popular da China, e até mesmo perseguido durante a Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung; no entanto, continuou a ser praticado livremente em Taiwan.
Hoje em dia, é uma das cinco
religiões reconhecidas pela República Popular da China, e embora não costume ser compreendida com facilidade longe de
suas raízes asiáticas, tem seguidores em diversas sociedades ao redor do mundo.
Embora
Lao zi nunca tenha pregado nenhuma religião no Tao Te Ching, e tenha sempre se
mantido no terreno filosófico e moral, cerca de mil anos depois da sua morte,
formou-se um corpo de doutrinas e de práticas religiosas e culturais que
constituíram a religião taoísta, que conserva apenas uns traços da filosofia de
Lao zi, com acréscimos de ideias e práticas culturais do Budismo, introdução de
vários deuses, deusas e génios, e uma mistura com algumas crenças
preexistentes, como a teoria dos cinco elementos, a alquimia a e o culto aos
ancestrais.
Tentativas
de alcançar maior longevidade eram um tema frequente na magia e alquimia
taoístas, com vários feitiços e poções, ainda existentes, com esse propósito.
Muitas
versões antigas da medicina tradicional chinesa foram enraizadas no pensamento
taoísta e a medicina chinesa moderna, bem como as artes marciais chinesas são
ainda de várias formas baseadas em conceitos taoístas, como o Tao, o Gi e o
balanço entre o Yin e o Yang.
Com o
tempo, a absoluta liberdade dos seguidores do taoismo pareceu ameaçadora à
autoridade de alguns governantes, que incentivaram o crescimento de seitas mais
comprometidas com as tradições confucionistas.
Uma
escola taoísta foi formada ao fim da dinastia Han por Zhang Dao Lig.
As duas
maiores escolas taoístas da atualidade são a Seita Zheng Vi (evoluída de
uma seita fundada por Zhang Dao Lig) e o Taoísmo Quanzhen (fundado por
Wang Chonqyang).
Como há algumas
afinidades entre a visão taoísta e a visão budista do mundo, quando, no século
I, foi introduzido na China, o Budismo Indiano, em grande parte interpretado
usando-se conceitos taoístas. Através da história, essas escolas cresceram de
maneira independente, tendo desenvolvido identidades próprias e características
bastante diferentes umas das outras.
Na China,
elementos do taoismo se combinaram com elementos do budismo e do confucionismo na
forma do neoconfucionismo. A adoção por parte dos confucionistas de vários
conceitos taoístas deu origem, durante a dinastia Song (960–1279 d.C.), à
chamada "Escola Neoconfucionista" ou "Escola da Razão".
Os papéis
das mulheres no taoismo diferiram do patriarcado tradicional. As mulheres
chinesas tinham especial importância em algumas escolas taoístas que reconheciam
suas habilidades para se comunicar com divindades e espíritos, que
frequentemente concediam a elas textos e escrituras revelados.
A
filosofia taoísta é praticada em várias formas, em outros países além da China.
Na Coreia, é uma dessas variações. A filosofia taoísta encontrou muitos
seguidores ao redor do mundo.
No
Brasil, existem vários ramos ligados ao taoismo, tanto o religioso (taochiao)
quanto o filosófico (taochia). Uma das vertentes religiosas mais
importantes é representada pela Sociedade
Taoísta do Brasil, instituída no Rio de Janeiro em 15 de janeiro de 1991, com o
objetivo de difundir o ensinamento do taoismo em todas as suas formas de
expressão — religiosa, filosófica, científica e cultural — e contribuir para o
aperfeiçoamento espiritual dos frequentadores.
Fonte:
Wikipedia
Judaísmo (14 milhões de
adeptos)
O
Judaísmo é uma das três principais doutrinas religiosas abraâmicas,
definida como religião, filosofia e modo de vida do povo judeu, e se fundamenta nos cinco primeiros livros do Velho Testamento (ver
no capítulo “Deus no Velho Testamento”) que, segundo os
seguidores do judaísmo, Deus ditou a Moisés.
Assim, a Gênese, Êxodo, Levítico, Números e, Deuteronômio compõe o Torá, que em hebraico significa “instrução”, “ensinamento”
ou “apontamento”, escritos por Deus após a fuga
dos hebreus do Egito.
Conforme a Gênese, Deus
único, criador da Terra e de todo o ser vivente, acompanhou a evolução e
ordenou a primazia do ser humano sobre todos os demais seres, conduzindo-os
pela eternidade.
Ao
contrário de outros deuses antigos, o Deus hebraico é retratado como unitário e
solitário; consequentemente, seus principais relacionamentos não são com outros
deuses, mas com o mundo, e mais especificamente, com as pessoas que ele criou. O
judaísmo começa assim com o monoteísmo ético, a crença de que Deus é único, e
se preocupa com as ações da humanidade.
Segundo a
Bíblia Hebraica, Deus prometeu a Abraão, que viveu 175 anos (1812 a.C. - 1637 a.C.). que faria de seus filhos uma grande nação. Muitas gerações
depois, ele ordenou à nação de Israel que amasse e adorasse apenas um Deus;
isto é, a nação judaica deve retribuir a preocupação de Deus. Ele também
ordenou ao povo judeu a se amarem uns aos outros; isto é, os judeus devem
imitar o amor de Deus.
Os fatos
e atos coletivos como as guerras e conquistas, bem como as ocorrências comuns,
familiares e cotidianas, constituem ocasiões para a experiência com Deus, e sentidas
como manifestações da sua bondade e amor específico aos hebreus.
Embora os
filósofos judeus frequentemente debatam se Deus é imanente ou transcendente, e
se as pessoas têm livre-arbítrio ou se suas vidas são determinadas, o
entendimento é um sistema através do qual, qualquer judeu age para trazer as
manifestações Deus ao mundo.
O
monoteísmo ético é central em todos os textos sagrados ou normativos do
judaísmo. No entanto, nem sempre foi seguido na prática. A Bíblia judaica
registra e condena repetidamente a adoração generalizada de outros deuses no
Israel antigo.
Estudiosos sugerem que, durante o período do Primeiro Templo,
ou Templo de Salomão o povo de Israel acreditava que cada nação tinha seu
próprio deus, mas que seu deus era superior aos outros deuses. Alguns sugerem
que o monoteísmo estrito se desenvolveu durante o Exílio babilônico, talvez em
reação ao dualismo do zoroastrismo. A bíblia hebraica sugere que foi
edificado por volta de 970 a.C.
De acordo com esse ponto de vista, foi apenas no período
Helênico, entre os séculos III e II a.C., que a maioria dos judeus passou a
acreditar que seu Deus era o único deus e que a concepção de uma nação judaica
floresceu com base na religião.
John Day, professor de estudos do Velho Testamento na
Universidade Oxford, argumenta que as origens do Yahweh, El, Aserá e Baal pode
estar enraizada na religião cananeia, que era centrada em um panteão de deuses
muito parecido com o panteão grego.
Além
disso, alguns têm argumentado que o judaísmo é uma religião que não se baseia
em credo, e não exige que alguém acredite em Deus. Para alguns, a observância
da lei judaica é mais importante que a crença em Deus em si.
A Torá define como Deus quer que os judeus vivam; traz 613
mandamentos nos textos sagrados que são usados nas sinagogas hoje em dia,
contendo as instruções tidas como recebidas por Moises há cerca de 3,5 mil
anos.
Nos cinco livros do Velho Testamento atribuídos à
Moisés (já comentado), temos a descrição de como Deus criou o homem, como o
protegeu, e como atuou para libertar, organizar e, conduzir o povo hebreu a
terra prometida.
A tradição israelita
confirma que Moisés foi educado o Egito na época em que o faraó Aquenaton
assumiu o monoteísmo, sendo ele mesmo se declarado descendente de Deus. Se a
concepção de um Deus único sobreviveu, certamente se deve a Moisés.
Entre as doutrinas
antigas que ainda sobrevivem nas comunidades modernas, a doutrina mosaica
exerceu e, ainda exerce profunda influência, principalmente pela força de sua literatura
e dos personagens de sua história.
De acordo
com o judaísmo rabínico tradicional, Deus revelou as suas leis e mandamentos a
Moisés no Monte Sinais, na forma de uma Torá escrita e oral. O judaísmo afirma
uma continuidade histórica que abrange mais de três mil anos. É uma das mais
antigas religiões monoteístas que sobrevive até os dias atuais, e a mais antiga
das três grandes religiões abraâmicas.
Os
hebreus/israelitas já foram referidos como judeus nos livros posteriores a
Bíblia Hebraica, como o Livro de Ester, com o termo judeus substituindo
a expressão Filhos de Israel.
Os
textos, tradições e valores do judaísmo influenciaram mais tarde outras
religiões monoteístas, tais como o Cristianismo, o Islamismo e a Fé Bahá,
religião monoteísta da Pérsia antiga.
Convém lembrar que os
Hebreus, desde a fuga do Egito, viveram como nômades, em constante luta por
território até se fixar em Jerusalém, no reinado de Davi, no ano 1000 a.C.
No ano 586 a.C., foi a
primeira grande diáspora, quando os judeus foram levados para a Babilônia. Em
538 a.C., foram libertados pelos persas, e muitos voltaram para a Palestina.
Os romanos invadiram a Palestina em 63 a.C., o que culminou
em uma diáspora judaica com durabilidade próxima de dois mil anos, uma vez que
migraram para países do continente africano, asiático e europeu. Pode-se dizer que a
unidade do povo hebreu se manteve pela fé doutrinária desde então, até 1948,
quando obteve o direito de voltar a ocupar parte da Palestina, e estabelecer o
país de Israel novamente.
O judaísmo
pode ser dividido em 3 grupos. O judaísmo ortodoxo ou ortodoxo moderno, o
judaísmo conservador, e o judaísmo reformista. A principal diferença entre
esses grupos é a sua abordagem em relação à lei judaica.
O
ortodoxo sustenta que a Torá e a lei judaica são de origem divina, eterna e
imutável, e que devem ser rigorosamente seguidas. Os conservadores e
reformistas são mais liberais, geralmente promovendo uma interpretação mais
"tradicional" de requisitos do judaísmo do que o judaísmo reformista.
A posição
reformista típica é de que a lei judaica deve ser vista como um conjunto de
diretrizes gerais e não como um conjunto de restrições e obrigações cujo
respeito irrestrito é exigido dos judeus.
Nos
tempos modernos, alguns movimentos judeus liberais não aceitam a existência de
uma divindade personificada ativa na história. O debate sobre se alguém pode
falar sobre o judaísmo autêntico ou normativo não é apenas um debate entre
judeus religiosos, mas também entre historiadores.
Nos
tempos modernos, o judaísmo não possui uma autoridade centralizada que dite um
dogma religioso exato. Por esse
motivo, muitas variações diferentes das crenças básicas são consideradas no
escopo do judaísmo.
Mesmo
assim, todos os movimentos do judaísmo são, em maior ou menor grau, baseados
nos princípios da Bíblia Hebraica, e em vários comentários, como o Talmude
(livros sagrados), e no Midrash (II Crônicas 13:22, e 24:27).
Estabelecer
os princípios fundamentais do judaísmo na era moderna é ainda mais difícil,
dado o número e a diversidade das denominações judaicas contemporâneas. Mesmo
que restrinja o problema às tendências intelectuais mais influentes dos séculos
XIX e XX, o assunto permanece complicado.
Nas
atuais correntes do judaísmo, as afirmações sobre o que acontece após a morte
são proposições e não afirmações, e varia quanto a interpretação dada ao que
ocorre na morte, se existe ou não ressurreição.
A maioria
das correntes crê em uma ressurreição no mundo vindouro, enquanto outra parcela
do judaísmo crê na reencarnação, e o sentido do que seja ressurreição ou
reencarnação varia de acordo com a ramificação.
Dentro do
judaísmo, o messianismo é um assunto que pode variar de ramificação para
ramificação. Historicamente diversos personagens foram chamados de Messias, do
hebraico “ungido”, que não assume o mesmo sentido habitual do
cristianismo como um "ser salvador e digno de adoração".
O
conceito do Messias não aparece na Torá, e por isso mesmo, recebe
interpretações diferentes de acordo com cada ramificação. A maior parte dos
judeus crê no Messias como um homem judeu, em algumas ramificações é
considerado que virá da tribo de Judá e da descendência do rei Davi, que
reinará sobre Israel, reconstruirá a nação fazendo com que todos os judeus
retornem à Terra Santa e unirá os povos em uma era de paz e prosperidade sob o
domínio de Deus.
Algumas
ramificações judaicas (reformistas) creem, no entanto, que a era messiânica não
envolva necessariamente uma pessoa, mas sim que se trate de um período de paz,
prosperidade e justiça na humanidade. Dão por isso particular importância ao
conceito de "reparar o mundo", ou seja, a prática de uma série de
atos que conduzem a um mundo socialmente mais justo.
A lei
judaica ortodoxa considera judeu todo aquele que nasce de mãe judia ou se
converte de acordo com essa mesma lei, segundo o judaísmo rabínico. Algumas
ramificações como o Reformismo e o Reconstrucionismo aceitam também a linhagem
patrilinear, desde que o filho tenha sido criado e educado em meio judaico.
“Vida
comunitária judaica” é o nome dado à organização das diferentes comunidades
judaicas no mundo. Há variações de locais e costumes, mas geralmente as
comunidades contam com um sistema de regras comunais e religiosas, um conselho
para julgamento e um centro comunal com local para cerimonias e estudo.
A família
é considerada o principal elemento da vida comunitária judaica, o que ao lado do mandamento de crescei e
multiplicai leva ao desestímulo de práticas ascéticas como o celibato, apesar
da existência de algumas seitas judaicas que promovessem esta renúncia.
A
sinagoga é o local das reuniões religiosas da comunidade judaica, hábito
adquirido após a conquista do Reino de Judá pela Babilônia e a destruição do
Templo de Jerusalém. Com a inexistência de um local de culto, cada comunidade
desenvolveu seu local de reuniões, que após a construção do Segundo Templo tornou-se
os centros de vida comunitária das comunidades da Diáspora.
Na
estrutura da sinagoga destaca-se o Rabino, líder espiritual dentro da
comunidade judaica e o Chazan (cantor litúrgico). Rabino ou rabi,
dentro do judaísmo significa "professor”, “mestre" ou literalmente
"grande". Hoje os rabinos são os responsáveis pelo ensino e aplicação
dos ensinamentos do judaísmo.
Ao
contrário de outras religiões, o rabino não é um sacerdote, não sendo
estritamente necessário para a realização da maioria dos atos do ciclo de vida
judaico, como o casamento, bar-mitzvá (cerimônia que insere o jovem judeu como
um membro maduro na comunidade judaica), sepultamentos e outros. Os
únicos atos que exigem a participação de um rabino são o divórcio, conversões e
litígios que exijam a decisão de um tribunal rabínico.
No
entanto, em nossos dias, em grande parte pela laicização da comunidade judaica,
os rabinos assumiram o papel de condutores da maior parte das cerimônias
religiosas. Ainda assim, no judaísmo clássico antes da diáspora havia a figura
dos "representantes de Deus” — a classe sacerdotal — pessoas com um
contato especial com a divindade. Os Rabinos
são mantidos por doações espontâneas da comunidade.
No início de 2019, o "núcleo" da população judaica
do mundo, aqueles que se identificavam como judeus acima de tudo, era estimado
em 14,7 milhões, ou 0,2% dos 7 bilhões de humanos.
A população judaica "ampliada", incluindo aqueles
que dizem ter ascendência judaica, mas não um pai judeu, e todos os membros não
judeus que vivem em famílias com judeus, além da população judia conectada, é
de 20,9 milhões. Contando todos os "elegíveis" para a cidadania
israelense sob a Lei de Retorno de Israel, além dos judeus israelenses,
totalizou 23,7 milhões. (Fonte: Excertos da Wikipédia)
Sikhismo (25 milhões de adeptos)
Sikhismo é uma religião dármica, uma das religiões que se originaram no subcontinente indiano, isto é,
um conjunto de princípios religiosos e morais que regem o relacionamento das
pessoas, também categorizada como ética por alguns estudiosos, aliados a uma
filosofia que se originou na região ocidental do Himalaia e sub Himalaia do
Punjabe, no subcontinente indiano, por volta do final do século XV.
O
Sikhismo se desenvolveu e evoluiu em tempos de perseguição religiosa,
conquistando adeptos tanto do hinduísmo quanto do islamismo, e é a quinta
doutrina religiosa em número de adeptos no mundo, com cerca de 25 a 30 milhões
de praticantes, conhecidos como sikhs ou siques, no início do século XXI.
O
siquismo se fundamenta nos ensinamentos espirituais do Guru Nanak (1469–1539),
o primeiro da fé sique que assentou as bases de uma plataforma espiritual,
social, e política baseada na igualdade, no amor fraterno, na bondade e na
virtude, seguido pelos nove gurus que o sucederam.
É parte
da crença religiosa sique que o espírito de santidade, divindade e autoridade
religiosa de Guru Nanak subsistiu sobre cada um dos nove Gurus subsequentes
quando a condição lhes foi passada
O décimo
guru, Gobind Singh (1666–1708), nomeou o livro “Guru Granth Sahib” como seu
sucessor, encerrando a linhagem de gurus humanos e estabelecendo a escritura
como o 11º e último guru eternamente vivo, um guia religioso e espiritual para
os siques.
O Guru Nanak ensina que viver uma "vida ativa, criativa e prática"
de "veracidade, fidelidade, autocontrole e pureza" está acima da
verdade metafisica (além da matéria) e que o homem ideal estabelece união com
Deus, conhece Sua Vontade e realiza essa Vontade.
O Guru Har Gobind, o sexto guru sikh (1606–1644), estabeleceu
o conceito de coexistência mútua dos reinos miri (político/temporal) e piri
(espiritual).
As
crenças centrais do siquismo incluem fé e meditação em nome de um único criador,
unidade divina, a igualdade de toda a humanidade, comanda engajar-se em seva
(serviço altruísta), lutando pela justiça para o benefício e prosperidade
de todos, com conduta honesta, e prover os meios de subsistência enquanto vive
a vida de um chefe de família.
O Sikhismo
enfatiza o simran (meditação e lembrança dos ensinamentos dos gurus), que
pode ser expresso musicalmente através do kirtan, ou internamente
através do naam japna (meditação em Seu nome), como um meio de sentir a
presença de Deus. Indica que existe um karma, uma
influência na vida atual decorrente de ações cometidas nas vidas anteriores.
No centro da fé Sikh estão os princípios Sewa e Simran, que se
relacionam com o serviço comunitário, e a lembrança de Deus único,
respectivamente. Além disso, os sikhs são
defensores da tolerância e da igualdade, e acreditam que somente através de
nossos próprios esforços somos capazes de nos libertar. Seguindo
esse padrão, rejeita as alegações de que qualquer tradição religiosa em
particular tenha o monopólio da verdade absoluta.
O
siquismo coloca ênfase em deveres, descritos como os Três Pilares:
·
Manter Deus presente na mente em todos os momentos);
·
Alcançar o sustento através da prática de trabalho honesto;
·
Partilhar os frutos do trabalho com aqueles que necessitam.
Os
templos sikhs recebem o nome de Gurduwara ("A porta do Mestre").
Neles ocupa um lugar de privilégio o livro sagrado, o Guru Granth Sahib. A
arquitetura destes templos reflete um estilo mogol tardio influenciado pelo
estilo hindu. Não existem neles estátuas e não têm qualquer orientação
especial.
Visitar
diariamente o Gurduwara é um dever religioso de todos os sikhs. Está
aberto a pessoas de outras religiões, mas todos os visitantes devem trazer a
cabeça coberta, descalçar os sapatos e lavar os pés antes de nele penetrarem, em
sinal de respeito.
No Gurduwara eles se curvam diante do Livro Sagrado ou Guru Granth Sahib.
Não há cadeiras e todos se sentam no chão como iguais. Um granthi é uma pessoa
responsável pela leitura do livro sagrado Sikh durante o culto público, mas não é um sacerdote, pois o Sikhismo não tem hierarquia
ou sacerdócio.
A não
aceitação pelos sikhs do sistema de castas reflete-se no fato de muitos sikhs
preferem evitar o uso do sobrenome, muito ligado à identificação das castas,
utilizando somente o seu nome individual seguido de Singh ou Kaur.
A fé Sikh possui adeptos em países que receberam emigrantes da
Índia, como Canadá, Estados Unidos, África do Sul, Australia e Reino Unido,
entre outros.
Xintoísmo (119 milhões de adeptos)
As
origens mais antigas do Xintoísmo são desconhecidas, mas acredita-se que o
professado hoje começou a se formar provavelmente ao redor de 982 a.C., após as
primeiras migrações do que viria a ser o povo japonês (também existem muitas
dúvidas quanto a origem do povo japonês), quando as pessoas se estabeleceram em
pequenas tribos, isoladas umas das outras, e cada qual possuía suas próprias
divindades e ritos.
Com a
ascendência dos ancestrais do que viria a ser a família imperial japonesa
(tradicionalmente considera-se que no Japão, de forma peculiar, houve uma única
dinastia imperial até os dias atuais), as divindades cultuadas por este grupo,
assim como seus ritos, passaram a ter certo destaque sobre os outros, apesar de
muito das características regionalistas do xintoísmo ainda existirem, o que
reforça esta ideia de uma religião primordialmente de caráter local.
O
Xintoísmo atual é o mesmo que era praticado no Japão antes de qualquer
influência estrangeira. De origem animista, isto é, possui uma essência
espiritual algo misteriosa, ele reflete a crença e a mentalidade que em grande
parte continuam presentes na fé xintoísta.
O
período, de formação e organização de crenças e de práticas do Xintoísmo é
extremamente obscuro, pelo fato de não existirem documentos escritos desta
época. A única forma de aceder ao Xintoísmo antigo é através dos relatos
históricos e mitológicos que refletem tradições mais antigas, transmitidas
oralmente. Uma série de lendas e mitos que explicam a origem do mundo, da
vida e da família imperial japonesa. É baseado no respeito e culto da natureza,
sendo considerado imprescindível para a existência da vida na Terra.
A relação
homem-natureza é o ponto central do Xintoísmo, portanto, uma crença panteísta de que
todos os elementos são Deuses compostos pelas substâncias, forças e leis da
natureza. Desta forma, existem vários deuses (kami), cada um responsável por um elemento
específico da natureza e do Cosmos. A palavra Xintoísmo surgiu a partir da
expressão Kami-no-Michi, que na tradução literal significa "Caminho dos
deuses".
Alguns
estudiosos chegam a desconsiderar o Xintoísmo como uma religião, pois não
possui um dogma estabelecido, uma escritura de leis, código moral ou mesmo um
autor ou profeta fundador, a exemplo de outras religiões.
Porém, o
que torna o xintoísmo uma das mais importantes religiões do mundo é sua
influência sobre os mais variados aspectos da vida de seus seguidores, que
adotam a filosofia xintoísta em seus cotidianos mesmo que já tenham outro tipo
de religião.
A
receptividade a novas culturas e religiões também é uma das características do Xintoísmo,
que não se classifica como uma crença exclusivista. Praticamente convive com o
Budismo.
As
cerimônias xintoístas podem ser feitas em casa ou nos templos, possuindo quatro
principais etapas: a purificação (limpeza da boca e das mãos com água); as
oferendas (pequenos amuletos, pinturas e demais objetos); as preces e a festa
sagrada.
Nos
rituais xintoístas predomina a necessidade de estabelecer um equilíbrio entre o
ser humano e a natureza, que é compreendida como uma guia e parceira do homem.
Para chegar a este equilíbrio, é necessária a purificação do corpo e da alma.
A visão
xintoísta de conexão e intimidade com a natureza se opõe ao comportamento do
homem ocidental, que enxerga as forças naturais como adversárias, lutando e
tentando dominá-la e subjugá-la.
Atualmente,
a estimativa é que cerca de 119 milhões de pessoas pratiquem o xintoísmo no
Japão. O número é elevado por causa da falta de exclusividade do xintoísmo como
religião, ou seja, muitos japoneses possuem outras crenças e mesmo assim
praticam rituais tipicamente xintoístas em casa ou nos templos.
Em 1946,
com a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial, o imperador Hiroito renunciou
ao caráter divino que era atribuído aos governantes japoneses. A nova
constituição japonesa passou a defender a liberdade religiosa da população.
(Excertos
do site: https://www.significados.com.br/xintoismo)
Budismo (500 milhões de
adeptos)
O Budismo
é uma doutrina indiana, baseada nos ensinamentos de Sidarta Gautama, conhecido
como “Buda”. Surgiu na Índia, como uma tradição ascética entre os séculos
VI e IV a.C. Atualmente é a quarta maior religião em número de adeptos, com
mais de 520 milhões de seguidores (cerca de 7% a 8% da população global), conhecidos
como budistas.
De
caráter filosófico, o Budismo é considerado não teísta porque o conceito
budista de “Deus” é diferente do conceito ocidental, Entre as
suas maiores linhas de pensamento, o controle dos eventos da Terra e do Universo
está nas mãos dos “Devas” (um dos diferentes
tipos de seres não-humanos mais poderosos, que vivem mais, e no geral, têm uma
existência mais perfeita do que a média dos seres humanos), dos Bodisatvas (um bodhisattva
é qualquer pessoa movida por grande compaixão), dos próprios humanos, de
espíritos famintos, e de seres dos infernos.
Embora muitas vezes interpretado como uma doutrina que nega a
existência do “eu”, é descrito com mais precisão como uma estratégia para
alcançar o desapego, reconhecendo tudo como impermanente, enquanto permanece em
silêncio sobre a existência última de uma essência imutável.
Os dois
maiores ramos do budismo são o Theravada ("Escola dos Anciões") e o
Maharâyana ("O Grande Veículo"). A maioria das tradições budistas se
concentram na superação do eu individual através da conquista do nirvana, ou da
busca do caminho do Buda, o que leva ao fim do ciclo de morte e renascimento.
As
escolas do Budismo divergem em suas interpretações sobre a natureza exata do
caminho para a libertação, a importância e a canonicidade dos textos budistas, e
especialmente, seus ensinamentos e suas práticas. Entretanto, as bases de todas
as tradições e práticas são as Três Joias: o Buda (o mestre), o dharma (os
ensinamentos baseados nas leis do universo) e a sangha (a comunidade budista).
Encontrar
refúgio espiritual nas Três Joias ou Três Tesouros é, em geral, o que distingue
um budista de um não-budista. Outras práticas incluem a renúncia à vida secular
para se tornar um monge ou monja, a meditação, e o cultivo das perfeições.
O budismo
Theravada é amplamente seguido no Sri Lanka e em países do Sudeste Asiático, como
Camboja, Laos, Mianmar e Tailândia. A tradição Maharâyana, que inclui escolas
como o Zen, a Terra Pura, o Shingon e o Tendai, a mais difundida nos países do
Leste Asiático, tais como China, Coreia, Japão, Singapura, Taiwan e Vietnã.
O
Vajarayana, um conjunto de ensinamentos surgidos nas comunidades tântricas da
Índia pode ser visto tanto como uma escola separada do budismo como uma
tradição esotérica do Maharâyana. Seu maior expoente, o Budismo Tibetano é
praticado na região dos Himalaias (Butão, Nepal, Tibete, e partes da Índia), na
Mongólia e nas repúblicas da Federação Russa.
Por volta
dos quarenta anos, Sidarta se transformou no Buda, o Iluminado. Logo, atraiu um
grupo de seguidores e instituiu uma ordem monástica; a partir de então passou
seus dias ensinando o darma, viajando por toda a parte nordeste do
subcontinente indiano.
Ele
sempre enfatizou que não era um deus, e que a capacidade de se tornar um Buda pertencia
ao ser humano. Faleceu aos oitenta anos de idade, em 483 a.C., na Índia.
No
budismo, o Carma é a força cósmica sobre alguém. Boas ações, e/ou ações ruins
geram sementes na mente, que virão a aflorar nesta vida ou em um renascimento
subsequente. Com o objetivo de cultivar as ações positivas, o Sila é um
conceito importante do budismo, geralmente, traduzido como "virtude",
"boa conduta", "moral" e "preceito".
O Carma,
na filosofia budista, refere-se especificamente às ações do corpo, da fala e da
mente que brotam da intenção mental, e que geram consequências e/ou resultados.
Cada vez que uma pessoa age, há alguma qualidade de intenção em sua mente e
essa intenção muitas vezes não é demonstrada pelo seu exterior, mas está em seu
interior e determinará os efeitos dela decorrentes.
No
Budismo Theravada não pode haver salvação divina ou perdão de um carma, uma vez
que é um processo puramente impessoal que faz parte do Universo. Outras
escolas, como a Maharâyana, porém, têm opiniões diferentes. Afirmam que,
recitando ou simplesmente ouvindo seus mantras, as pessoas podem expurgar
grandes carmas negativos.
Renascimento
refere-se a um processo pelo qual os seres passam por uma sucessão de vidas
como uma das muitas formas possíveis de senciência, isto é, da capacidade dos seres de sentir sensações e sentimentos de
forma consciente. Em outras palavras: é a capacidade de ter percepções
conscientes do que lhe acontece e do que o rodeia.
De acordo
com o budismo, o renascimento em existências subsequentes deve antes ser
entendido como uma continuação dinâmica, um constante processo de mudança
determinado pelas leis de causa e efeito.
O
renascimento em alguns dos céus mais altos, conhecido como mundo de moradas
puras, pode ser alcançado apenas por pessoas com enorme realização espiritual,
conhecidos como não regressistas.
De acordo
com o Cânone, As Quatro Nobres Verdades foram os primeiros ensinamentos
deixados pelo Buda depois de atingir o nirvana. Algumas vezes, são consideradas
como a essência dos ensinamentos do Buda e são apresentadas na forma de um
diagnóstico médico.
1.
a vida como a conhecemos é finalmente levada ao sofrimento e/ou
mal-estar, de uma forma ou outra;
2.
o sofrimento é causado pelo desejo, o que é, muitas vezes,
expressado como um engano preso a um certo sentimento de existência, como a
individualidade ou para coisas ou fenômenos que consideramos causadores da
felicidade e infelicidade. O desejo também tem seu aspecto negativo;
3.
o sofrimento acaba quando termina o desejo. Isso é conseguido
através da eliminação da ilusão. Assim, alcançamos o estado de libertação do
iluminado;
4.
esse estado é conquistado através dos caminhos ensinados
pelo Buda.
Esse
método é descrito por alguns acadêmicos ocidentais e ensinado como uma
introdução ao budismo por alguns professores contemporâneos do Mahayana, como
por exemplo o 14º Dalai Lama, Tenzin Gyatso.
Como
expresso nas Quatro Nobres Verdades do Buda, a meta do budismo é a superação do
sofrimento causado pelo desejo, e pela ignorância em relação à verdadeira
natureza da realidade, formada pela impermanência e não existência de fenômenos
condicionados mentais permanentes, negando que eles tenham uma realidade
substancial independente e que sejam um eu/self (anattã).
De acordo
com outras interpretações de mestres budistas e eruditos, recentemente
reconhecidas por alguns estudiosos ocidentais não budistas, as
"verdades" não representam meras declarações e/ou indicações,
entretanto estas podem ser classificadas em dois grupos:
1.
o sofrimento e as causas do sofrimento;
2.
a cessação do sofrimento e os caminhos para a libertação.
A
compreensão tradicional sobre As Quatro Nobres Verdades é que estas são um
ensino avançado para aqueles que estão "prontos". A posição mahayana
é que são ensinamentos prejudiciais para as pessoas que ainda não estão prontas
para assimilar.
O Nobre
Caminho Óctuplo, conforme a Quarta Nobre Verdade do Buda é o caminho para a o
fim do sofrimento. Tem oito seções, cada uma começando com a palavra “samyak”,
que em significa "corretamente" e "devidamente"), e são
apresentadas em três grupos:
Prajna: é a
sabedoria que purifica a mente, permitindo-lhe atingir uma visão espiritual da
natureza de todas as coisas. Engloba:
1.
Ver a realidade como ela
é, não apenas como parece ser;
2.
A intenção de renúncia,
de liberdade e inocuidade.
Sila: é a
ética ou moral, a abstenção de atos nocivos. Engloba:
3.
Falar de uma maneira verdadeira e não ofensiva;
4.
Agir de uma maneira não prejudicial;
5.
O meio de vida deve seguir os preceitos citados anteriormente.
Samadhi: é a disciplina mental
necessária para desenvolver o domínio sobre a própria mente. Isso é feito
através das práticas:
6.
Fazer um esforço para
melhorar;
7.
Ver as coisas como elas
estão com a consciência clara da realidade presente dentro de si mesmo, sem
desejo ou aversão;
8.
Meditar ou concentrar-se
de maneira correta.
A prática
do Caminho Óctuplo é compreendida de duas maneiras: desenvolvimento simultâneo
dos oito itens paralelamente, ou como uma série progressiva pela qual o
praticante se move, ao conquistar cada estágio.
Contudo, as
Quatro Nobres Verdades e o Caminho Óctuplo, geralmente, não são ensinados para
leigos e são pouco conhecidos no Extremo Oriente.
Na Índia,
a tradição mais seguida é a Navayana ("Novo Veículo" em
sânscrito), um movimento neo-budista fundado por Bhimrao
Ramji Ambedkar (1891 – 1956), popularmente conhecido como Babasaheb, um
nacionalista, jurista, economista, político e reformista indiano que inspirou o
revivalismo Budista na Índia, rejeitando as doutrinas originais das
tradições Theravada e Maharâyana para interpretar o budismo sob um viés de luta
de classes. Ele inspirou milhares de membros da casta inferior, a se
converterem ao budismo.
(Excertos
da Wikipedia)
Hinduísmo (1,3 bilhão
de adeptos)
O Hinduísmo é a
terceira maior religião do mundo, originária da Índia, com mais de 1,35 bilhão
de seguidores conhecidos como hindus (seguidores do hinduísmo), o que
representa cerca de 17% da população mundial.
A
doutrina Hinduísta está explicita no Dharma, a lei
única que governa ao mesmo tempo a natureza sensível e suprassensível, a
sociedade e a moral, e rege a conduta individual, impondo, de acordo com a
casta e a posição que se ocupa na sociedade, a maneira correta de agir,
conforme a cultura indiana.
Hindu é o nome do rio Indo do
persa antigo, correspondente ao sânscrito védico Sindhu. O termo foi
utilizado para designar aqueles que viviam no subcontinente indiano, ou para
além do "Sindhu".
O
hinduísmo é considerado a religião mais antiga do mundo; muitos praticantes se
referem à sua religião como Sanātana Dharma (Dharma Eterno) em
uso moderno, mas que suas origens estão além da história humana, e conforme
revelado nos textos hindus é um sistema diversificado de pensamento, marcado
por uma variedade de filosofias e conceitos compartilhados, rituais, sistemas
cosmológicos, locais de peregrinação e fontes textuais compartilhadas que
discutem teologia, metafísica, mitologia, rituais védicos e Ioga, entre outros
assuntos.
Temas
proeminentes nas crenças hindus incluem os quatro objetivos da vida humana, ou
seja, dharma (ética/deveres), artha (prosperidade/trabalho), kama
(desejos/paixões) enmoksha (libertação/liberdade das paixões e do ciclo
de morte e renascimento), além do karma
(ação, intenção e consequências) e samsâra (ciclo de morte e
renascimento).
O
hinduísmo prescreve os deveres eternos, como honestidade, abster-se de ferir os
seres vivos, paciência, tolerância, autocontrole, virtude e compaixão, entre
outros.
As
práticas hindus incluem adoração, rituais de fogo, recitações, devoção, canto,
meditação, sacrifício, caridade, serviço altruísta, homenagem aos ancestrais,
ritos de passagem voltados para a família, festivais anuais e peregrinações
ocasionais.
Juntamente
com as várias práticas associadas à Ioga, alguns hindus deixam seu mundo social
e posses materiais e se envolvem ao longo da vida em monasticismo para alcançar
a libertação.
Os textos
hindus são classificados em "ouvido" e "lembrado", cujas
principais escrituras são os Vedas, os Upanishades, os Puranas, o
Mahabharata, o Ramayana, e os Agmas.
Enquanto
a cronologia purânica apresenta uma genealogia em milhares de anos, começando
com os rishis védicos (guias divinos que nos mostram o caminho para
a iluminação e a realização da Verdade Suprema), os estudiosos consideram
o hinduísmo como uma fusão ou síntese da ortopraxia (prática correta)
bramânica, com várias tradições culturais indianas com diversas raízes e nenhum
fundador específico.
O
hinduísmo é a fé mais amplamente professada na Índia, Nepal, Ilhas Mauricio, e
em Bali, Indonésia. Números significativos de comunidades hindus são
encontrados em outros países do sul e sudeste da Ásia, no Caribe, nas Américas,
Europa, Oceania, África, e outras regiões.
O
hinduísmo pode ser subdividido em diversas correntes principais. Das seis divisões
históricas originais, apenas duas escolas, a Vedanta e a Raja Ioga, sobrevivem.
Não tem um "sistema unificado de crenças, codificado numa declaração de fé
ou um credo, mas sim é um termo abrangente, que engloba a pluralidade de
fenômenos religiosos que se originaram e são baseados nas tradições védicas.
A civilização
védica, segundo o que consta nos Vedas (escrituras sagradas do
Hinduísmo), foi a civilização que floresceu na região do subcontinente indiano
e tinha como base de sua cultura (tanto material quanto espiritualmente), os
princípios que hoje podemos encontrar nos textos védicos.
O
território então ocupado por aquela civilização corresponde ao atual Punjabi, na
Índia e Paquistão, e à maior parte da Índia setentrional. Segundo a maioria dos
estudiosos acadêmicos ocidentais, a civilização védica desenvolveu-se nos
segundo e primeiro milênio a.C., embora a própria tradição da literatura védica
proponha uma data muito mais remota, chegando a dezenas e centenas de milhares
de anos.
A
característica da tolerância compreensiva às diferenças de credo e a abertura
dogmática do hinduísmo o torna difícil de ser definido como uma religião de
acordo com o conceito ocidental tradicional.
Muitas
pessoas manifestam algum tipo de problema ao tentar chegar a uma definição do
termo, principalmente devido à ampla gama de tradições e ideias incorporadas ou
cobertas por ele. Embora seja descrito como uma religião, o hinduísmo costuma
ser definido com mais frequência como uma 'tradição religiosa'. É descrito como
a mais antiga das religiões mundiais, e mais diversa em tradições.
Algumas
filosofias hindus postulam uma ontologia teísta da criação, sustento e
destruição do universo, enquanto outros hindus são ateus. O hinduísmo por vezes
é caracterizado pela crença na reencarnação, determinada pela lei do karma,
e que a salvação é a liberdade deste ciclo de sucessivos nascimentos e mortes.
Uma
definição dada pelo primeiro vice-presidente da Índia, o reputado e teólogo
Sarvepalli Radhakrishnan (1888-1975), filósofo e político indiano, um dos
mais distintos acadêmicos do século XX em estudos comparativos de religião e
filosofia, e o primeiro indiano a ser nomeado professor na Universidade de
Oxford, diz que o Hinduísmo não é "apenas uma fé", mas que,
por estar ele próprio relacionado à união da razão e intuição, não pode ser
definido, apenas experimentado.
De
maneira similar, alguns acadêmicos sugerem que o hinduísmo pode ser visto como
uma categoria com limites pouco definidos, e não uma doutrina rígida e
bem-definida. Algumas formas de expressão religiosa são centrais ao hinduísmo,
enquanto outras não o são, porém ainda se enquadram dentro da categoria. Com
base nisto, desenvolveram-se algumas teorias acerca da definição do hinduísmo
como a “teoria dos protótipos”.
Os
problemas com uma única definição do que realmente se quer dizer pelo termo
'hinduísmo' frequentemente são atribuídas ao fato de que o hinduísmo não tem um
fundador histórico único ou comum. O hinduísmo ou, como alguns dizem,
'hinduísmos', não tem um sistema único de salvação, e apresenta diferentes
metas de acordo com a seita ou denominação.
As formas
da religião védica são vistas não como uma alternativa ao hinduísmo, mas como a
sua forma mais antiga, e praticamente não há justificativa para as divisões
estabelecidas pela maior parte dos acadêmicos ocidentais entre o vedismo e o
bramanismo, e o próprio hinduísmo.
De acordo
com o livro História das Grandes Religiões, "o hinduísmo é um estado de
espírito, uma atitude mental dentro de seu quadro peculiar, socialmente
dividido, teologicamente sem crença, desprovido de veneração em conjunto e de
formalidades eclesiásticas ou de congregação, e ainda substitui o
nacionalismo".
O
hinduísmo é um sistema diversificado de pensamento, com crenças que abrangem
monoteísmo, politeísmo, panenteísmo, panteísmo e ateísmo; o seu conceito de
Deus é complexo, e está vinculado a cada uma das suas tradições e filosofias.
Por vezes é tido como uma religião henoteísta, isto é, que envolve a devoção a
um único deus, embora aceite a existência de outros, porém o termo é visto da
mesma maneira que os outros, como uma generalização excessiva. Também existem
escolas, como o Sânquia, que têm tendências ateias.
A maior
parte dos hindus acredita que o espírito ou alma, o "eu" verdadeiro
de cada pessoa, é eterno. De acordo com as teologias monistas/panteístas do
hinduísmo, o espírito não pode ser separado, em última instância, do Brâmane, o
espírito supremo, concluindo que ele é idêntico ao espírito supremo.
Monista -
sistema filosófico segundo o qual a realidade - tudo o que existe
- se reduz somente em um único princípio, estando os seres condicionados a ele.
Panteísta - crença de que absolutamente tudo e todos
compõem um Deus abrangente, e imanente, ou que o Universo e Deus são idênticos.
Sendo assim, os adeptos dessa posição, os panteístas, não acreditam num deus
pessoal, antropomórfico ou criador.
Os épicos
hindus e os Puranas relatam diversos episódios da descida de Brahma (Deus) à
Terra em sua forma corpórea para restaurar o Dharma: a lei única que governa ao mesmo tempo a natureza sensível e
suprassensível, a sociedade e a moral, e rege a conduta individual, impondo, de
acordo com a casta e a posição que se ocupa na sociedade, a maneira correta de
agir, para guiar os
humanos a libertação.
De acordo
com os Upanishades (preceitos das escrituras), a alma desenvolve impressões a
partir das ações, sejam elas físicas ou mentais. Um corpo mais sutil que o
físico, porém, menos sutil que a alma, armazena as impressões, e os carrega à
vida seguinte, estabelecendo uma trajetória única para o indivíduo. Isso é o Karma,
que pode ser traduzido literalmente como "ação", "obra"
ou "feito" e pode ser descrito como a "lei moral de causa e
efeito".
Assim, o
conceito de um carma infalível, neutro e universal, relaciona-se
intrinsecamente à reencarnação, assim como à personalidade, característica e
família de cada um. O carma une os conceitos de livre arbítrio e destino.
O ciclo
de ação, reação, nascimento, morte e renascimento é um fenômeno contínuo
chamado de samsra (renascimento e ciclicidade de nascimentos de toda a vida, matéria e existência). A noção
de reencarnação e carma é uma premissa forte do pensamento hindu. O
Bagavadquita afirma que, assim como uma pessoa veste roupas novas e joga fora
as roupas antigas e rasgadas, uma alma encarnada entra em novos corpos
materiais, abandonando os antigos.
A vida
material dá prazeres efêmeros, que levam as pessoas a desejarem o renascimento
para gozar dos prazeres de um corpo perecível. No entanto, acredita-se que
escapar do mundo material através da libertação assegura felicidade e paz
duradouras. Depois de diversas reencarnações a alma procura a união com o
espírito cósmico (Brâmane/Paramatman).
A meta
final da vida, referida como libertação, nirvana ou samãdhi, é compreendida de
diversas maneiras diferentes: como uma realização da união de alguém com Deus;
como a realização da relação eterna de alguém com Deus; realização da unidade
de toda a existência; abnegação total e conhecimento perfeito do próprio Eu; como
o alcance de uma paz mental perfeita; e como o desprendimento dos desejos
mundanos. Tal realização libera o indivíduo da matéria e termina com o ciclo de
renascimentos.
A
conceitualização da libertação difere entre as várias escolas de pensamento
hindu. O Advaita Vedanta, por exemplo, sustenta que após alcançar a libertação,
uma alma não mais identifica a si próprio como um indivíduo, mas sim como sendo
idêntico a Brâmane (parte de Brahma – Deus) em todos os aspectos.
Os
seguidores das escolas dualísticas se identificam como parte de Brâmane, e após
atingir a libertação, esperam passar a eternidade num céu, na companhia de sua
forma escolhida de Deus. Assim, diz-se os seguidores do dualismo (Dvaita) desejam
"provar o açúcar", enquanto os seguidores do Advaita querem
"se tornar açúcar".
Qualquer
que seja a maneira na qual o hindu defina a meta de sua vida, existem diversos
métodos (yôgas) que os sábios ensinaram para se atingir aquela meta.
Textos dedicados a Ioga incluem o Bhagavad Gita, os Ioga Sutras, o Hatha
Yoga, a Gheranda Samhita, entre outros, e, como sua base filosófico-histórica,
os Upanishads.
Um
indivíduo pode preferir um, ou alguns métodos Iogas sobre outros, de acordo com
a sua inclinação e entendimento. A prática de um método Ioga não exclui os outros,
e muitos estudiosos acreditam que os diferentes Iogas se misturam naturalmente
e auxiliam na prática das outros Iogas.
As
práticas hinduístas geralmente envolvem a procura da consciência de Deus, e por
vezes também a procura de bênçãos dos deuses. Assim, o hinduísmo desenvolveu
muitas destas práticas como forma de ajudar o indivíduo a pensar na divindade
em meio à vida cotidiana através de mantras, que são invocações, louvores e
orações que, através de seu significado, som e estilo de canto, ajudam um
devoto a focar a sua mente nos pensamentos sagrados ou exprimir devoção a Deus
ou às divindades.
Os hindus
podem praticar o culto ou veneração tanto em casa como num templo. Em seus
próprios lares os hindus costumam criar um altar com ícones dedicados às suas
formas escolhidas de Deus. A visita a templos não é obrigatória, e muitos os
visitam apenas durante os festivais religiosos. A imensa maioria dos hindus realiza
rituais religiosos diariamente, porém a observância destes rituais varia
enormemente de acordo com as regiões, cidades ou aldeias e indivíduos.
Outras
características incluem a crença na eficácia do sacrifício e do conceito de
mérito, ganho através da realização da caridade ou de bons atos, que acumulam
com o tempo e reduzem o sofrimento no próximo mundo.
Ocasiões
como nascimentos, casamentos e mortes envolvem o que são frequentemente
conjuntos elaborados de costumes religiosos. No hinduísmo, os rituais que
tratam do ciclo da vida incluem a primeira ingestão de comida sólida por um
bebê, "cerimônia do fio sagrado" pela qual passam as crianças de
castas elevadas em sua iniciação na educação formal, e ritual de conceder
banquetes em nome dos falecidos.
Para a
maior parte das pessoas na Índia, o noivado de um jovem casal e a data e hora
exatas do casamento são questões decididas pelos pais, em consultas com
astrólogos. Na morte, a cremação, que é considerada obrigatória para todos, com
a exceção de mulheres grávidas e crianças abaixo de doze anos.
A
peregrinação não é obrigatória no hinduísmo, embora muitos de seus seguidores
as realizem. Os hindus reconhecem diversas cidades sagradas na Índia, incluindo
as cidades que possuem templos famosos.
O
hinduísmo baseia-se no "tesouro acumulado de leis espirituais descobertas
por diferentes pessoas em diferentes tempos". As escrituras foram
transmitidas oralmente, na forma de versos para auxiliar na sua memorização,
muitos séculos antes de serem escritos. Ao
longo dos séculos diversos sábios refinaram estes ensinamentos e expandiram o
cânone.
Na crença
hindu pós-védica e moderna a maior parte das escrituras não costuma ser
interpretadas literalmente; dá-se mais importância aos significados éticos e
metafóricos derivados delas. A maior parte dos textos sagrados está em
sânscrito.
Enquanto
muitos hindus veneram os Vedas como verdades eternas reveladas aos antigos
sábios, alguns devotos não associam a criação deles com qualquer divindade ou
pessoa, acreditando serem leis do mundo espiritual, que existiriam mesmo se não
tivessem sido reveladas aos sábios. Os hindus acreditam que, como as verdades
espirituais dos Vedas são eternas, eles estão sendo expressos continuamente, de
diferentes maneiras.
O sacerdócio no hinduísmo é exercido pela mais elevada casta
indiana, os Brâmanes. O termo brâmane significa literalmente "aquele que
realizou a divindade". A maioria dos Brâmanes é conhecida por praticarem
um vegetarianismo rígido, apesar de, atualmente, a prática ser baseada de
acordo com a região. A maioria dos Brâmanes é abastada, não dependendo de doações.
Islamismo (1,8 bilhões
de adeptos)
O Islamismo é uma das mais importantes religiões mundiais originária da
península Arábica, revelado por Abu Alcácime Muhammad ibne
Abdalá ibne Abedal Motalibe ibne Haxime, mais conhecido como Maomé (571-632
d.C.), líder religioso, político e militar, que escreveu o Alcorão, a base doutrinária do Islã.
O nome “Islã”, é derivado da palavra árabe
"salam", que é muitas vezes interpretado como significando "paz",
no entanto "submissão" seria uma tradução melhor. Os seguidores do Islã
são chamados de "Muçulmanos", uma palavra árabe que se refere a uma
pessoa que se submete à vontade de Deus. Os muçulmanos sentem-se ofendidos quando são chamados de maometanos pois
isto implica a ideia de um culto pessoal a Maomé, proibido pelo Islã.
Ressalte-se que a
religião islâmica é praticada em muitos países; nem todos os árabes são
muçulmanos, e nem todos os muçulmanos são árabes. Por exemplo, a Indonésia (229
milhões de adeptos) e a Índia (200 milhões de adeptos). Estima-se que em 2070
será a maior religião do mundo.
Como o Cristianismo
e o Judaísmo, o Islamismo compõe o grupo das religiões abraâmicas (da relação
de Deus com Abraão) e reconhece o Antigo e o Novo Testamento como parte da
mensagem divina, mas para os muçulmanos o Alcorão é a versão definitiva da
palavra divina. Depois dele, não haverá novas mensagens.
Maomé promoveu o surgimento de um grande estado, inclusive com o
uso da força para erradicar as ideias politeístas que predominava em algumas
áreas, unificando através da doutrina
islâmica as múltiplas tribos árabes em torno da crença de que todos são irmãos,
harmonizando a vida em sociedade, o que permitiu a formação
daquilo que viria a ser um califado que se estendeu da Pérsia até a Península
Ibérica.
Para o
Islamismo, Maomé é o mais recente e último profeta do Deus de Abraão, sendo precedido
em seu papel de profeta por Jesus, Moisés, Davi, Jacó, Isaac, Ismael e Abraão.
Não é considerado pelos muçulmanos como um ser divino, mas um ser humano;
contudo, entre os fiéis ele é visto como um dos mais perfeitos seres humanos
que habitaram a Terra, e o próprio Alcorão ou Corão,
o livro sagrado do Islã assim o estabelece.
Maomé
tinha por hábito retirar-se para orar e meditar nos montes perto de Meca. Os
muçulmanos acreditam que em 610 d.C., quando Maomé tinha quarenta anos foi
visitado pelo anjo Gabriel que lhe ordenou que recitasse os versos enviados por
Deus, e comunicou que Deus o havia escolhido como o último profeta enviado à
humanidade, enquanto realizava um desses retiros espirituais numa das cavernas
do Monte Hira. Maomé deu ouvidos à mensagem do anjo, e após sua morte, esses
versos foram reunidos e integrados no Alcorão durante o califado de Abacar.
Maomé não
rejeitou completamente o judaísmo e o cristianismo, duas religiões monoteístas já
conhecidas pelos árabes. Em vez disso, teria declarado ser necessária a
proteção dessas religiões, e informou que tinha sido enviado por Deus para
restaurar seus ensinamentos originais que tinham sido corrompidos e esquecidos.
Porém, de
acordo com a Enciclopédia Judaica, Maomé tornou-se cada vez mais hostil aos
judeus ao longo do tempo quando percebeu que havia diferenças irreconciliáveis
entre o Islã e o Judaísmo, especialmente quanto à crença em sua missão
profética, o que se tornou credo dos muçulmanos.
Os muçulmanos creem que o Alcorão é a palavra literal de Deus
revelada ao profeta Maomé ao longo de um período de vinte e três anos. A
palavra Alcorão deriva do verbo árabe que significa declamar ou recitar; é,
portanto, uma "recitação" ou algo que deve ser recitado.
Entre os 6.326
versículos do Alcorão há desde instruções para o casamento, até regras sobre
como o governante deve agir na cobrança de impostos. Os capítulos são
organizados por temas, como diz o libanês Samir El Hayek, tradutor da primeira
edição em português no Brasil, ou melhor, tradutor do “significado do Alcorão”,
já que os muçulmanos só chamam de Alcorão a versão original em árabe, com as
palavras exatas de Alá, sem qualquer alteração no texto desde que ele foi
escrito.
O monoteísmo é um
ponto central para o Islã, a crença em um Deus (Alá), único e onipotente. Deus
desempenha quatro funções fundamentais para a humanidade: criação, sustentação,
orientação e julgamento, que se conclui com o dia do Juízo, no qual todos os
indivíduos serão julgados de acordo com seus atos.
Deus, que criou o
Universo por absoluta misericórdia, é obrigado também a mantê-lo. A natureza é
subordinada aos homens que podem explorá-la e beneficiar-se dela. Todavia, o mais
importante objetivo humano consiste em existir para o "serviço de
Deus". (Fonte: História do mundo árabe.)
O Alcorão admite que
Abraão, Moisés e Jesus receberam, de fato, mensagens divinas, mas para o Islã,
Jesus é simplesmente um dos grandes profetas, assim como, Moisés e o patriarca
Abraão. O Islã não obriga à conversão, e ao menos nos primeiros séculos da nova
fé, a tolerância religiosa era a regra. Essa tolerância está expressa no texto
sagrado: “Não
disputeis com os adeptos do Livro senão da maneira mais pacífica”.
Os “adeptos do
Livro” são os cristãos e os judeus. “Nosso Deus e o vosso são Um e a Ele nos
submetemos”, prossegue o Alcorão, deixando claro que respeita e
aceita as outras duas crenças que adoram o mesmo Deus, seja chamando-o de Alá
ou Jeová.
Sobre os não
seguidores de Maomé, diz o texto, “primeiro deve-se tentar convertê-los. Caso
eles não aceitem a proposta, podem manter sua fé, desde que paguem tributos. Se
os infiéis, ainda assim, não obedecerem, matai-o onde quer que os ache;
capturai-os, acossai-os e espreitai-os”.
Apesar de ser uma
determinação para o período de unificação dos árabes, o uso das passagens
belicosas do Alcorão por líderes e governantes em tempos de guerra foi uma
constante em seus 14 séculos de história.
Quando morreu, em
632, Maomé deixou a “Suna”, composta pelos atos e dizeres de Maomé, chamados de
hadiths (leis), inferiores apenas ao livro sagrado, e que vigoram até hoje
regendo boa parte da vida cotidiana. É um hadith, por exemplo, que proíbe aos
artistas a reprodução fiel de animais, baseado no preceito de que só Deus pode
dar a vida. Representar seres humanos então, nem pensar.
Apesar de
inquestionáveis, os hadiths passaram por muitas transformações até chegarem à
forma atual. Muitos foram transmitidos oralmente por mais de 100 anos até serem
escritos, e houve muitas alterações, devido à precariedade da tradição oral e à
incorporação de tradições dos vários povos do mundo árabe.
Além da aceitação e da récita do credo
(chahada), o devoto tem mais quatro obrigações: a oração diária; o jejum durante o mês
lunar do Ramadã; distribuição de esmolas e, se possível, uma peregrinação à
cidade santa de Meca. É recomendado aos seus seguidores a abstenção do vinho.
Depois que Maomé
faleceu, em 632, as disputas pela liderança deram origem aos Xiitas (de shia,
“partido”, em árabe), um ramo minoritário no Islamismo, mas prevalente até hoje
no Irã. A grande maioria dos muçulmanos, porém, cerca de 85%, só creem na
tradição do profeta, a Suna. São os Sunitas.
Os Xiitas são os que
defendiam que Ali Bin-Abu Talib, primo e genro de Maomé deveria assumir o
comando do islã. O argumento utilizado era de que somente um descendente do
profeta é que poderia conduzir os muçulmanos. Receberam o nome de Shiat Ali,
que pode ser traduzido como “partido” ou “seguidores” de Ali, conhecidos como
xiitas, que corresponde atualmente a cerca de 10 a 15% do total de muçulmanos
existentes no planeta.
Os sunitas, por sua
vez, são o ramo do islamismo que acredita poder escolher livremente um dentre
os seus seguidores como o profeta, pois Maomé não havia indicado nenhum
sucessor. Levando isso em consideração, realizaram um evento chamado Saqifa e
então escolheram Abu Bakr, um dos companheiros mais próximos de Maomé, como
aquele quem comandaria os muçulmanos como sucessor.
O termo “sunita” é
originário de Ahl al-Sunna, que pode ser traduzido como “o povo da tradição”. O
sunismo também é conhecido como islamismo ortodoxo e atualmente corresponde a
cerca de 85 a 90% de todos os muçulmanos do planeta."
Nos primeiros
séculos, o império árabe era administrado por um homem só, o Califa, sediado
primeiro em Medina (na Arábia Saudita), depois em Damasco (na Síria), e depois
em Bagdá (no Iraque). Mais tarde, o poder se fragmentou, com vários califas
simultâneos. Mas não importava quantos eram os governantes, nem as diferenças
entre suas decisões, seguindo uma ou outra escola de interpretação do livro
sagrado. Viajantes que cruzaram a Arábia de ponta a ponta relataram uma
sensação de que o mundo muçulmano era um só.
Por volta do ano 750 da era cristã, os árabes invadiram
a China, a Índia, parte da costa sul do Mediterrâneo e Espanha. Em poucos anos já tinham conquistado toda a península arábica, o norte
da África e a Ásia Central, Espanha, Portugal e grande parte da Índia.
A reconquista cristã por volta de 1495,
encerrou o domínio do Islã nas áreas ocupadas. Todavia, a longa presença deixou
importante influência cultural, visivelmente na Espanha.
Em toda parte,
valiam os cinco pilares da religião: aceitar que há só um Deus e que seu
profeta é Maomé; rezar cinco vezes por dia voltado para a Meca; ajudar os
pobres; jejuar no mês sagrado do Ramadan; e peregrinar até a Meca uma vez na
vida. Mais que isso: um livro guiava todos, o Alcorão.
Infelizmente, os desdobramentos políticos que nos últimos tempos
pressionaram as comunidades árabes deram origem ao surgimento de interpretações
radicais da guerra contra os “infiéis”, deturpando a concepção original de que
Deus do islamismo é único e o mesmo para todos os seres humanos, onipotente e
onipresente nas lides da humanidade, embora severo para com os “infiéis”
Para se ter uma ideia, basta ver a “fatwa” (decreto) condenando Ahmed Salman Rushdie, autor do livro “Versos
Satânicos”, por blasfêmia contra o Islã, e por apostasia – fomentar o abandono
da fé islâmica – o que de acordo com a “Xaria” (direito islâmico) é punível com a morte.
Khomeini ordenou a todos os "muçulmanos
zelosos" o dever de tentar assassinar o escritor, os editores do livro e
quem tomasse conhecimento de seu conteúdo, conforme a fatwa que foi renovada em 2005 por Ali Khamenei, que já
tinha declarado: "Mesmo que Salman Rushdie se arrependa ao ponto de
se tornar o homem mais piedoso do nosso tempo, a obrigação permanece para cada
muçulmano, de o enviar para o inferno, não importa a que preço, e mesmo fazendo
o sacrifício de sua própria vida.
No islamismo não há
sacerdócio profissional, no entanto, os Xeques (Sheik) são autoridades em
assuntos islâmicos e lideram política e socialmente suas comunidades.
Cristianismo (2,3 bilhões de adeptos)
A Doutrina Cristã é fundamentada nos ensinamentos de Jesus Cristo
contidos no Novo Testamento, que embora tenha afirmado “Não penseis que vim revogar
a lei ou os profetas; não vim revogar, mas cumprir” Mateus 5-17), e
sem renegar a Doutrina Judaica, promulga uma nova doutrina, como vemos no
Sermão da Montanha a seguir:
Mateus 5.
1.
Jesus, pois, vendo as multidões, subiu ao monte;
e, tendo se assentado, aproximaram-se os seus discípulos,
2.
e ele se pôs a ensiná-los, dizendo:
3.
Bem-aventurados os humildes de espírito, porque
deles é o reino dos céus.
4.
Bem-aventurados os que choram, porque eles serão
consolados
5.
Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a
terra.
6.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça
porque eles serão fartos.
7.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles
alcançarão misericórdia.
8.
Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles
verão a Deus.
9.
Bem-aventurados os pacificadores, porque eles
serão chamados filhos de Deus.
10.
Bem-aventurados os que são perseguidos por causa
da justiça, porque deles é o reino dos céus.
11.
Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e
perseguiram e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa.
12. Alegrai-vos e exultai,
porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram aos
profetas que foram antes de vós.
13. Vós sois o sal da terra;
mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar seu o sabor? para
nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens.
14. Vós sois a luz do mundo.
Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte;
15. nem os que acendem uma
candeia a colocam debaixo do alqueire, mas no velador, e assim ilumina a todos
que estão na casa.
16. Assim resplandeça a vossa
luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a
vosso Pai, que está nos céus.
17. Não penseis que vim
destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir.
18. Porque em verdade vos digo
que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só i ou
um só til, até que tudo seja cumprido.
19. Qualquer, pois, que violar
um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será
chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será
chamado grande no reino dos céus.
20. Pois eu vos digo que, se a
vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis
no reino dos céus.
21. Ouvistes que foi dito aos
antigos: Não matarás; e, quem matar será réu de juízo.
22. Eu, porém, vos digo que
todo aquele que se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e quem
disser a seu irmão: Raca, será réu diante do sinédrio; e quem lhe disser: Tolo,
será réu do fogo do inferno.
23. Portanto, se estiveres
apresentando a tua oferta no altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem
alguma coisa contra ti,
24. deixa ali diante do altar a
tua oferta, e vai conciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem apresentar
a tua oferta.
25. Concilia-te depressa com o
teu adversário, enquanto estás no caminho com ele; para que não aconteça que o
adversário te entregue ao guarda, e sejas lançado na prisão.
26. Em verdade te digo que de
maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil.
27. Ouvistes que foi dito: Não adulterarás.
28. Eu, porém, vos digo que
todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu
adultério com ela.
29. Se o teu olho direito te
faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te é melhor que se perca um dos
teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.
30. E, se a tua mão direita te
faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te é melhor que se perca um dos
teus membros do que vá todo o teu corpo para o inferno.
31. Também foi dito: Quem
repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio.
32. Eu, porém, vos digo que
todo aquele que repudia sua mulher, a não ser por causa de infidelidade, a faz
adúltera; e quem se casar com a repudiada, comete adultério.
33. Outrossim, ouvistes que foi
dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás para com o Senhor os teus
juramentos.
34. Eu, porém, vos digo que de
maneira nenhuma jureis; nem pelo céu, porque é o trono de Deus;
35. nem pela terra, porque é o
escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei;
36. nem jures pela tua cabeça,
porque não podes tornar um só cabelo branco ou preto.
37. Seja, porém, o vosso falar:
Sim, sim; não, não; pois o que passa daí, vem do Maligno.
38. Ouvistes que foi dito: Olho
por olho, e dente por dente.
39. Eu, porém, vos digo que não
resistais ao homem mau; mas a qualquer que te bater na face direita,
oferece-lhe também a outra;
40. e ao que quiser pleitear
contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa;
41. e, se qualquer te obrigar a
caminhar mil passos, vai com ele dois mil.
42. Dá a quem te pedir, e não
voltes as costas ao que quiser que lhe emprestes.
43. Ouvistes que foi dito:
Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo.
44. Eu, porém, vos digo: Amai
aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem;
45. para que vos torneis filhos
do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e
bons, e faz chover sobre justos e injustos.
46. Pois, se amardes aos que
vos amam, que recompensa tereis? não fazem os publicanos também o mesmo?
47. E, se saudardes somente os
vossos irmãos, que fazeis de mais? não fazem os gentios também o mesmo?
48. Sede vós, pois, perfeitos,
como é perfeito o vosso Pai celestial.
(Bíblia – tradução de João Ferreira de Almeida)
Como visto, o Sermão da
Montanha enuncia uma nova doutrina, e nos apresenta Deus único, conciliador e amoroso,
que abomina a guerra e qualquer tipo de hostilidade entre as criaturas, e tem como
mandamento maior: “Amarás ao senhor teu
Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma”, e o segundo, semelhante a
este: “Amaras ao teu próximo, como a ti mesmo. Estes dois mandamentos contém
toda a lei e os profetas”. Novo Testamento
(Mateus XXXII – 34-40.
Deus da doutrina cristã
é muito diferente do Deus do Velho Testamento! Jesus apresenta Deus como pai que
ama igualmente a todos, independente de raça ou descendência.
A Doutrina Cristã
confirma a dualidade do ser (matéria e espírito), o que esclarece diversos
versículos do novo testamento, como exposto em João 3: 1-6:
1 E havia entre os fariseus um homem, chamado Nicodemos,
príncipe dos judeus.
2 Este foi ter de noite com Jesus, e disse-lhe: Rabi, bem
sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais
que tu fazes, se Deus não for com ele.
3 Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te
digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.
4 Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer de novo,
sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?
5 Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que
aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.
6 O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do
Espírito é espírito.
Jesus afirma que somos
espíritos e carne ao mesmo tempo, e na parábola de Lázaro e o Homem Rico, nos
acena com a vida eterna do espírito, como vemos em Lucas 16:19-31:
19 Ora, havia um homem rico, e vestia-se de púrpura e de linho
finíssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente.
20 Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro,
que jazia cheio de chagas à porta daquele.
21 E desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa
do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas.
22 E aconteceu que o mendigo morreu e foi levado pelos anjos
para o seio de Abraão; e morreu também o rico e foi sepultado.
23 E, no Hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu
ao longe Abraão e Lázaro, no seu seio.
24 E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim e
manda a Lázaro que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua,
porque estou atormentado nesta chama.
25 Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os
teus bens em tua vida, e Lázaro, somente males; e agora este é consolado, e tu,
atormentado.
26 E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós,
de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco
os de lá, passar para cá.
27 E disse ele: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de
meu pai,
28 pois tenho cinco irmãos, para que lhes dê testemunho, a fim
de que não venham também para este lugar de tormento.
29 Disse-lhe Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas;
ouçam-nos.
30 E disse ele: Não, Pai Abraão; mas, se algum dos mortos
fosse ter com eles, arrepender-se-iam.
31 Porém Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos
Profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite.
No capítulo 10 de seu
evangelho, João narra como Jesus Cristo se referia à Deus como o Pai, a quem
atribuía o poder da cura a ele concedido por amor ao próximo, e expõe a sua
igualdade a todos os homens e alerta contra os falsos profetas, assassinos e
mercenários, que trazem aflições aos rebanhos, criaturas de Deus.
João 10:
1 Na verdade, na verdade vos digo que
aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas por outra parte, é
ladrão e salteador.
2 Aquele, porém, que entra pela porta
é o pastor das ovelhas.
3 A este o porteiro abre, e as ovelhas
ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas, e as traz para fora.
4 E, quando tira para fora as suas
ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz.
5 Mas de modo nenhum seguirão o
estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos.
6 Jesus disse-lhes esta parábola; mas
eles não entenderam o que era que lhes dizia.
7 Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em
verdade, em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas.
8 Todos quantos vieram antes de mim
são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram.
9 Eu sou a porta; se alguém entrar por
mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens.
10 O ladrão não vem senão a roubar, a
matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.
11 Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor
dá a sua vida pelas ovelhas.
12 Mas o mercenário, e o que não é
pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge;
e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas.
13 Ora, o mercenário foge, porque é
mercenário, e não tem cuidado das ovelhas.
14 Eu sou o bom Pastor, e conheço as
minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido.
15 Assim como o Pai me conhece a mim,
também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas.
16 Ainda tenho outras ovelhas que não
são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz,
e haverá um rebanho e um Pastor.
17 Por isto o Pai me ama, porque dou a
minha vida para tornar a tomá-la.
18 Ninguém a tira de mim, mas eu de
mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este
mandamento recebi de meu Pai.
19 Tornou, pois, a haver divisão entre
os judeus por causa destas palavras.
20 E muitos deles diziam: Tem demônio,
e está fora de si; por que o ouvis?
21 Diziam outros: Estas palavras não
são de endemoninhado. Pode, porventura, um demônio abrir os olhos aos cegos?
22 E em Jerusalém havia a festa da
dedicação, e era inverno.
23 E Jesus andava passeando no templo,
no alpendre de Salomão.
24 Rodearam-no, pois, os judeus, e
disseram-lhe: Até quando terás a nossa alma suspensa? Se tu és o Cristo, diga
abertamente.
25 Respondeu-lhes Jesus: Já vos tenho
dito, e não o credes. As obras que eu faço, em nome de meu Pai, essas
testificam de mim.
26 Mas vós não credes porque não sois
das minhas ovelhas, como já vos tenho dito.
27 As minhas ovelhas ouvem a minha
voz, e eu conheço-as, e elas me seguem;
28 E dou-lhes a vida eterna, e nunca
hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão.
29 Meu Pai, que mas deu, é maior do
que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai.
30 Eu e o Pai somos um.
31 Os fariseus pegaram então outra vez
em pedras para o apedrejar.
32 Respondeu-lhes Jesus: Tenho-vos
mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras me
apedrejais?
33 Os judeus responderam, dizendo-lhe:
Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu
homem, te fazes Deus a ti mesmo.
34 Respondeu-lhes Jesus: Não está
escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses?
35 Pois, se a lei chamou deuses
àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida, e a Escritura não pode ser
anulada,
36 Aquele a quem o Pai santificou, e
enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou Filho de Deus?
37 Se não faço as obras de meu Pai,
não me acrediteis.
38 Mas, se as faço, e não credes em
mim, crede nas obras; para que conheçais e acrediteis que o Pai está em mim e
eu nele.
39 Procuravam, pois, prendê-lo outra
vez, mas ele escapou-se de suas mãos,
40 E retirou-se outra vez para além do
Jordão, para o lugar onde João tinha primeiramente batizado; e ali ficou.
41 E muitos iam ter com ele, e diziam:
Na verdade João não fez sinal algum, mas tudo quanto João disse deste era
verdade.
42 E muitos ali creram nele.
Jesus invoca a
expressão “Vos sois Deuses”, conforme o Salmo 82, escrito pelo profeta Asafe,
levita encarregado pelo Rei Davi como
chefe dos que celebrariam diante da Arca quando retorna a Jerusalém. Escreveu
12 capítulos de Salmos (capítulo 50 e 73-83). para justificar sua
identidade com o Pai,
Salmo 82 - “O profeta repreende os juízes por causa da sua
injustiça”
1 Deus está na congregação dos poderosos; julga no meio dos
deuses
2 Até quando julgareis injustamente, e respeitareis a
aparência das pessoas nos templos.
3 Defendei o pobre e o órfão; fazei justiça ao aflito e
necessitado
4 Livrai o pobre e o necessitado; tirai-os das mãos dos
ímpios
5 Eles nada sabem, nem entendem; andam em trevas; todos os
fundamentos da terra vacilam.
6 Eu disse: Vós sois deuses, e vos outros são filhos do
Altíssimo.
7 Todavia como homens morrereis e caireis como qualquer dos
príncipes.
8 Levanta-te, ó Deus, julga a terra pois te pertencem todas
as nações.
No evangelho de Mateus
temos a seguinte passagem em que Jesus diz a seus discípulos que todos podem
fazer o que ele faz, bastando ter fé: Mateus
17-14 a 21:
14 E, quando chegaram à multidão, aproximou-se um homem,
pondo-se de joelhos diante dele, e dizendo:
15 Senhor, tem misericórdia de meu filho que é lunático, e
sofre muito pois muitas vezes cai no fogo, e muitas vezes na água;
16 E trouxe-o aos teus discípulos; e não puderam curá-lo.
17 E Jesus, respondendo, disse: Ó geração incrédula e
perversa! Até quando estarei eu convosco, e até quando vos sofrerei? Trazei-o
aqui.
18 E, repreendeu Jesus o demônio, que saiu dele, e desde
aquela hora o menino sarou.
19 Então os discípulos, aproximando-se de Jesus em
particular, disseram: Por que não pudemos nós expulsá-lo?
20 E Jesus lhes disse: Por causa de vossa incredulidade;
porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis
a este monte: Passa daqui para acolá, e há de passar; e nada vos será
impossível.
Fica clara a afirmação de Jesus de que todos
são filhos de Deus, independente da raça, e as infinitas possibilidades das
criaturas que tenha um pouco de fé, a verdadeira fonte de “milagres” quando
fortemente estimulada. Esses mesmos conceitos são encontrados em muitas
expressões de Jesus Cristo no Novo Testamento.
Jesus não avoca deidade em nenhum momento,
apenas a condição de filho de Deus, como todas os demais.
Hostilizado pelos
sacerdotes judeus por se opor à exploração dos fiéis no templo e expor sua
hipocrisia, Jesus Cristo foi julgado e condenado aos 33 anos a pedido de
Caifás, sumo pontífice do Judaísmo, ao Consul romano Pôncio Pilatos, que
preferiu sacrificar um inocente a se indispor com o poder religioso. Pesava
sobre Jesus a acusação de blasfêmia, por se dizer Filho de Deus, em que pese as
afirmações bíblicas.
Apesar de combatido
pelo judaísmo vigente, os ensinamentos de Jesus difundiram-se inicialmente na
Judéia, e posteriormente se estendeu a outros povos por meio dos apóstolos, e
de Paulo de Tarso, doutor da lei judaica, que convertido ao cristianismo, levou
a doutrina Cristã ao Império Romano. Jesus previu que seus ensinamentos seriam perpetuados
como relata Lucas em 17:20,21:
20 Sendo
Jesus interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, respondeu-lhes:
O reino de Deus não vem com aparência exterior;
21 nem
dirão: Ei-lo aqui! ou: Ei-lo ali! pois o reino de Deus está dentro de vós.
Reinava em Roma o Imperador Tibério quando Jesus foi
crucificado (provavelmente no ano 37 d.C.), mas seus ensinamentos continuaram a
ser pregados pelos apóstolos, e adeptos foram convertidos em muitos lugares.
O livro Os Atos dos Apóstolos escrito por Lucas, é o quinto
livro do Novo Testamento, que descreve as atividades dos apóstolos após a
crucificação. Cristo, após a ressurreição, continuou guiando a humanidade
através dos apóstolos. Antes de subir aos céus, orientou os apóstolos que
aguardassem em Jerusalém o poder que viria pelo Espírito Santo, para pregarem seus
ensinamentos.
No 50º dia após a Páscoa, quando reunidos no Sinédrio, o
Espírito Santo desceu para realizar “o batismo da igreja no Espírito”, e instruí-los
para cumprirem a missão de evangelizar os povos de todas as nações.
Registros sobre a pregação dos apóstolos são escassos. Segundo
a tradição, mais tarde Pedro foi para Antióquia, onde permaneceu sete anos na
direção da Igreja, e de lá seguiu para Roma, onde permaneceu até a morte,
quando foi crucificado de cabeça para baixo por não se achar digno de
morrer como o seu Mestre.
O Cristianismo ganhou impulso extraordinário com a conversão
de Paulo após queda em Damasco, e o resultado de suas viagens missionárias, e
epistolas foi extraordinário. O Evangelho se espalhou consideravelmente.
Estima-se que perto do final do período apostólico, o número total de cristãos
no mundo era em torno de quinhentos mil. Apesar desse resultado ter sido fruto
de um árduo trabalho que envolveu um enorme número de pessoas, conhecidas e
anônimas, o obreiro que mais se destacou nessa missão certamente foi o apóstolo
Paulo.
Paulo de Tarso chegou preso em Roma provavelmente no ano 61
d.C., onde já havia cristão, e se encontrava Pedro. Reinava o Imperador Nero, e
o Cristianismo continuou crescendo na capital romana, apesar da perseguição
sofrida.
Nero culpou os cristãos pelo incêndio de Roma no ano 64 d.C. quando
provavelmente Pedro foi crucificado, e anos mais tarde Paulo foi decapitado.
Roma perseguiu e executou
os seguidores de Jesus até início do século IV, quando o Imperador Constantino foi
forçado a admitir o cristianismo que se consolidava entre os romanos.
No decorrer dos séculos, a Doutrina Cristã deu origem três
grandes versões, com algumas variações e independentes entre si, como veremos a
seguir: o Catolicismo, o Protestantismo, o Espiritismo, e a Umbanda, que
expomos a seguir.
Tomamos a liberdade de incluir a Umbanda, pela influência
cristã
- Catolicismo - 1,3 bilhões de adeptos)
A tradição cristã indica
que desde os anos 30 d. C. havia cristãos que se reuniam nas catacumbas de Roma,
apresar de perseguidos pelo império.
Pedro viajou para Roma
ainda no ano 49 ou 50, quando Cláudio era o Imperador Romano, consolidando a
Igreja Romana. Paulo chegou sob custódia militar no ano 61 d.C., fortalecendo a
comunidade cristã, até que Pedro e Paulo foram executados. Apesar de perseguida,
a comunidade cristã continuou crescendo em Roma, como em outras partes do mundo.
Convém lembrar que, ao surgir, o Cristianismo encontrou
um mundo cultural e religiosamente consolidado onde, desde as conquistas de
Alexandre o Grande (356 -
A religião oficial de Roma caracterizava-se
pelo pragmatismo político. Ao politeísmo greco-romano, em geral eclético e
teologicamente frágil, contrapunham-se inúmeros cultos místicos, cada vez mais
divulgados e populares.
Roma procurava garantir suas tradições e
supremacia através das divindades nacionais, regionais ou locais, mas respeitava
os deuses estrangeiros para obter aceitação dos povos conquistados. Assim, respeitava
o Judaísmo, e a pedido de Caifás, crucificou Cristo.
A perseguição aos cristãos prosseguiu até o
início do séc. IV d.C. O Império Romano encontrava-se à beira da derrocada, suas
fronteiras estavam ameaçadas, e os imperadores sucediam-se ininterruptamente,
impotentes para garantir a segurança das províncias. A aristocracia ameaçada
começou a formar estados independentes, enquanto a população sofria privações
de todo tipo e praticava atos de banditismo.
O Imperador
Diocleciano foi
o último que tentou banir o Cristianismo, sem conseguir. Reinou de 284 a 305
d.C., quando abdicou. Constantino venceu a disputa ao trono romano em 306 d.C.,
e em 313 d.C. decidiu aceitar o Cristianismo, mais por motivos políticos do que
convicção religiosa.
Ressalte-se que os judeus eram considerados
bárbaros pelos romanos, mas, apesar disso, o Cristianismo prosperou entre o
povo e o exército de Roma.
Convém destacar que no concílio de Nicéia, em 325
d. C., começaram a definir-se conceitos
próprios da igreja romana que alteraram a pureza da doutrina cristã
apresentada no Novo Testamento, com novos dogmas e temas do Velho Testamento.
No ano 380 d.C., o
Imperador Teodósio tomou a decisão de fazer do cristianismo definido no
concílio de Nicéia a religião oficial do Império mediante o Édito de
Tessalônica, denominada Igreja Católica Apostólica Romana.
Apesar das semelhanças com outras crenças
monoteístas, o Catolicismo Romano trouxe uma proposta fundamentalmente nova para
muitos povos, e pelo fato de ser sediado de Roma, irrompeu no mundo como um
movimento messiânico de amplitude mundial. Daí o termo “Católico”.
Além de valorizar o homem, atribuindo-lhe alma
imortal, tornou-o membro de uma nova família universal, presidida por um Deus
único que se manifestara sob forma humana (Jesus) e histórica. Simples e
consistente, a nova Igreja trazia uma mensagem escatológica, relativa ao final
dos tempos, centrada na ressurreição e glorificação, ideias inéditas no mundo
antigo.
A mensagem de salvação baseava-se na
transformação espiritual a partir da conversão individual. Embora não operada
pelos homens, mas pela graça divina, a salvação consistia numa opção possível a
todos. Penetrando mais facilmente entre os escravos e oprimidos, o Catolicismo
atingiu todas as camadas sociais.
O Estado romano vivia um momento de transição,
e diante da inquietação gerada pela crescente crise político-econômica, a
mensagem de salvação espiritual representava importante compensação. E o Catolicismo
pregava antes de tudo o distanciamento dos problemas terrenos, prometendo a
instauração de um mundo além do mundo visível.
Por outro lado, as comunidades cristãs viviam
em comunhão de bens, pregando a igualdade de todos perante Deus. Dessa forma,
embora visando essencialmente salvação espiritual, sua mensagem ganhou a
conotação de revolução social e atraiu a população injustiçada. Ainda no séc.
III, com a decadência dos cultos tradicionais romanos, o Catolicismo passou a
ser uma força considerável em Roma.
Para consolidar a Igreja Católica Apostólica
Romana, foram criadas estruturas mais complexas para manter tanto a disciplina,
como para proteger o escopo doutrinário. Os presbíteros foram substituídos por
uma hierarquia de bispos e começou a emergir uma estrutura diocesana. A Igreja
Católica desenhou sua própria organização baseando-se no Império Romano.
Os bispos reuniam-se em sínodos nas capitais
provinciais, e os pertencentes a centros metropolitanos recebiam dignidades
especiais. Roma, que havia sido a Sé de Pedro, recebeu uma primazia de honra,
apesar de que seus bispos deviam compartilhar hierarquia e poder com os de
Antióquia e os de Alexandria. e depois, com os de Constantinopla e os de
Jerusalém.
Para as decisões importantes, principalmente em
assuntos doutrinários, o clero reunia-se em assembleia. A partir do Concílio de
Nicéia começam os concílios maiores, chamados ecumênicos, convocados para
estabelecer a posição da Igreja ante as afirmações consideradas heréticas.
A deificação de Jesus foi estabelecida pela Igreja Católica
Apostólica Romana em duas etapas, no primeiro Concílio de Niceia
(325 d.C.) em resposta ao arianismo (de Ario – presbítero de Alexandria) que
afirmava que o Filho era um ser sobrenatural, mas não Deus, e no primeiro Concílio de Constantinopla (381 d.C.), afirmando que o Deus único se revela em três pessoas distintas,
sendo voto vencido Ario, e conceito não aceito pelo Islamismo, Judaísmo, pelas
igrejas reformadas, e pelas não católicas.
No
Concílio de Constantinopla também foi definida a divindade do Espírito Santo.
Este Concílio combateu uma heresia conhecida como macedonianismo (porque seus
defensores eram da Macedônia), que negava a divindade do Espírito Santo.
Seguem os concílios em 431 (Éfeso), que trata de
Cristo e da Virgem Maria; em 451 (Calcedônia) que define as naturezas divina e
humana de Cristo; em 553 (Constantinopla II) que condena os ensinos de Orígenes
(neoplatonismo) e de outros; em 680-681 (Constantinopla III) quando são
dogmatizadas as duas naturezas de Cristo; em 787 (Nicéia II) quando é regulada
a questão da veneração das imagens.
Estes encontros eram, teoricamente, dedicados a
decisões da Igreja, porém, de fato, ao ser a religião do Estado, o Catolicismo
esteve sujeito à influência imperial.
O Catolicismo apresenta,
desde o Concílio de Constantinopla, uma concepção de Deus diferente do judaísmo
e das demais doutrinas cristãs, ou
seja, uma entidade tríplice, como Deus único, integrado
na Santíssima Trindade composta por seu filho Jesus e o Espírito Santo.
A organização institucional da Igreja foi o
resultado de uma evolução gradativa. Nos primeiros tempos da nova religião, os
cristãos se reuniam em casas particulares, compartilhando a refeição
eucarística, repetindo orações e recontando histórias da vida de Jesus.
O Catolicismo instituído por Roma ampliava sua
influência e possuía um crescente número de adeptos, mas para consolidar sua
expansão, era necessário organizar-se. Criaram-se os Templos, as instituições
eclesiásticas, e as posições doutrinárias tiveram desenvolvimento paralelo. Os
fundamentos da autoridade residiam na origem apostólica.
As primeiras autoridades da Igreja foram os
apóstolos, aqueles discípulos a quem Jesus pessoalmente confiara a
responsabilidade primária de continuar sua obra. À medida, porém, que a Igreja
se difundia, cada congregação passou a ter necessidade de uma liderança própria
para ensinar a doutrina cristã, administrar os sacramentos, gerir a propriedade
que a congregação possuía em comum, e tomar providências em relação às
necessidades materiais de seus membros
O termo “apóstolo” era considerado por Paulo de
Tarso (10-67 d.C.) em sua acepção etimológica, significando “enviado”. A
eleição de um apóstolo provinha então de uma intuição carismática do Espírito
Santo, qualificando-o para a pregação do Evangelho. E sua autoridade era aceita
até pela comunidade de Jerusalém, sendo ele igualado aos doze escolhidos.
De modo geral, os ministérios carismáticos
transformaram-se em ministérios institucionais. Seus titulares eram
qualificados para transmitir aos seus sucessores o carisma recebido no rito da
imposição das mãos ou ordenação, o que conferia a autoridade para o exercício
do ministério. Surgiu assim o sistema hierarquizado do Catolicismo.
Havia duas classes de ministros eclesiásticos:
os diáconos encarregados da vida material das comunidades e das obras
assistenciais e os presbíteros ou bispos, que exerciam as funções espirituais e
litúrgicas.
Presbíteros e bispos, termos inicialmente
sinônimos, atuavam de forma colegiada numa comunidade em que houvesse vários
deles. Depois, esses ministérios se bipartiram, desenvolvendo-se a doutrina do
episcopado. O bispo representava diretamente Cristo, garantindo a ortodoxia e
guardando a plenitude dos poderes sacerdotais. Entretanto, quando as
comunidades se multiplicaram, uma parte das atribuições do bispo passou ao
presbítero, que embora submisso à autoridade episcopal, se revestiu das funções
sacerdotais.
O termo latino sacerdos (sacerdote),
designando o presbítero ou padre, só apareceu na linguagem eclesiástica no
início do séc. III. Tanto para os judeus como para os pagãos, o sacerdote era
essencialmente um sacrificador.
Os bispos eram considerados sucessores diretos
dos Apóstolos. Essa crença justificava-se na afirmação de que os primeiros
seriam nomeados por um apóstolo que, pela imposição das mãos, transmitira-lhes
sua autoridade.
A “sucessão apostólica”, como uma linha
contínua e fiel à lei dos Apóstolos, tornou-se garantia da ortodoxia doutrinal;
uma Igreja que, através dos bispos, reivindica a procedência legítima dos
Apóstolos, não poderia jamais contaminar-se pela heresia.
As sedes episcopais não possuíam a mesma
importância e autoridade. Algumas, estabelecidas nas metrópoles regionais
particularmente importantes, atuavam como igrejas-mães em relação às igrejas
episcopais das províncias. Originou-se então a igreja metropolitana e a
organização em províncias eclesiásticas, baseadas nas províncias do Império.
Sedes como Alexandria e Antióquia destacavam-se
entre as metropolitanas, entretanto, a primeira posição na hierarquia
eclesiástica foi reivindicada pelo bispo de Roma, uma vez que a igreja romana
foi fundada pelos apóstolos Pedro e Paulo. A primazia de Pedro no colégio
apostólico – “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”
(Mateus 16, 18) - perpetuou-se em todo o episcopado na pessoa do seu sucessor.
E, se o prestígio do bispo de Roma cresceu devido à supremacia política da
capital, reforçou-se pelo conceito da sucessão apostólica.
Várias vezes, durante os conflitos
disciplinares e doutrinários do fim do século III, os bispos de Roma
reivindicaram uma autoridade de arbítrio, e quase toda a cristandade ocidental
se dispunha a aceitá-la. Entretanto, o papado só se definiu mais tarde, pois,
nos primeiros séculos a Igreja considerava-se episcopal na estrutura concreta e
em sua justificação teórica. A maior autoridade desse período que estava acima
da individualidade do bispo, eram os sínodos e concílios provinciais ou
regionais.
À medida que aumentavam os membros da Igreja, uma
distinção mais forte se fez entre os catecúmenos, recém-chegados à religião que
recebiam instrução sobre a fé, e aqueles que já haviam sido batizados e tinham
permissão de tomar parte na Eucaristia e em outros ritos sagrados.
De hábito, os clérigos não eram casados, pois o
celibato era considerado como meritório, mas só muitos séculos depois
tornaram-se esse costume obrigatório para todos os membros do clero.
O clero dividia-se em duas categorias: regular
e secular. O clero regular, compreendia os monges e frades ordenados e outros
que viviam em comunidades monásticas. Seu nome deriva do latim “regula”,
que significa regra; quer dizer que eles se submetiam aos regulamentos
especiais de suas comunidades monásticas, que incluía os três votos: pobreza,
castidade e obediência aos seus superiores.
O clero secular compreendia o grande número de
padres e bispos que viviam a vida quotidiana em contato com o mundo dos leigos.
Seu nome deriva-se da palavra latina “saecula”, termo figurativo para o
mundo das preocupações materiais. Todos os clérigos acima do grau de subdiácono
estavam sujeitos à regra do celibato, mas o clero secular, diversamente do
regular, não era impedido de possuir bens materiais.
Quatro são os fundamentos em que se assenta a
natureza da Igreja Romana: una, santa, católica e apostólica. Nascida a
partir do cristianismo como igreja militante, com um clero e um laicato, poder
de ordem e jurisdição, tem a Igreja Católica mantido a sua unidade ao longo de
vinte séculos. Essa unidade vem sendo afetada ao longo dos séculos pelas
heresias, “cismas”, e pelas secessões.
Duas secessões, ao longo desses vinte séculos,
marcaram o desligamento de ramos importantes, que vieram dividir a cristandade
primitiva e constituir doutrinas até por vezes antagônicas, mas sem ferir a
unidade original do tronco cristão.
A primeira dessas secessões foi a bizantina,
provocada pela separação entre Roma e Constantinopla, devido a discussões
irredutíveis em torno de problemas teológicos. Formou-se, assim, a Igreja
Ortodoxa, que vinha do século VI, mas o Cisma do Oriente se efetivou em 1054,
com a excomunhão de Miguel Cerulário pelo Papa Leão IX. Mais tarde, Constantinopla
transferiu a sua sede de Bizâncio para Moscou.
No séc. VII ocorreu uma perda importante, embora
não considerada secessão, com o surgimento do Islamismo, quando Maomé foi
aceito como o portador de nova revelação divina, o Cristo passou a figurar como
um profeta, o Alcorão substituiu os Evangelhos e os árabes formaram uma nova doutrina
própria, com certos vestígios de Judaísmo e Cristianismo.
A segunda secessão foi a Reforma Protestante,
no séc. XVI, que arrastou consigo a Alemanha, Inglaterra, Suíça, e mais tarde
os Estados Unidos, na base da exaltação do livre exame das Escrituras sagradas
contra a autoridade e a tradição, invariavelmente afirmadas pela Igreja Romana,
como cimento da unidade da igreja cristã.
Embora essas divisões afetassem
fundamentalmente a Igreja Católica através dos séculos, esta manteve-se fiel aos
dogmas estabelecidos nos concílios e nos ensinamentos judaico-cristãos transmitidos
pela tradição e pela autoridade central.
Só no Ocidente, ao longo dos vinte séculos de
sua ininterrupta continuidade, a Igreja Católica viu cair o Império Romano (476
d.C.) e surgir o feudalismo depois das
invasões dos bárbaros, viu cair o feudalismo e surgirem as monarquias absolutas
do Renascimento, como viu cair essas monarquias, sucessivamente depois do séc.
XVIII e surgir a civilização burguesa, baseada nas declarações dos Direitos do
Homem e nos regimes republicanos, como ainda no século passado viu o surgimento
dos regimes totalitários, de tipo comunista, socialista ou fascista, e as
ditaduras ou democracias populares.
Essa continuidade, em parte, é sustentada
devido ao seu segundo fundamento, ou seja, a aura de santidade pela
preeminência do seu caráter sobrenatural, como sendo representante do próprio Deus
– Pai, Filho, e Espírito Santo - misticamente presente entre os homens até a
consumação dos séculos.
O objetivo original do fundamento cristão não é
de ordem temporal, mas eterna, de ordem espiritual e não social, servir e não
ser servido, como o seu próprio fundador. Daí, a liberdade da Igreja Católica
Apostólica Romana em face das raças, das civilizações, das línguas, dos
governos, de tudo o que seja de ordem puramente material.
Sobre o seu terceiro fundamento, “Católica”, etimologicamente
esta palavra significa Universal. Quando falamos em Igreja Católica temos
sempre em mente, ou devemos ter, o seu caráter eminentemente supranacional,
supra racial, supra continental, supra político ou econômico.
Todavia, a Igreja Católica institui-se como um
estado independente, uma continuidade do Império Romano, sem o ônus do poderio
militar substituído pelo pretenso poder divino. Com o decorrer do tempo, tendeu
a Igreja a seguir o padrão de organização usado na administração do Império
Romano, e as congregações se agruparam de acordo com as municipalidades e
províncias em que se situavam.
O Papa era o Bispo de Roma. Seu papel, porém,
envolvia muito mais do que a supervisão da diocese romana, pois ele afirmava
ser o chefe espiritual da Igreja, abençoado com a orientação especial do
Espírito Santo, e todos os católicos reconheciam essa afirmação. Repousava na
base de que Jesus designara o Apóstolo Pedro como chefe da nova Igreja e Pedro,
que se tornara o primeiro Bispo de Roma, passara aos seus sucessores no Bispado
Romano, a direção de toda a Igreja, e não somente a diocese de Roma.
A coexistência entre a Igreja e o Estado Romano
não se manifesta somente ao nível institucional, no mundo teológico e
filosófico, mas também econômico e político. O primeiro dá ao catolicismo a sua
cosmovisão e novas categorias teológicas; o segundo, a sua viabilidade
econômica e poder político.
Em 445 d. C., Leão I conseguiu que Valentiniano
III, imperador do Ocidente, promulgasse um edito estabelecendo a primazia do
bispo de Roma como sucessor do “primado de São Pedro”. Tal fato levou
Constantinopla, em
Outras circunstâncias ajudaram o Papa a ganhar
uma posição de liderança. Num tempo em que todo o Império se acostumara a olhar
para Roma como o centro político do mundo civilizado, era natural que os
cristãos de todo o Império buscasse em Roma orientação espiritual.
Assim, o Papa se tornou uma réplica do
imperador. Mais tarde, quando o Império se dividiu em duas partes e o imperador
Constantino I se estabeleceu em Constantinopla, o Papa conseguiu prestígio
ainda maior, pois continuou a representar o princípio da liderança romana.
Além disso, vários dos primeiros papas foram
homens de notável estatura política, que fizeram um bom uso de sua posição para
manter o poder da Igreja sobre o Estado. No oriente, os imperadores em geral
controlavam as igrejas; ao contrário da Igreja Romana que com o césarpapismo,
exerceu o poder temporal.
Cesarpapismo foi
um sistema de relações entre a Igreja e o Estado, no qual cabia ao chefe de
Estado a competência de regular a doutrina, a disciplina e a organização da igreja
católica, exercendo poderes tradicionalmente reservados à suprema autoridade
religiosa, unificando as funções imperiais e pontificais em sua pessoa. Daí
decorre o traço característico do Cesarpapismo que é a subordinação da Igreja
ao Estado que chegou a atingir, às vezes, formas tão extremas que levou a
Igreja a adotar cânones proibindo o Estado de exercer poder eclesiástico, isso
no âmbito doutrinário da Igreja.
E, enquanto as igrejas do leste (onde a
tradição grega de especulação filosófica permanecia forte), muitas vezes se
embaralhavam em controvérsias doutrinárias, tais lutas raramente agitavam as
igrejas do Ocidente. Desse modo, a Igreja Católica Apostólica de Roma veio a
ser conhecida como o baluarte da doutrina cristã.
No séc. XIX, mais precisamente em
O Catolicismo exerceu,
desde sua instituição pelo Império Romano, e mesmo após as divisões, uma grande
influência na consagração do poder político, ao considerar seu Sumo Pontífice
como Representante de Deus, consagrando Reis e Imperadores dos países sob sua
influência, o que se estendeu como apoio aos políticos de países democráticos e
até totalitários.
O Tratado
de Latrão, de 1929, assinado pelo Papa Pio XI e o líder
italiano Benito Mussolini declarou a Cidade do Vaticano como um Estado
independente, o que a tornou o menor país do mundo.
Cidade do
Vaticano é um estado teocrático monárquico, governado pelo Bispo de Roma, cujas
ordenanças são publicadas em italiano, enquanto os documentos oficiais da Santa
Sé são emitidos principalmente em latim.
As duas atividades
emitem passaportes distintos: a Santa Sé, como não é um país, apenas trata de
questões de passaportes diplomáticos e de serviço; e o Estado do Vaticano cuida
dos passaportes comuns. Em ambos os casos, são emitidos muito poucos
passaportes.
A Igreja Católica Apostólica Romana convive
pacificamente com as igrejas não subordinadas à Roma, como as Igrejas Ortodoxas
Orientais, a Igreja Assíria do Oriente e a Igreja Antiga do Oriente, e todos se
entendem como a única igreja original, fundada por Jesus Cristo. Católicos e ortodoxos gregos têm substancialmente
a mesma Doutrina, além de compartilharem os sacramentos e devoção à Nossa
Senhora.
Os milhares de igrejas
católicas apostólicas romanas, conventos, mosteiros, e unidades de prestação de
serviços humanitários a ela subordinados, encontram-se praticamente em todos os
países, exceto no Afeganistão, Arábia Saudita, Argélia, Bahrein,
Bangladesh, Brunei, Ilhas Comores, Egito, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Irã
(teocracia), Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbia, Malásia, Maldivas, Marrocos,
Mauritânia, Omã, Paquistão, Qatar, Sudão (a partir de 1996) e Tunísia.
O Vaticano, para gerir a Igreja Católica pelo mundo, divide
cada país em regiões autônomas, as dioceses. O papa indica, ele mesmo, um bispo
para comandar cada diocese. Eventualmente, um bispo pode responder também a um
arcebispo. Cada Igreja tem o seus Padres consagrados pelo bispo, sendo
responsáveis pelo ministério, arrecadação de doações, e administração das
propriedades da igreja.
Diga-se de passagem, que o Vaticano, é o país que concentra a
maior riqueza por metro quadrado do mundo.
- Protestantismo –
(Múltiplas denominações e 1 bilhão de adeptos)
Protestantismo é a denominação geral das inúmeras igrejas
cristãs que se desvincularam da Igreja Católica Apostólica Romana a partir de
1517 em decorrência de discordâncias com a conduta na venda de indulgências e
outras irregularidades, preservando em seu postulado forte influência do Velho
Testamento.
O
movimento conhecido como “Reforma Protestante” decorreu das críticas de Martinho Lutero, um monge agostiniano e professor de teologia
germânico, ao publicar “As Noventa e Cinco Teses” (Disputa
sobre o poder das indulgências), pregando-as na porta da Igreja de Todos os
Santos em Wittenberg (Alemanha), detalhando os abusos doutrinários e práticas
da Igreja Católica, principalmente a venda de indulgências.
As teses
debatiam e criticavam muitos aspectos da Igreja Católica e do papado, incluindo
a inserção do purgatório nos cânones da igreja, e outras questões teológicas
que dividiriam a igreja, como a justificação pela fé, e o livre arbítrio.
Lutero
mais tarde escreveria obras contra a devoção católica à Virgem Maria, a
intercessão e devoção aos santos, o celibato clerical obrigatório, o
monarquismo, a autoridade do Papa, a lei eclesiástica, a censura e a excomunhão,
o papel dos governantes seculares em questões religiosas, a relação entre o
cristianismo e as leis temporais, as boas obras e os sacramentos.
A Reforma
foi facilitada pela tradução da Bíblia para o alemão por Lutero, que foi um
fator decisivo na disseminação da alfabetização, e estimulou a impressão e
distribuição de livros e panfletos religiosos que a partir de 1517 inundaram
grande parte da Europa, graças a imprensa inventada por Gutenberg.
Após a
excomunhão de Lutero em 31 de outubro de 1517, e a condenação da Reforma pelo
Papa, despontou a figura de João Calvino cujas obras e livros foram influentes
no estabelecimento de um consenso protestante entre adeptos da Igreja Católica
na Suíça, Escócia, Hungria, Alemanha e em outros lugares.
Em 1526,
após a expulsão do bispo de Berna, na Suíça, Calvino foi solicitado a
disciplinar o movimento protestante na cidade de Genebra. Ele regularmente
treinava pastores para liderar congregações.
Após o
estabelecimento da academia de Genebra em 1559, a cidade se tornou a capital
não oficial do movimento protestante, fornecendo refúgio para exilados
protestantes de toda a Europa, e educando-os como missionários Calvinistas.
O
protestantismo também se estabeleceu na França, onde os adeptos foram
apelidados de huguenotes. Apesar da forte perseguição, a reforma fez progresso
constante na França, conquistando as pessoas mais esclarecidas e não alienadas
pela obstinação e domínio católico. O protestantismo francês adquiriu um
caráter nitidamente político, tornado ainda mais evidente pelas conversões de
nobres durante a década de 1550.
A adesão
de católicos ao protestantismo provocou uma série de conflitos, conhecidos como
as Guerras Religiosas, guerras civis que ganharam ímpeto com a morte repentina
de Henrique II, rei a França, em 1559. Atrocidades e violência se tornaram as
características da época, ilustradas em sua forma mais intensa no massacre da
noite de São Bartolomeu, em agosto de 1572, quando o partido católico aniquilou
entre 30 e 100 mil huguenotes em toda a França.
As lutas
na França só terminaram em 1598 quando Henrique VI emitiu o Édito de Nantes,
prometendo tolerância oficial à minoria protestante, mas sob condições
altamente restritas.
O
catolicismo permaneceu a religião oficial da França, e a sorte dos protestantes
franceses piorou gradualmente ao longo do século seguinte, culminando no Édito
de Fontainebleau em outubro de 1685,
promulgado pelo rei Luis XIV que revogou o Edito de Nantes, e ordenou a
destruição de igrejas e o fechamento de escolas protestantes, tornando o
catolicismo a única religião legal novamente.
Em
resposta ao Édito de Fontainebleau, Frederico
Guilherme (1620/1688), Duque da Prússia a partir de 1640 até sua morte,
promulgou o Édito de Potsdam, dando passagem gratuita aos refugiados
huguenotes. No final do século XVII, muitos huguenotes fugiram para a
Inglaterra, Holanda, Prússia, Suíça e para as colônias ultramarinas inglesas e
holandesas. Uma comunidade significativa na França permaneceu na região de
Cevenas, uma cadeia de montanhas localizada no centro-sul da França.
Na
Inglaterra, em 1534, o rei Henrique VIII pôs fim a toda jurisdição papal, depois
que o Papa não anulou seu casamento com Catarina de Aragão. Isso abriu a porta
para ideias reformistas. Os reformadores da Igreja da Inglaterra alternavam
simpatias pela tradição católica antiga e princípios reformados, desenvolvendo
em uma tradição considerada um meio-termo entre as tradições católica e
protestante.
A Reforma
Inglesa seguiu um curso particular, seu caráter distinto veio principalmente do
fato de que ela foi impulsionada inicialmente pelas necessidades políticas de
Henrique VIII, que decidiu tornar Igreja da Inglaterra independente da
autoridade de Roma.
Em 1534,
o Ato de Supremacia reconheceu Henrique VIII como o único Chefe Supremo da
Igreja da Inglaterra. Entre 1535 e 1540, sob a liderança de Thomas Cromwell, a
política conhecida como Dissolução dos Monastério foi posta em prática.
Após uma
breve restauração católica durante o reinado de Maria I, e um consenso vago
desenvolvido durante o reinado de Elisabeth I, conhecido como “Acordo Religioso
Elisabetano”, o anglicanismo transformou-se numa instituição eclesiástica
distinta.
O sucesso
da Contrarreforma no continente e o crescimento de um partido puritano dedicado
a novas reformas protestantes polarizaram a era elisabetana. O desejo era que a
Igreja da Inglaterra se parecesse mais com as igrejas protestantes da Europa,
especialmente a de Genebra. O movimento puritano posterior, frequentemente
acabou levando à formação de várias denominações reformadas.
A Reforma
Escocesa de 1560 moldou decisivamente a Igreja da Escócia que culminou no
estabelecimento de uma igreja segundo as linhas reformadas e, politicamente
apoiada no triunfo da influência inglesa sobre a da França. O Parlamento da
Reforma da Escócia repudiou a autoridade do papa pelo Ato de Jurisdição Papal
de 1560, proibiu a celebração da Missa e aprovou uma Confissão de Fé
Protestante.
Hoje, o
protestantismo constitui um importante ramo do cristianismo, com um total de
adeptos estimados em 1 bilhão em todo o mundo, ou cerca de 37% de todos os
cristãos. Os protestantes desenvolveram sua própria cultura, com grandes
contribuições na educação, nas humanidades, nas ciências, na ordem política e
social, na economia, nas artes, e em muitos outros campos.
As
Igrejas Protestantes distribuem-se em várias famílias denominacionais como:
Adventistas, Anabatistas, Anglicanas/Episcopais, Batistas,
Calvinistas/Reformados, Luteranos, Metodistas, Morávios/Hussitas, Pentecostais,
Quakers, Valdenses, Carismáticas, Evangélicas, Independentes, Igrejas não
Denominadas, e outras que estão em ascensão.
O termo “protestante”,
embora inicialmente de natureza puramente política, mais tarde adquiriu um
sentido mais amplo, referindo-se a um membro de qualquer igreja que aderisse
aos principais princípios protestantes. Qualquer cristão ocidental que não seja
adepto da Igreja Católica ou da Igreja Ortodoxa Oriental é um protestante.
A palavra
“evangélico” foi amplamente usada por aqueles envolvidos no movimento religioso
de língua alemã na Europa a partir de 1517. Martinho Lutero nunca aprovou do
termo “luterano”, preferindo o termo “evangélico”, que deriva da
palavra grega que significa "boas novas".
A Bíblia
traduzida para o alemão por Martinho Lutero é a suprema escritura, um princípio
fundamental do protestantismo, e é a maior fonte de autoridade para as igrejas
protestantes. As primeiras igrejas da Reforma acreditavam em uma leitura
crítica, embora séria, das escrituras, e consideravam a Bíblia uma fonte de
autoridade mais elevada, exclusive as decisões da igreja católica.
Os muitos
abusos que ocorreram na Igreja Ocidental antes da Reforma Protestante levaram
os reformadores a rejeitar muito de sua tradição, embora alguns a mantivessem.
No início do século XX, uma leitura menos crítica da Bíblia se desenvolveu nos
Estados Unidos, levando a uma versão "fundamentalista" das
Escrituras. Os fundamentalistas cristãos creem na Bíblia como a “Palavra de
Deus sem erros e infalível"
Metodistas
e anglicanos diferem dos luteranos e reformados neste aspecto porque ensinam a
“prima scriptura”, o que sugere que a Escritura é a fonte primária para
a doutrina cristã, mas que "tradição, experiência e razão" podem
nutrir a religião cristã, desde que em harmonia com a Bíblia.
O
“cristianismo bíblico” focado em um estudo profundo da Bíblia é característico
da maioria dos protestantes em oposição ao “cristianismo da Igreja”, focado na
realização de rituais e boas obras, representado pelas tradições católica e
ortodoxa.
Os
Quakers e os Pentecostais enfatizam o Espírito Santo, e a proximidade pessoal
com Deus, alimentando a ideia de que os crentes são justificados ou perdoados
somente sob a condição da fé em Cristo, ao invés de uma combinação de
moralidade, fé e boas obras.
Para os protestantes,
as boas obras são uma consequência necessária, e não uma causa de justificação.
No entanto, embora a justificação seja apenas pela fé, existe a posição de que
a fé não é apenas aparência. Calvino explicou que "somente a fé justifica,
mas a fé que justifica não está sozinha: assim como é o calor do sol que aquece
a terra, mas o sol não está só."
O
sacerdócio universal dos crentes implica o direito e o dever dos leigos
cristãos não apenas de ler a Bíblia, mas também de participar na administração
e em todos os negócios públicos da Igreja. Opõe-se ao sistema hierárquico que
coloca a essência e a autoridade da Igreja em um sacerdócio exclusivo e que faz
dos sacerdotes ordenados os mediadores necessários entre Deus e o povo.
Calvino
se referiu ao sacerdócio universal como uma expressão da relação entre o crente
e seu Deus, incluindo a liberdade de um cristão vir a Deus por meio de Cristo
sem mediação humana. Ele também afirmou que esse princípio reconhece Cristo
como Profeta, sacerdote e rei, e que seu sacerdócio é compartilhado com seu
povo.
Os
protestantes que aderem ao Credo de Niceno acreditam em três entidades (Deus
Pai, Deus Filho, e Espírito Santo) como um Deus, porém, alguns movimentos que
emergiram na época da Reforma Protestante rejeitam a Trindade, e a consideram como
a negação de um Deus único.
Cinco
frases em latim que surgiram durante a Reforma Protestante resumem as
diferenças básicas dos reformadores nas crenças teológicas em oposição ao
ensino da Igreja Católica da época. O uso das frases como resumos de ensino
emergiu ao longo do tempo.
A
primeira frase está baseada no princípio luterano e reformado abrangente de
“sola scriptura” (somente pela Escritura). Essa ideia contém as quatro verdades
doutrinárias principais da Bíblia:
- Que seu
ensino é preciso para a salvação (necessidade)
- Que
toda a doutrina necessária para a salvação vem somente da Bíblia (suficiência);
- Que
tudo o que é ensinado na Bíblia é correto (inerrância); e
- Que,
pelo Espírito Santo superando o pecado, os crentes podem ler e entender a
verdade da própria Bíblia, embora o entendimento seja difícil, e o meio usado
para guiar os crentes individuais para o verdadeiro ensino é frequentemente a
discussão mútua dentro da igreja (clareza).
A
necessidade e a inerrância eram ideias bem estabelecidas, recebendo poucas
críticas, embora mais tarde tenham sido debatidas de fora, durante o iluminismo.
A ideia mais controversa na época, porém, era a noção de que qualquer um
poderia simplesmente ler a Bíblia e aprender o suficiente para ganhar a
salvação.
Embora os
reformadores estivessem preocupados com a eclesiologia (a doutrina de como a
igreja funciona como um corpo), eles tinham uma compreensão diferente do
processo em que as verdades das Escrituras eram aplicadas à vida dos crentes,
em comparação com a ideia dos católicos de que certas pessoas dentro da igreja,
ou ideias que eram antigas o suficiente, tinham um status especial de
dar compreensão ao texto.
A segunda
frase, a “sola fide” (somente pela fé), afirma que a fé em Cristo é
suficiente para a salvação e justificação eternas. Embora argumentado a partir
das escrituras e, portanto, coerente à “sola scriptura”, este é o princípio orientador
da obra de Lutero e dos reformadores posteriores.
Enquanto
a “sola scriptura” colocou a
Bíblia como a única fonte de ensino, a “sola fide” resume o impulso principal do
ensino que os reformadores queriam de volta, ou seja, a conexão direta, íntima
e pessoal entre Cristo e o crente, daí a convenção dos reformadores de que seu
trabalho era “cristocêntrico”.
As outras
frases, ou outros “solus”, como declarações, surgiram mais tarde, mas o que
elas representam também fez parte do início da Reforma.
- Solus Christus
Os
protestantes consideram o dogma a respeito do Papa como o representante de
Cristo da Igreja na terra, o conceito de obras tornadas meritórias por Cristo e
a ideia católica de um tesouro dos méritos de Cristo e seus santos, como uma
negação de que Cristo é o único mediador
entre Deus e o homem.
- Sola Gratia
Os
protestantes perceberam que a salvação católica depende da graça de Deus e dos
méritos de suas próprias obras. Os reformadores postularam que a salvação é um
dom de Deus (isto é, o ato da graça gratuita de Deus), dispensado pelo Espírito
Santo devido somente à obra redentora de Jesus Cristo.
- Soli Deo Gloria
Toda a
glória é devida somente a Deus, uma vez que a salvação é realizada unicamente
por meio de sua vontade e ação, não apenas o dom da expiação todo-suficiente de
Jesus na cruz, mas também o dom da fé nessa expiação, criada no coração do
crente pelo Espírito Santo. Os reformadores acreditavam que os seres humanos, mesmo
os santos canonizados pela Igreja Católica, pelos papas e pela hierarquia
eclesiástica não eram dignos da glória.
Seguiram-se
vários movimentos ecumênicos tentando estabelecer cooperação ou reorganização
das várias denominações protestantes divididas em vários modelos de união, mas
as divisões continuam a prevalecer pois não há autoridade abrangente à qual
qualquer uma das igrejas deva lealdade, e que pode definir a fé com autoridade.
A maioria
das denominações compartilham crenças comuns nos aspectos principais da fé
cristã, embora difiram em muitas coisas secundárias, como o que é principal e o
que é secundário como uma questão de crença peculiar.
Vários
países estabeleceram suas igrejas nacionais, vinculando a estrutura
eclesiástica com o Estado. As jurisdições onde uma denominação protestante foi
estabelecida como religião oficial incluem vários países nórdicos como a
Dinamarca (incluindo Groenlândia), Islândia e Noruega, que estabeleceram
igrejas evangélicas luteranas.
Tuvalu tem
a única igreja estabelecida na tradição reformada no mundo, enquanto Tonga tem
a única na tradição metodista. A Igreja da Inglaterra é a instituição religiosa
oficialmente estabelecida, e também a Igreja Mãe da Comunhão Anglicana Mundial.
Em 1869,
a Finlândia foi o primeiro país nórdico a se separar da igreja evangélica
luterana com a introdução da Lei da Igreja. Embora a igreja ainda mantenha um
relacionamento especial com o Estado, ela não é descrita como religião oficial na
Constituição ou em outras leis aprovadas pelo parlamento finlandês. Em 2000, a
Suécia foi o segundo país nórdico a fazer o mesmo.
Ainda temos as Igrejas Unidas que são igrejas formadas a
partir da fusão ou outra forma de união de duas ou mais denominações
protestantes diferentes. Historicamente, as uniões de igrejas protestantes eram
impostas pelo Estado, geralmente para ter um controle mais rígido sobre a
esfera religiosa de seu povo, e também por outras razões organizacionais.
À medida
que o ecumenismo cristão moderno progride, as uniões entre várias tradições
protestantes estão se tornando cada vez mais comuns, resultando em um número
crescente de igrejas unidas. Alguns dos principais exemplos recentes são a
Igreja do Norte da Índia (1970), a Igreja Protestante Unida da França (2013) e
a Igreja Protestante da Holanda (2004).
Como o
protestantismo tradicional encolhe na Europa e na América do Norte devido ao
aumento da liberdade religiosa, e em áreas onde o cristianismo é uma religião
minoritária como no subcontinente indiano, as denominações “anglicana”,
“reformada”, e luterana” se fundiram, criando grandes denominações nacionais.
O
fenômeno é muito menos comum entre igrejas evangélicas, não denominadas e
carismáticas; à medida que novas igrejas surgem, muitas permanecem
independentes umas das outras.
Talvez a
igreja unida oficial mais antiga seja encontrada na Alemanha, onde a Igreja
Evangélica Alemã é uma federação de igrejas luteranas, unidas e reformadas
desde 1817.
Em todo o
mundo, cada igreja unida compreende uma mistura diferente de denominações
protestantes predecessoras. As tendências são visíveis, entretanto, já que a
maioria das igrejas unidas tem herança na tradição reformada, e muitas são
membros da Aliança Mundial das Igrejas Reformadas.
Os
protestantes podem ser diferenciados de acordo com a forma como foram
influenciados por movimentos importantes desde a Reforma, hoje considerados
ramos. Alguns desses movimentos têm uma linhagem comum, embora às vezes gerando
denominações individuais diferentes.
São milhares os templos
e locais de culto ao redor do mundo, como também o são as denominações,
normalmente dirigidas por pastores de ambos os sexos, como os que se denominam
reverendos, bispos e profetas que falam e atuam em nome de Deus. Há muito tempo
são realizados cultos pela TV e pelos meios digitais, que com o passar dos anos
tem se tornado a grande forma de proselitismo e de arrecadação fundos.
No Brasil, dentro do protestantismo histórico
estão as igrejas luterana, presbiteriana, calvinista, metodista e batista. A
partir do século XX surgem novas igrejas protestantes: as Igrejas Pentecostais
e Neopentecostais, sendo mais conhecidas como evangélicas.
Uma
faceta da expansão do protestantismo no Brasil é a multiplicação de templos,
como mostra uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos da Metrópole
(CEM/Cepid) da Universidade de São Paulo (USP). De 17.033 templos evangélicos,
em 1990, o Brasil passou a contar com 109.560 templos, em 2019.
- Espiritismo – (13
milhões de adeptos – 30 milhões de simpatizantes)
O Espiritismo é uma doutrina relativamente nova, revelada pelo
Espírito da Verdade sobre a continuidade da vida após a morte, e fundamentada
nos ensinamentos cristãos. Com uma abordagem religiosa, filosófica e cientifica,
abarca, além da moralidade pregada por Jesus, a origem e destino do ser,
acrescentando importantes revelações sobre a dualidade corpo e alma, e a vida
eterna mencionada por Jesus.
Surgiu no século 19 na França, quando o pedagogo Hippolyte Léon Denizard Rivail, intrigado com os
fenômenos físicos de mesas girantes ocorridos nos salões parisienses se dispôs
a investigar sua origem, descobrindo tratar-se de manifestações inteligentes de
espíritos de pessoas falecidas.
A doutrina espiritista está fundamentada na doutrina cristã, e em
cinco livros editados sob o pseudônimo de Allan Kardec - O Livros dos
Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno,
e A Gênese – Os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo - cobre os
aspectos filosóficos, religiosos e científicos que busca explicar a origem e
destino dos seres.
Claramente evolucionista, o Espiritismo esclarece as afirmações
enigmáticas de Jesus quanto ao “nascer de novo”, “muitas moradas na
casa do meu pai”, desmistifica os “milagres” e, confirma a essência divina
do ser humano: “vós sois deuses”. Postula que somos seres espirituais
eternos em fase de aprendizado na matéria, e que teremos quantas vidas
necessárias à nossa evolução. “Nascer, viver, morrer, nascer de novo e, evoluir
sempre” (frase maçônica) sintetiza esses fundamentos.
O Espiritismo é evolucionista conforme definido na
Biologia: das anêmonas e corais aos vegetais, dos vegetais aos animais
irracionais, e dos irracionais ao racional, princípio esse que é o responsável
pela aquisição das demais conquistas do desenvolvimento intelectual humano até
o livre arbítrio, e desposa a teoria da evolução das espécies. Kardec confirma a sabedoria oriental, segundo a qual, a alma dorme
na pedra, sonha na planta, move-se no animal, e desperta no homem. Promove a fé
raciocinada, e declara que nem tudo pode explicar, mas se corrigirá ou
completará na medida em que novos conhecimentos científicos ocorram.
Após desenvolver métodos de comunicação com os
espíritos, Kardec estabeleceu diálogo com eles por intermédio de vários
interlocutores (médiuns), e formulou perguntas que os espíritos responderam
pelo fenômeno da psicografia, compondo “O Livro dos Espíritos” editado em 1857.
Encontram-se nesse livro
de cunho filosófico, a revelação da existência após a morte, e detalhes da
continuidade da vida no plano espiritual, conforme respostas a 1019
questões versando sobre a mais ampla variedade de temas relacionados a vida
material e espiritual, em consonância com os ensinamentos de Jesus sobre a vida
eterna, dando origem ao “Espiritismo Cristão”,
Os espíritos ensinaram que os seres humanos são a manifestação
física, organizada e administrada a nível molecular pelos espíritos em processo
de evolução do átomo ao arcanjo.
O espírito, tratado com alma enquanto encarnado, é que dá vida a
matéria. Após a morte do corpo, a matéria retorna ao repositório inerte da
natureza, enquanto o espírito retorna ao mundo espiritual. Criado simples, mas
ignorante, os espíritos repetem quantas existências forem necessárias para
evoluir do nível primitivo ao puro, para a vida eterna.
A concepção de Deus no Espiritismo é a contida nos ensinamentos de
Jesus. A primeira questão tratada no Livro dos Espíritos é: “O que é Deus?”,
tendo como resposta: “Deus é a inteligência suprema, causa primaria de todas
as coisas”.
Kardec afirma no livro “A Gênese segundo o Espiritismo”: “Não há como descrever Deus, pois não temos palavras, nem conhecimentos,
nem pontos de comparação para descrevê-lo com algum acerto”. Confirma os atributos de onisciência,
onipotência, onipresença, imutabilidade, e eternidade, imanente a toda a
criação, energia que vibra em intenso amor, fonte da lógica que mantém o
Universo em harmonia, e infinita evolução.
Ainda sobre Deus, no Capítulo II, parágrafo 16, do Livro “A Gênese
Segundo o Espiritismo”, encontramos a seguinte explicação: “Deus é único. A
unidade de Deus é consequência do infinito absoluto de suas perfeições. Só
poderia existir outro Deus sob a condição de ser igualmente infinito em todas
as coisas, porque se houvesse a mais ligeira diferença entre eles, um seria
inferior ao outro, subordinado ao seu poder, e não seria Deus. Se houvesse
entre eles igualdade absoluta, existiria desde sempre, um mesmo pensamento, uma
mesma vontade, e um mesmo poder; assim, confundidos em sua identidade, não
haveria na realidade, mais do que um único Deus”.
Essa declaração nos remete a afirmação de Jesus
quanto ao Salmo 82, de que “Vós sois Deuses”, levando-nos a conclusão que, de acordo com a
resposta contida na pergunta número 1 do Livro dos Espíritos (“Deus é a inteligência suprema, causa primária de
todas as coisas”),
possuímos essas qualidades inerentes ao Criador latentes em nosso espírito,
incluindo a imaterialidade e a imortalidade, faltando-nos evolução moral.
Destacamos a pergunta 621 do Livro dos
Espíritos, quando Allan Kardec indagou: “Onde está escrita a lei de Deus?” A resposta foi direcionada no sentido do
conhecimento da nossa realidade psicológica. O Espírito da Verdade, mentor do
Espiritismo, afirmou de forma peremptória: “Na consciência!”
Essa afirmação está em consonância com a fala de Jesus, no
evangelho de João – 14:1-12. Vejam principalmente os itens 10 a12:
1 Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em
mim.
2 Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vos
teria dito. Vou preparar-vos lugar.
3 E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos
levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.
4 Mesmo vós sabeis para onde vou, e conheceis o caminho.
5 Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como
podemos saber o caminho?
6 Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém
vem ao Pai, senão por mim.
7 Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já
desde agora o conheceis, e o tendes visto.
8 Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta.
9 Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes
conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o
Pai?
10 Não crês tu que eu estou no pai, e que o pai está em mim? As
palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai que está em mim é
quem faz as obras.
11 Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos,
por causa das mesmas obras.
12 Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também
fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para
meu Pai.
Em João 15:26, vemos a mensagem de Jesus sobre a revelação dos
espíritos:
26 Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de
enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim.
27 E vós também testificareis, pois estivestes comigo desde o
princípio.
O Espírito da Verdade que presidiu a codificação do Espiritismo é o
Consolador prometido por Jesus que anuncia a existência de vida em outras
moradas, a imortalidade da alma (espírito), a reencarnação, e evolução infinita
dos seres. Esclarece que a Terra é uma morada de provas e expiação, abrigando
espíritos imperfeitos, onde ainda prevalece o desejo do mal. O processo
evolutivo prevê a transformação em mundo de regeneração, onde prevalecerá o
desejo do bem. Os mundos que circulam no espaço infinito
classificam-se em cinco categorias: mundos primitivos, mundos de expiação e
provas, mundos de regeneração, mundos ditosos ou felizes, e mundos celestes ou
divinos.
Como vimos, o Espiritismo é monoteísta, e Jesus é o Governador
Espiritual do Planeta, Mestre, irmão maior da mesma natureza humana, mas dotado
de um espírito do mais elevado nível evolutivo, enviado a Terra com a missão de
conduzir a humanidade para a perfeição moral através de seus ensinamentos e
exemplos, culminando com o sacrifício da própria vida transitória, regressando
para a verdadeira vida, a “Vida Eterna”, ou “Espiritual”.
A primeira parte de O Livro dos Espíritos, editado em 1857, explora
as questões “Das Causas Primárias” visando esclarecer a humanidade quanto aos
Elementos Gerais do Universo, Da Criação, Do Princípio Vital.
Na segunda parte, encontram-se as questões sobre o Mundo dos
Espíritos, ou seja: Dos espíritos, Da encarnação dos Espíritos, Da volta dos
espíritos à vida espiritual extinta a vida corpórea, Da pluralidade das
existências, Da vida espírita, Da volta dos espíritos à vida corpórea, Da
emancipação da Alma, e Da Intervenção dos espíritos no mundo corporal.
Na terceira parte, encontram-se as Leis Morais: Da lei divina ou
natural, Da lei de adoração, Da lei do trabalho, Da lei de reprodução, Da lei
de conservação, Da lei de destruição, Da lei de sociedade, Da lei do progresso,
Da lei de igualdade, Da lei de liberdade, Da lei de justiça, de amor e de
caridade, e Da perfeição moral.
Na quarta parte encontram-se os temas Das Esperanças e Consolações,
detalhadas em: Das penas e gozos terrenos, e Das penas e gozos futuros.
Em 1861 foi editado “O Livros dos Médiuns”, que explora as
incontáveis experiencias no relacionamento do mundo material com o mundo
espiritual, seja por intermédio de médiuns e/ou manifestações espontâneas das
mais variadas formas, amplamente documentadas seguindo metodologia científica,
demonstrando por métodos científicos os pressupostos do Livro dos Espíritos.
Em 1863 foi editado “O Evangelho segundo o Espiritismo”, baseado
exclusivamente nos ensinamentos morais e religiosos deixados por Jesus, sem
tratar de relatos históricos ou dogmas de difícil comprovação. Além de expor os
objetivos e fatos históricos para melhor entendimento de algumas referências da
obra, as manifestações de Jesus conforme os evangelhos, são comentadas pelos
espíritos que participaram da codificação da doutrina espiritista.
Em 1865 foi editado “O Céu e o Inferno”, que trata da justiça
divina e das renovadas oportunidades de evolução das criaturas, almas imortais
em sua essência. Discorre na primeira parte sobre o que ocorre com a alma dos seres
quando regressam ao mundo espiritual, desmistificando a existência do Céu,
Inferno e Purgatório, das penas eternas, e dos anjos e demônios.
A segunda parte é formada pelas narrativas dos espíritos de pessoas
falecidas sobre a vida espiritual, o tratamento, a readaptação, e a busca de
evolução moral como atividades da vida eterna que ocorre após a libertação da
vida material.
Em 1868 foi editada “A Gênese, os Milagres e, as Predições segundo
o Espiritismo”, que consolida os ensinamentos filosóficos, científicos e
religiosos da doutrina espiritista, sendo abordados: A Gênese Segundo o
Espiritismo, Os Milagres Segundo o Espiritismo, e As Predições Segundo o
Espiritismo, num detalhado compêndio da doutrina dos Espíritos.
Em
resumo, a doutrina espírita, de modo geral, fundamenta-se nos seguintes
princípios:
·
Existência e unicidade de Deus, rejeitando o dogma da Santíssima
Trindade, conforme está na primeira questão de O Livro dos Espíritos - "Deus é a
inteligência suprema, causa primária de todas as coisas";
·
O universo é criação de Deus, incluindo todos os seres racionais
e irracionais, animados e inanimados, materiais e imateriais, que por sua vez,
todos estão destinados a lei do progresso;
·
Existência e imortalidade do espírito, compreendido como
individualidade inteligente da Criação Divina que atua sobre a matéria através
de um corpo "semimaterial" denominado perispírito, e assim como o
espírito, é indestrutível;
·
Volta do espírito à matéria tantas vezes quanto necessário, como
o mecanismo natural para se alcançar o aperfeiçoamento moral. No entanto, para
a doutrina, a perfeição que a Humanidade é suscetível atingir é relativa pois
apenas Deus possui a perfeição absoluta, infinita em todas as coisas.
·
Os espíritas rejeitam a crença na metempsicose (renascer em
corpo de outros animais);
·
Conceito de "criação igualitária" de todos os
espíritos, "simples e ignorantes" em sua origem, e destinados
invariavelmente à perfeição, com aptidões idênticas para o bem ou mal, dado o
livre-arbítrio;
·
Possibilidade de comunicação entre os espíritos encarnados
("vivos") e os espíritos desencarnados ("mortos"), por meio
da mediunidade (também denominada comunicabilidade dos espíritos).
Essa comunicação é realizada com o auxílio de pessoas com determinadas
capacidades – os médiuns como, por exemplo, através da escrita mediúnica ("psicografia”);
·
Lei de causa e efeito, compreendida como mecanismo de
retribuição ética universal a todos os espíritos, segundo a qual nossa condição
atual é resultado de nossos atos passados, pensamentos, e palavras que
constroem diariamente nosso futuro (Quem
semeia o bem, colhe o bem. Quem semeia o mal, colhe o mal);
·
Pluralidade dos mundos materiais habitados: a Terra não é o
único planeta com vida inteligente no universo, sendo possível a reencarnação
em outros orbes;
·
Jesus é o guia e modelo para toda a humanidade. Segundo o
espiritismo, a moral cristã contida nos evangelhos é o maior roteiro
ético-moral que o homem possui, e a sua prática é a solução para todos os
problemas humanos; objetivo a ser atingido pela humanidade.
·
Fora da caridade não há salvação. Para o espiritismo a
caridade consiste em benevolência para com todos, indulgência para as
imperfeições dos outros e perdão das ofensas, conforme ensinamentos cristãos.
Além disso, podem-se citar como
características secundárias:
·
A noção de continuidade da responsabilidade individual por toda
a eternidade;
·
Ausência total de hierarquia sacerdotal;
·
Abnegação na prática do bem, ou seja, não se deve cobrar pela
prática da caridade, nem o fazer visando a segundas intenções. Toda a prática
espírita é gratuita, como orienta o princípio moral do evangelho: “Dai de graça
o que de graça recebestes”;
·
Total ausência de exorcismos, fórmulas,
palavras sacramentais, horóscopos, cartomancia, pirâmides, cristais, amuletos,
talismãs, culto ou oferendas a imagens ou altares, danças, procissões, ou atos
semelhantes; paramentos, andores, bebidas alucinógenas, fumo, incenso e
práticas exteriores, ou quaisquer sinais materiais;
·
Ausência de rituais institucionalizados, a exemplo de
batismo, culto ou cerimônia para oficializar casamento;
·
Incentivo ao respeito para com todas as religiões e opiniões.
·
Ter uma fé raciocinada, rejeitando a fé cega que não utiliza o
raciocínio lógico em suas crenças.
Fonte: Wikipedia
Em que pese a resistência da ciência oficial, há um sem-número de
documentos e livros consistentes das manifestações dos espíritos. Só para dar
um exemplo incontestável, mencionamos os mais de 400 livros psicografados pelo
médium brasileiro, Francisco Candido Xavier, entre eles, Parnaso de Além
Tumulo, que recebeu o seguinte comentário do acadêmico Humberto de Campos,
publicado o jornal Diário Carioca: "Eu
faltaria, entretanto, ao dever que me é imposto pela consciência, se não
confessasse que, fazendo versos pelas penas do Sr. Francisco Cândido Xavier, os
poetas de que ele é intérprete apresentam as mesmas características de
inspiração e de expressão que os identificavam neste planeta. Os temas
abordados são os que os preocuparam em vida. O gosto é o mesmo e o verso
obedece, ordinariamente, à mesma pauta musical. Frouxo e ingênuo em Casemiro de
Abreu, largo e sonoro em Castro Alves, sarcástico e variado em Junqueiro,
fúnebre e grave em Antero, filosófico e profundo em Augusto dos Anjos".
De acordo com o Conselho Espírita
Internacional, o espiritismo está
representando em 36 países ao redor do mundo, com mais de 13 milhões de adeptos.
O Brasil é o país onde o Espiritismo mais se difundiu, onde conta com cerca de 3,8 milhões de seguidores,
segundo dados do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), e mais de 30 milhões de simpatizantes, de
acordo com a Federação Espírita Brasileira (FEB).
- Umbanda (1,2 milhões)
A Umbanda é uma doutrina religiosa afro-brasileira que sintetiza o culto aos Orixás e aos demais elementos das religiões
africanas, em especial Iorubá, com crenças indígenas, com forte influência cristã,
razão pala qual considero parte do cristianismo.
As primeiras comunidades religiosas afro-brasileiras que se
têm documentadas surgiram no Brasil ainda no século XVII. É provável que a evidência
mais antiga seja uma pintura de Zacharias Wagner, datada, provavelmente,
de 1641.
Praticadas pelos escravos, essas comunidades religiosas e seus
cultos ficaram conhecidas como Calundu. Os Calundus surgiram a partir das
chamadas rodas de batuques, onde os escravos dançavam, tocavam atabaques
em seus momentos de folga ao redor das senzalas, sendo ostensivamente
perseguidos pelas autoridades civis e colonizadores portugueses. Existia no
Calundu o sincretismo entre as crenças africanas, com a Pajelança Indígena, e o
Catolicismo.
Estruturada oficialmente como religião no início do século XX em São Gonçalo, Rio
de Janeiro, a Umbanda é praticada desde o final do século XIX em quase todo o
Brasil. Sua base doutrinária é monoteísta, centrada na figura de um deus
único e onipresente chamado Olorum, mas existem também outras divindades,
conhecidas como orixás, e guias espirituais.
O
evangelho de Jesus é uma das referências morais da Umbanda por meio de valores
como caridade e fraternidade. O próprio Cristo é uma figura de destaque na
figura do orixá Oxalá. A religião prega também a imortalidade da alma, a
reencarnação, e a existência e a interação com entidades espirituais.
Abaixo de
Olorum (Deus), são reverenciados os orixás da tradição iorubá, reconhecidos
como entidades superiores, que variam de acordo com cada vertente da religião.
São eles: Oxalá, Oxum, Oxóssi, Xangô, Ogum, Obaluaiê, Iemanjá, Oyá, Oxumaré,
Obá, Egunitá, Yansã, Nanã e Omolu.
Abaixo
dos orixás, as entidades espirituais são organizadas em linhas e falanges, com
diferentes categorias: Caboclos, Índios; Pretos Velhos, Exus, Espíritos do Bem,
Mensageiros dos Orixás; Pombas Giras e Erês (espíritos das crianças).
As
cerimônias e cultos de umbanda são realizados em casas, terreiros e barracões,
ou ao ar livre, junto à natureza. Os ritos são presididos por um “pai” ou uma
“mãe”, responsáveis por ensinar a doutrina aos discípulos. Os rituais visam
evocar os orixás e entidades espirituais a fim purificarem as energias dos
participantes.
Os ritos
não seguem uma ordem definida, podem variar de acordo com o local, o pai ou
mãe-de-santo e a vertente. Os mais comuns são as sessões de passe (a imposição
de mãos, onde se reorganiza as energias espirituais da pessoa), de descarrego
(ritual de limpeza espiritual onde pode envolver o uso de ervas), e celebração
de batizados, consagrações e casamentos.
É considerada uma religião brasileira, caracterizada pela síntese
entre a tradição dos orixás africanos, os santos
católicos e os espíritos tradicionais de
origem indígena.
O dia 15 de novembro é considerado a data do surgimento da Umbanda
como religião organizada, que foi oficializada no Brasil em 18 de maio de 2012
pela Lei 12.644, embora fosse praticada há muito tempo, e sob diversas formas.
Em 8 de novembro de 2016, após estudos do Instituto Rio Patrimônio
da Humanidade (IRPH), a Umbanda foi incluída na lista de patrimônios imateriais
do Rio de Janeiro por meio de decreto, e o número de adeptos é estimado em
torno de 1,2 milhões em todo o mundo, sendo a grande maioria no Brasil.. (fonte: Wikipedia)
Deus e a Humanidade
Como vimos, a concepção
de Deus está presente em todas as épocas da história e nos quatro cantos da
Terra. Encontrada nas tradições verbais de selvícolas e povos isolados, nos
resíduos arqueológicos, nas escritas antigas, nas manifestações dos filósofos e
pensadores de todas as épocas, quase sempre coerentes quanto aos seus
atributos, algumas vezes dispersos em vários Deuses.
A concepção humana de
Deus é fundamentada na sujeição do ser humano às forças da natureza atribuídas
a um poderoso ser abstrato, o que também explica a Religiosidade, ou seja, o
temor e a busca de proteção e apoio dessa “persona” diante das adversidades da
vida.
Deus se expressa
através da Natureza de forma imanente e emanente a tudo o que existe no
Universo, isto é, tudo e todos estão em Deus, como Deus está em tudo e todos.
As leis de Deus, ou naturais, organizam o Universo de forma fria e impessoal,
sem interferências ou deferências, igual para todos. Como sugeriu Vitor Hugo em
“Os Miseráveis”: “Tudo acontece conforme
essa lei tão fria, que faz com que a noite nasça mal termine o dia!”
Impossível negar a
lógica das leis naturais e a harmonia do Universo pelo qual Deus se expressa e
prova sua existência. A vida surgiu da natureza, e
o homem vive segundo suas leis e do que ela lhe fornece. Deus não
castiga, mas faz cumprir a lei natural de causa e efeito. As aflições que eventualmente
passamos nada mais são do que a consequência da inobservância dessa lei.
Não precisamos de
intermediários para falar com Deus, basta ter fé e mobilizar as forças que
recebemos da natureza que habita em nós, pois estamos em Deus!
As Igrejas
O termo de origem grega
“Igreja”, significa “comunidade de cidadãos livres”, isto é, pessoas que se
unem em torno de uma ideia ou interesse comum, embora hoje mais comumente entendido
como templo ou local físico em que se pessoas se reúnem em momentos de oração,
estudo, culto, louvor e petições à suas divindades. As igrejas que trataremos a
seguir refere-se a comunidades religiosas.
A função primordial
das igrejas é pregar e ensinar uma determinada doutrina, promover o bem comum,
a fé e a autoconfiança, prestar assistência material e espiritual, elevar o
nível moral e ético das comunidades, integrar e incentivar a confraternização
geral das pessoas.
Nas Igrejas surgem os líderes, normalmente aqueles que possuem maior
conhecimento doutrinário, mais iniciativa, e capacidade de cativar e influir
pessoas. Em determinadas circunstâncias, os crentes atribuem ao líder religioso
um “poder” sobrenatural ou “Carisma Místico”, tipo de liderança que exerce
forte influência emocional e mobiliza os recursos naturais da fé, produzindo
efeitos às vezes tidos como milagres, tais como curas e solução de problemas
pessoais.
Convém considerar que
as Doutrinas que congregam número expressivo de adeptos, como vimos
anteriormente, foram enunciadas por criaturas carismáticas, profetas e teólogos
reconhecidos por elevação moral excepcional, enquanto as Igrejas são lideradas
e compostas por pessoas comuns, sujeitas às exigências e imperfeições humanas.
A humanidade seria muito feliz e melhor
moralmente, haveria paz e solidariedade na terra se cada igreja cumprisse o que
prescreve sua doutrina, mas, infelizmente, as doutrinas são aviltadas com frequência,
e as igrejas conduzidas por falsos líderes, interessados unicamente por poder e
riqueza. O poder que a Igreja confere, é o mesmo de outras fontes de poder, e corrompe
como qualquer poder. As igrejas são poderosos centros de influência social, e
seus líderes exercem um poder temporal para promover o bem expresso na
doutrina.
O conteúdo das
doutrinas é o fundamento da Igreja, que deve ser ensinado e cumprido, visando a
evolução moral e espiritual dos adeptos. Todavia, quando as Igrejas são lideradas
por pessoas de mau caráter, pregam mistificações e mentiras, e destoando do
conteúdo doutrinário que a fundamenta, visam apenas explorar os crentes.
Proliferam as Igrejas
onde seus líderes se valem da ingenuidade dos adeptos para obter vantagens
pessoais, influenciar politicamente ou vender “salvação”, sem cuidar da
evolução moral ou da doutrinação dos membros da igreja.
Não se pode dizer que
é coisa nova, pois foi assim na Suméria 3500 anos antes de Cristo, quando os
homens se fixaram à terra para produzir alimentos, e os sacerdotes participavam
dos resultados sem produzir, e ainda ficavam com o excesso da produção por
garantir o amparo divino.
O uso indevido do
poder religioso mais ostensivo ressalta no Império Romano, que através da
Igreja Católica Apostólica Romana explora a humanidade há séculos, sempre
aliada ao poder político, cobrando dízimos ao redor do mundo, e produzindo um
retorno social ridículo. O Vaticano concentra o maior valor patrimonial por
metro quadrado no mundo, sem falar das propriedades que possuem em todos os
países onde operam.
O fato também é
bastante evidente em Igrejas que ostentam enormes templos, verdadeiros teatros,
onde são apresentados grandes espetáculos dramáticos e musicais, e nas Igrejas
Televisivas que exibem, dia e noite, representações ridículas de testemunhas de
milagres, dominando enorme audiência. Usam o poder das comunicações para
organizar eventos e cultos, sempre com o fim de arrecadar doações. Enquanto
pregam a Doutrina, exibem os dados bancários, apelando para os fiéis
depositarem suas contribuições para receber as graças de Deus.
As Igrejas
Protestantes nascidas do movimento moralizador de Lutero, florescem aos
milhares, de micro à multinacionais, verdadeiros “pontos de venda” de milagres e proteção contra os
assédios dos demônios, constituindo-se num dos negócios mais lucrativos da
atualidade.
No Brasil não
há controle do que arrecadam da boa-fé dos adeptos, mas pode-se estimar pelo
crescimento e o enriquecimento astronômico do patrimônio das igrejas, “usufruto”
de seus líderes, justificado por um retorno ínfimo em benefícios sociais.
O valor de
arrecadações estimado em 2019 foi de R$32 bilhões. A soma, que inclui igrejas católicas, evangélicas e demais, foi obtida
pelo jornal Folha de São Paulo junto à Receita Federal por meio da Lei de
Acesso à Informação. Ela equivale à metade do Orçamento da cidade de São Paulo.
Não existem informações atualizadas disponíveis porque as entidades religiosas
são isentas de quaisquer tributos, privilégio que o poder público se empenha
manter, desinteressadamente!
Além da exploração
financeira, a história registra inúmeros casos de desvio de finalidade quando,
em nome do poder divino, os líderes religiosos promoveram guerras, destruição,
incompatíveis com os atributos de caridade, justiça e misericórdia normalmente
encontrados nas doutrinas religiosas.
Não esqueçamos da
“guerra santa” e da Santa Inquisição, com o resultado de milhões de
assassinatos, nem das notórias acusações e processos de pedofilia e abusos
morais que pesam no ambiente de muitas Igrejas.
Criaram-se Teologias
obscuras para, em nome de Deus, influenciar as massas desinformadas. A história
recente registra a incúria dos movimentos político-ideológicos ao redor do mundo, como o Hamas,
Jihad Islâmica, Hezbollah e Estado Islâmico que surgiram no Islamismo para a
prática de terrorismo político ao redor do mundo, pretensamente em nome de Alá,
para eliminar os infiéis.
Há igrejas que ameaçam
com penas terríveis os que não fazem parte de sua congregação, para obterem
adeptos e livrá-los de suas próprias ameaças, práticas similares ao crime
organizado.
O
Sequestro de Deus
Esse é o verdadeiro Sequestro de Deus, praticado sem pudor
por falsos profetas e líderes religiosos em boa parte das igrejas que se compõe
por sinceros adeptos, mas lideradas por crápulas exploradores da credulidade
humana e ignorância doutrinária.
Em nome de Deus, os
povos da Terra têm sido iludidos, aviltados, explorados e assassinados por
pessoas inescrupulosas que se arvoram seus interlocutores, mas que o sonegam ao
conhecimento público e agem de forma totalmente incompatível com o que pregam. Os
falsos profetas sequestraram Deus, e continuam cobrando caro por sua
intermediação para perdoar os pecados, livrar os ingênuos da necessária
expiação, e dar-lhes morada privilegiada no Céu.
Lamentavelmente, alguns
líderes religiosos usam a Doutrina que adotam como um plano estratégico para
obter vantagens pessoais, violando princípios, e usando a seu favor o poder que
lhes é conferido pelos adeptos de sua igreja.
Liderar uma igreja é tido
por muitos um importante e rentável negócio, livre de impostos, e entregam a
Deus a responsabilidade pela prestação e qualidade dos serviços. Algumas
igrejas operam um verdadeiro comércio, vendem franquias, e cobram participação
sobre a renda! É mais do que evidente que vendem o que não possuem.
É chegada a hora da
vermos o Deus verdadeiro na natureza, entendendo que a sua prodigalidade nos
dotou de todos os recursos para alcançar a felicidade para qual fomos criados,
e nos dá amparo sem a necessidade de intermediários, está ao nosso lado mesmo
que não o percebamos.
Usemos nossa
intelectualidade para discernir o bem do mal, assumir a responsabilidade por
nossos atos, pedir luz e paz para agir com amor ao próximo, e teremos toda a
natureza criada por Deus para nos servir. Nas horas amargas, saibamos aceitar
com resignação nossas expiações, aproveitando a oportunidade de aprendizado que
oferecem. Calvino se referiu ao sacerdócio
universal como uma expressão da relação entre o crente e seu Deus, incluindo a
liberdade de um cristão buscar a Deus por meio de Cristo, sem mediação humana.
Como somos ainda muito
imperfeitos, embora perfectíveis, e muitas vezes precisamos de ajuda humana
para ver a verdade, participe da igreja que lhe parecer adequada, seja
colaborador na medida de suas possibilidades, pois será necessário custear seu
funcionamento, mas observe seus líderes, veja como vivem e se comportam com as
pessoas comuns, a que tipo de fortuna está preso seu coração, e principalmente,
se cobra por seu “amor” ao próximo.
Os suntuosos templos, as inúmeras propriedades, as obras de arte, e as
incomensuráveis riquezas acumuladas atestam o quanto uma igreja está afastada
de Deus e das Doutrinas Religiosas. Informe-se sobre o líder de sua igreja, seja
padre, pastor, bispo, profeta ou papa, e fuja dos mercenários, pois eles não
representam Deus, em nenhuma de suas concepções.
Quando uma pessoa busca
auxílio de Deus com fé, mobiliza os recursos que possui naturalmente, obtendo
êxito. É a fé que move montanhas sem necessitar de intermediários. Muitos fatos
que, nos primórdios da civilização eram considerados fenômenos sobrenaturais,
foram sendo desvendados pelo avanço dos conhecimentos científicos. Esse o papel
da ciência: descobrir a causa e, explicar o fenômeno. Em a natureza, nada é
sobrenatural.
O concurso de um bom
pastor é muitas vezes imprescindível, e ele prestará sua assistência sempre que
possível, mas o que estiver interessado no bem, não exorbitará por isso.
FIM
Vicente Graceffi
1ª Edição 2024

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